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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Cinco passos para dissolver uma crença negativa
"Crenças e comportamentos estão diretamente interligados. Se tenho comportamentos inadequados (disfuncionais) reforço minhas crenças negativas"
Talvez o ponto mais difícil e desafiador no processo da terapia cognitivo-comportamental seja o de trabalhar para modificar as crenças negativas.
Crenças como já foi explicado anteriormente em outros textos (veja aqui) são conteúdos cognitivos - percebidos e apreendidos - construídos ao longo de nossas vidas, principalmente durante a infância, e muitas vezes são inconscientes.
Essas crenças (tanto de conteúdo positivo como negativo) influenciam nossas percepções da realidade (pensamentos automáticos), bem como os comportamentos que temos.
Crenças e comportamentos estão diretamente interligados. Se tenho comportamentos inadequados (disfuncionais) reforço minhas crenças negativas. Se tenho crenças negativas, crio comportamentos inadequados. Dessa maneira, diante de crenças negativas os comportamentos são fortes aliados das mesmas mas, podem ser também grandes inimigos, dependendo de como forem utilizados.
Para modificar ou reestruturar o conteúdo das crenças é necessário que se trabalhe com todos os outros conteúdos cognitivos que as influenciam e se relacionam a elas, sendo esses os pensamentos automáticos e os comportamentos de segurança (ou estratégias compensatórias).
Como as crenças levaram anos para serem construídas, esse processo de desconstrução ou reconstrução é mais lento do que outras estratégias ou intervenções adotadas dentro da TCC, podendo levar alguns meses. Ele somente pode ocorrer após a pessoa já ter passado pelo processo da TCC, trabalhado e flexibilizando tanto seus pensamentos automáticos quanto seus comportamentos disfuncionais.
Existem alguns procedimentos que podem ser adotados para trabalhar com as crenças negativas.
Cinco passos para dissolver uma crença negativa:
1º) Psicoeducação com o paciente sobre os comportamentos disfuncionais (o que são, como são gerados, etc...)
2º) Trabalho de flexibilização dos comportamentos disfuncionais (por exemplo através da técnica do diário de comportamentos desconfortáveis saudáveis - veja aqui), ele é orientado a manter-se atento aos comportamentos inadequados desafiando os pensamentos automáticos negativos quando esses surgirem, para modificá-los (quando altero um pensamento automático negativo e encontro um pensamento alternativo mais adequado e funcional, consequentemente tenho como resultado não mais um comportamento disfuncional, mas sim um comportamento mais adequado à situação).
3º) Monitoração dos reforçadores das crenças positivas, que nada mais são do que esses novos comportamentos mais eficazes que a pessoa passa a ter. Ela passa a ficar atenta a eles e isso ajuda na conscientização dos mesmos.
4º) Anotar as crenças positivas para reforçá-las no dia a dia.
5º) A pessoa se propõe a ter um comportamento diferente do que teria se adotasse um comportamento de segurança baseado em suas crenças negativas, assim ela pode perceber o quanto essa atitude desafia essas crenças, demonstrando que elas não são verdadeiras (só são quando acreditamos nelas e temos comportamentos que as mantêm em continua construção, como se explica através da profecia autorrealizável - veja aqui).
Como já dito no início do texto, é um processo desafiador, difícil e trabalhoso mas, os resultados percebidos fazem o esforço valer a pena, pois finalmente o indivíduo pode sentir-se mais livre da opressão causada pelas crenças negativas.
Leia este texto também em Via Estelar.
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thaís petroff
domingo, 1 de janeiro de 2012
Desafie seus pensamentos automáticos e suas falsas crenças

"... muitos dos pensamentos automáticos contêm distorções cognitivas e deve-se aprender a identificá-las, de modo que o pensamento negativo distorcido que antes influenciava fortemente as emoções e comportamentos perca a credibilidade e força"
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Um dos primeiros aspectos trabalhados dentro da terapia cognitivo-comportamental é a verificação dos pensamentos automáticos. Aprende-se a monitorá-los: identificá-los e tomar consciência dos mesmos, bem como questionar sua validade.
Para isso, os pensamentos que nos acometem são desafiados fazendo um levantamento das evidências (provas) que o sustentem (comprovação) e das evidências que vão contra ele.
A partir disso, começa-se a ter uma ideia da validade e veracidade dos pensamentos que se tem. Percebe-se nesse contexto que muitos dos pensamentos automáticos contêm distorções cognitivas e deve-se aprender a identificá-las, de modo que o pensamento negativo distorcido que antes influenciava fortemente as emoções e comportamentos perca a credibilidade e força.
Quando uma pessoa consegue questionar seus pensamentos e dessa maneira avaliar o quanto eles são fiéis à realidade ou o quanto contêm distorções, pode então lidar com as diferentes situações de maneira mais adequada. Ou seja, ela passa a ter emoções e comportamentos mais ajustados aos eventos que vivencia.
Exemplo de uma situação
Quando uma pessoa consegue questionar seus pensamentos e dessa maneira avaliar o quanto eles são fiéis à realidade ou o quanto contêm distorções, pode então lidar com as diferentes situações de maneira mais adequada. Ou seja, ela passa a ter emoções e comportamentos mais ajustados aos eventos que vivencia.
Exemplo de uma situação
Uma pessoa é convidada para a festa de aniversário de um colega de trabalho. Essa pessoa tem um autoconceito ruim, consequentemente uma baixa autoestima. Ela logo tem o pensamento automático de que somente foi convidada por educação, não por que realmente gostariam de sua presença na comemoração. Se ela não questiona o pensamento, sente e age como se ele fosse verdadeiro e desse modo, teria grande chance de não comparecer à festa. Se ela avalia a validade do pensamento fazendo um levantamento das evidências a favor desse e contra o mesmo, passa a ter uma ideia mais próxima da realidade, permitindo que tenha comportamentos mais adequados.
Caso a pessoa nesse exemplo faça o levantamento das evidências que apóiam o pensamento automático e também que vão contra o mesmo, pode concluir que seu pensamento é distorcido. Diante dessa conclusão poderá sentir-se animada para ir à festa e ter o comportamento de comparecer na mesma, o que a ajudará a efetivamente testar a validade do seu pensamento automático: se o convite foi somente por educação.
Caso conclua que não há distorção cognitiva, já que há mais evidências que sustentam o pensamento automático desafiado, pode partir para resolução de problemas. Ou seja, aceitar a realidade do momento e questionar-se sobre o que pode fazer quanto a isso, fixando seu objetivo na situação:
Exemplo: ser convidada às festas de trabalho pelo fato das pessoas gostarem dela, então teria comportamentos que a ajudariam a alcançar essa meta.
Caso conclua que não há distorção cognitiva, já que há mais evidências que sustentam o pensamento automático desafiado, pode partir para resolução de problemas. Ou seja, aceitar a realidade do momento e questionar-se sobre o que pode fazer quanto a isso, fixando seu objetivo na situação:
Exemplo: ser convidada às festas de trabalho pelo fato das pessoas gostarem dela, então teria comportamentos que a ajudariam a alcançar essa meta.
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terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Desafie as falsas crenças que limitam a sua vida

"Crenças centrais são regras inflexíveis e hipergeneralizáveis que regem a vida do indivíduo e determinam sua maneira de perceber e entender o mundo. É aquilo no que o sujeito acredita fortemente (mas inconscientemente), independente do momento ou da situação. Uma pessoa que tem a crença de que "é um fracasso" ou de que "é incapaz" terá esses pensamentos mesmo que ganhe o Prêmio Nobel!"
Além dos pensamentos automáticos, as crenças e os esquemas são objetos de foco e mudança na terapia cognitivo-comportamental.
Os esquemas são estruturas cognitivas que organizam e processam a entrada de informação em nossa mente e representam os padrões de pensamento adquiridos na infância. Erros lógicos (processamento distorcidos/ou distorções) adquiridos durante o período de desenvolvimento da personalidade vão formar a substância (estrutura) do esquema disfuncional e predispor o indivíduo a ter problemas emocionais. Enquanto que os esquemas de um indivíduo bem ajustados fazem concessões (flexibilizações) para a avaliação realista dos eventos da vida.
Os esquemas de indivíduos mal ajustados resultam na distorção da realidade e facilitam o aparecimento e desenvolvimento de transtornos psicológicos.
Indivíduos com depressão, por exemplo, veem a si mesmos, seu mundo e seu futuro de forma negativa.
Esquema: estrutura muito profunda
Esquema é uma estrutura muito profunda, do ponto de vista psicológico. Os esquemas constituem a base para a codificação, categorização e avaliação das experiências e estímulos que um indivíduo encontra no seu mundo. Sendo assim, são responsáveis por como cada um percebe e internaliza suas experiências.
São os esquemas que direcionam os outros níveis de cognição, tanto as crenças, quanto os pensamentos automáticos e as distorções cognitivas. Se uma pessoa tem um pensamento automático negativo, este foi gerado pelo esquema. Ele funciona como filtro dos estímulos aos quais somos submetidos.
Desse modo, podemos entender os esquemas como as estruturas que definem as outras cognições, sendo o conteúdo das crenças, determinado pelos esquemas e, o conteúdo dos pensamentos automáticos similar aos de nossas crenças nucleares – explico abaixo. Utilizando a imagem de um iceberg, os esquemas definiriam a forma (estrutura dele), as crenças representariam a base deste e os pensamentos automáticos a ponta, acima da superfície da água.
Esquema é uma estrutura muito profunda, do ponto de vista psicológico. Os esquemas constituem a base para a codificação, categorização e avaliação das experiências e estímulos que um indivíduo encontra no seu mundo. Sendo assim, são responsáveis por como cada um percebe e internaliza suas experiências.
São os esquemas que direcionam os outros níveis de cognição, tanto as crenças, quanto os pensamentos automáticos e as distorções cognitivas. Se uma pessoa tem um pensamento automático negativo, este foi gerado pelo esquema. Ele funciona como filtro dos estímulos aos quais somos submetidos.
Desse modo, podemos entender os esquemas como as estruturas que definem as outras cognições, sendo o conteúdo das crenças, determinado pelos esquemas e, o conteúdo dos pensamentos automáticos similar aos de nossas crenças nucleares – explico abaixo. Utilizando a imagem de um iceberg, os esquemas definiriam a forma (estrutura dele), as crenças representariam a base deste e os pensamentos automáticos a ponta, acima da superfície da água.
Crenças nucleares e intermediárias
As crenças podem ser de dois tipos: as crenças centrais (ou também chamadas de nucleares) e as intermediárias.
Crenças centrais são regras inflexíveis e hipergeneralizáveis que regem a vida do indivíduo e determinam sua maneira de perceber e entender o mundo. É aquilo no que o sujeito acredita fortemente (mas inconscientemente), independente do momento ou da situação. Uma pessoa que tem a crença de que "é um fracasso" ou de que "é incapaz" terá esses pensamentos mesmo que ganhe o Prêmio Nobel! Para manter essa crença de incapacidade ela pode usar (sem se dar conta, é claro), por exemplo, das distorções cognitivas.
Quanto às crenças intermediárias, são relacionadas a diversos aspectos da vida que aparecem como pressupostos, regras e atitudes. Elas não são tão rígidas e generalizáveis como as crenças centrais. Apesar dessa diferença, elas se conectam com as crenças centrais e existem seguindo a "lógica" destas últimas. Vamos ver um exemplo: se alguém tem uma crença central que diz "Não sou digno de ser amado", pode ter uma crença intermediária que oriente: "Se fizer tudo que os outros querem, posso ser amado” (positiva). “Se não fizer tudo o que os outros querem, serei desprezado” (negativa). Enquanto esse indivíduo conseguir se auto-sacrificar e tiver "uma chance" de ser amado (parte positiva do pressuposto), poderá se manter funcional, ou seja, adequado à situação, "funcionando bem". Mas no momento em que isso não dá certo, a parte negativa do pressuposto (crença intermediária) entra em ação e ele fica deprimido. Um exemplo das regras, neste mesmo caso, seria o sujeito pensar: "Deveria me auto-sacrificar sempre" e, de atitude, "Vou me auto-sacrificar".
As crenças intermediárias, por não serem tão rígidas quanto à crença central, são mais fáceis de serem modificadas no processo terapêutico e os pensamentos automáticos por sua vez, mais flexíveis e fáceis de serem modificados do que as crenças intermediárias. É por isso, que em um processo de TCC, inicia-se trabalhando com os pensamentos automáticos e vai se aprofundando até chegar à flexibilização das crenças centrais.
Crenças centrais são regras inflexíveis e hipergeneralizáveis que regem a vida do indivíduo e determinam sua maneira de perceber e entender o mundo. É aquilo no que o sujeito acredita fortemente (mas inconscientemente), independente do momento ou da situação. Uma pessoa que tem a crença de que "é um fracasso" ou de que "é incapaz" terá esses pensamentos mesmo que ganhe o Prêmio Nobel! Para manter essa crença de incapacidade ela pode usar (sem se dar conta, é claro), por exemplo, das distorções cognitivas.
Quanto às crenças intermediárias, são relacionadas a diversos aspectos da vida que aparecem como pressupostos, regras e atitudes. Elas não são tão rígidas e generalizáveis como as crenças centrais. Apesar dessa diferença, elas se conectam com as crenças centrais e existem seguindo a "lógica" destas últimas. Vamos ver um exemplo: se alguém tem uma crença central que diz "Não sou digno de ser amado", pode ter uma crença intermediária que oriente: "Se fizer tudo que os outros querem, posso ser amado” (positiva). “Se não fizer tudo o que os outros querem, serei desprezado” (negativa). Enquanto esse indivíduo conseguir se auto-sacrificar e tiver "uma chance" de ser amado (parte positiva do pressuposto), poderá se manter funcional, ou seja, adequado à situação, "funcionando bem". Mas no momento em que isso não dá certo, a parte negativa do pressuposto (crença intermediária) entra em ação e ele fica deprimido. Um exemplo das regras, neste mesmo caso, seria o sujeito pensar: "Deveria me auto-sacrificar sempre" e, de atitude, "Vou me auto-sacrificar".
As crenças intermediárias, por não serem tão rígidas quanto à crença central, são mais fáceis de serem modificadas no processo terapêutico e os pensamentos automáticos por sua vez, mais flexíveis e fáceis de serem modificados do que as crenças intermediárias. É por isso, que em um processo de TCC, inicia-se trabalhando com os pensamentos automáticos e vai se aprofundando até chegar à flexibilização das crenças centrais.
Estratégias compensatórias
Outro conceito interessante é o de estratégias compensatórias (ou comportamento de segurança). Essas são as "táticas" que o indivíduo usa para lidar com as crenças centrais, ou seja, para compensá-las ou buscar proteger-se.
No caso descrito, ter um comportamento de auto-sacrifício seria um exemplo de estratégia compensatória para lidar com a crença central: "Não sou digno de ser amado”. O que ocorre na prática é que a pessoa ao utilizar um comportamento de segurança, alivia a ansiedade ou incômodo causado pela possibilidade de ativação da crença. No entanto, esse alívio é somente um paliativo momentâneo, pois acaba por reforçar ainda mais a crença nuclear negativa (crença central) existente: "Quando eu me sacrifico como forma de merecer receber amor de outro, acreditarei ainda mais que não sou digno de amor, a não ser que repita esse comportamento novamente".
As crenças centrais, podem ser divididas em três crenças básicas disfuncionais:
• Crenças de incapacidade: crenças sobre ser incapaz, incompetente, ineficiente, falho, enganador, fracassado.
• Crenças de inadequação: crenças sobre ser inadequado, defeituoso, imperfeito, diferente.
• Crenças de desamor: crenças sobre ser indesejável incapaz de ser gostado, amado ou querido, sem atrativos, rejeitado, abandonado, sozinho.
Pontos importantes sobre as crenças:
• Elas são ideias, não necessariamente verdades.
• É possível acreditar com convicção nelas, até mesmo “sentir” que são verdades e ainda assim, podem ser em grande parte ou inteiramente não verdadeiras.
• As crenças estão enraizadas em eventos da infância e se desenvolvem ao longo da vida.
• As crenças centrais são mantidas através da operação dos esquemas relativos, os quais fazem com que a pessoa filtre os dados da realidade de maneira a reconhecer os que apoiam as crenças enquanto ignoram, reduzem ou distorcem os que são contra.
• Sendo as crenças conteúdos construídos e aprendidos, é possível revê-las desconstruir o que não é funcional e aprender conteúdos mais adaptados e realistas.
• Crenças de incapacidade: crenças sobre ser incapaz, incompetente, ineficiente, falho, enganador, fracassado.
• Crenças de inadequação: crenças sobre ser inadequado, defeituoso, imperfeito, diferente.
• Crenças de desamor: crenças sobre ser indesejável incapaz de ser gostado, amado ou querido, sem atrativos, rejeitado, abandonado, sozinho.
Pontos importantes sobre as crenças:
• Elas são ideias, não necessariamente verdades.
• É possível acreditar com convicção nelas, até mesmo “sentir” que são verdades e ainda assim, podem ser em grande parte ou inteiramente não verdadeiras.
• As crenças estão enraizadas em eventos da infância e se desenvolvem ao longo da vida.
• As crenças centrais são mantidas através da operação dos esquemas relativos, os quais fazem com que a pessoa filtre os dados da realidade de maneira a reconhecer os que apoiam as crenças enquanto ignoram, reduzem ou distorcem os que são contra.
• Sendo as crenças conteúdos construídos e aprendidos, é possível revê-las desconstruir o que não é funcional e aprender conteúdos mais adaptados e realistas.
Leia este texto também em Via Estelar.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Crenças: devemos maximizar as positivas e minimizar as negativas

"Como o intuito é que as crenças positivas “falem conosco” em alto e bom som e as negativas “sussurrem” seu conteúdo para nós, temos assim base o suficiente para não nos deixarmos cair ou paralisar por esse conteúdo negativo; podendo justamente percebê-lo como uma dúvida diante de alguma situação e assim termos vontade de superá-la"
Todos temos *crenças nucleares negativas sobre nós mesmos, o mundo e o futuro.
Posso acreditar que sou incapaz profissionalmente e/ou que sou chata (inadequada) ou ainda que não tenho valor. Consequentemente as pessoas não gostam de mim.
Posso acreditar que meu marido é um incompetente em casa, que minha vizinha é uma fofoqueira e que as pessoas não são confiáveis. Posso ainda acreditar que o futuro é incerto e não serei capaz de lidar com ele ou ainda que coisas ruins podem acontecer e eu não tenho recursos para lidar com elas.
Todas essas crenças quando muito fortes, tornam-se prejudiciais, pois nos paralisam, nos fazem sofrer e construir nossas vidas baseadas nelas (clique aqui e leia).
Todas essas crenças quando muito fortes, tornam-se prejudiciais, pois nos paralisam, nos fazem sofrer e construir nossas vidas baseadas nelas (clique aqui e leia).
O intuito da TCC é reestruturar nossas crenças nucleares negativas, de modo a enfraquecê-las e fortificar as crenças nucleares positivas, às quais todos também temos, mas que em algumas pessoas ou em determinadas áreas da vida estão quase que imperceptíveis.
Em função de como percebemos nossas experiências de vida, pode ocorrer de criarmos e reforçarmos muito mais crenças negativas do que crenças positivas; sendo essas generalizadas (ex. sou incapaz, não sou amado) ou em uma única área da vida (ex. sou incapaz profissionalmente, meu pai não gosta de mim).
Na terapia o intuito é identificar quais são as crenças nucleares negativas presentes e trabalhá-las de modo que elas tenham cada vez menos repercussão na vida dessa pessoa e, consequentemente que ela passe a perceber cada vez mais evidências que apoiem sua crença positiva.
Na terapia o intuito é identificar quais são as crenças nucleares negativas presentes e trabalhá-las de modo que elas tenham cada vez menos repercussão na vida dessa pessoa e, consequentemente que ela passe a perceber cada vez mais evidências que apoiem sua crença positiva.
Quando alguma de nossas crenças negativas está ativada por alguma situação ou momento, passamos a ter uma percepção enviesada da realidade. Com isso ignoramos evidências que reforçariam nossas crenças positivas ou ainda distorcendo as evidências fazendo com que a mensagem que seja registrada é que a crença negativa está correta.
Quando a crença negativa perde força, essa distorção passa a ocorrer cada vez menos, até porque as pessoas são treinadas a perceber quando fazem uma distorção cognitiva e desafiá-la - ou seja, duvidar dela.
Através da TCC são então minimizadas nossas crenças negativas e maximizadas as positivas, fazendo com que as pessoas tenham uma vida mais funcional (promissora/produtiva) e adequada.
Através da TCC são então minimizadas nossas crenças negativas e maximizadas as positivas, fazendo com que as pessoas tenham uma vida mais funcional (promissora/produtiva) e adequada.
Por que então não extinguir totalmente as crenças nucleares negativas?
Em primeiro lugar esse seria uma trabalho muito longo e quase que impossível. Uma vez que todas as crenças foram construídas ao longo de anos de vida e também sempre conseguiremos encontrar alguma situação que possa nos causar alguma dúvida quanto às nossas crenças.
Além disso, em minha opinião, é até positivo que fique um resquício de crenças negativas, pois elas impedirão que a pessoa se torne por demais segura e, portanto arrogante. Ao acreditar que é capaz demais, adequada demais ou amada demais, essa pessoa não terá nunca qualquer possibilidade de vulnerabilidade; o que resultará em acomodação, inércia ou ainda comportamentos de risco. Alguns exemplos seriam não achar que precisa melhorar como pessoa ou aprender mais na área profissional ou ainda praticar esportes radicais sem a devida segurança.
Acredito que as crenças negativas quando estão devidamente reestruturadas (minimizadas) fazem com que tenhamos dúvidas em algumas situações e essa dúvida pode ajudar a crescermos, nos desenvolvermos e melhorarmos.
Acredito que as crenças negativas quando estão devidamente reestruturadas (minimizadas) fazem com que tenhamos dúvidas em algumas situações e essa dúvida pode ajudar a crescermos, nos desenvolvermos e melhorarmos.
Como o intuito é que as crenças positivas “falem conosco” em alto e bom som e as negativas “sussurrem” seu conteúdo para nós, temos assim base o suficiente para não nos deixarmos cair ou paralisar por esse conteúdo negativo; podendo justamente percebê-lo como uma dúvida diante de alguma situação e assim termos vontade de superá-la. Um exemplo seria diante de uma discussão com alguém, se questionar qual seria sua parte de responsabilidade e o que poderia ser feito para melhorar a situação.
No caso de uma pessoa sem crenças negativas, de maneira alguma ela se sentiria vulnerável e diante disso dificilmente reconsideraria sua palavras e ações; provavelmente acreditaria que não há nada de errado com ela, mas sim com o outro.
* Chama-se de crença nuclear ou crença central o centro de tudo o que acreditamos.
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Comportamentos de segurança ou estratégias compensatórias
"Quando temos um comportamento no intuito de aliviar um medo ou ansiedade, possivelmente estamos adotando-o para fugir da ativação de alguma crença negativa. No entanto, ele impede que a desconfirmemos e ainda acaba reforçando essa crença, fazendo com que fique mais forte e consistente"
Os comportamentos que você adota no seu dia a dia te ajudam a superar suas crenças negativas sobre você, o mundo (os outros) e o futuro? Ou acabam de algum modo reforçando-as mais ainda?
Caso a opção seja a segunda, você está adotando o que na TCC chamamos de estratégias compensatórias ou comportamentos de segurança.
O que são essas estratégias e como diferenciá-las dos comportamentos adequados (funcionais)?
Os comportamentos de segurança visam nos proteger de ativar nossas crenças negativas e lidar com o desconforto emocional gerado quando isso ocorre. Ou seja, eles visam compensá-las.
Desse modo, esses comportamentos têm uma intenção positiva e servem de estratégia, porque a pessoa percebe que através deles sente um alívio frente às situações perturbadoras ou desafiadoras.
Destacam-se alguns exemplos trazidos em texto anterior (clique aqui e leia), como a checagem, onde a pessoa fica preocupada se fechou o gás ou se trancou a porta. Ela checa isso inúmeras vezes para se reassegurar de sua ação. Ou ainda a pessoa que se prepara muito para todas as suas apresentações ou avaliações no intuito de lidar com o medo de falhar.
Por que esses comportamentos são classificados como estratégias compensatórias ou comportamentos de segurança?
Isso ocorre porque a pessoa se utilizou dessas estratégias para aliviar sua ansiedade gerada frente a uma crença negativa. Além disso, seu comportamento impediu que ela fizesse a desconfirmação dessa crença. Por exemplo, no segundo caso onde a pessoa não acredita em sua autoeficácia (ou seja, na sua habilidade em desempenhar as atividades com sucesso), ela sente-se ansiosa frente ao pensamento de que em breve terá a apresentação de um trabalho.
Isso ocorre, pois esse pensamento ativa sua crença: “Não confio na minha habilidade em desempenhar as atividades com sucesso” - e diante de sua ansiedade tem um comportamento que a alivia temporariamente: preparar-se exaustivamente. No entanto, a dúvida ou preocupação assola novamente, sempre que ela pensa na apresentação, pois ela tem uma crença negativa frente à sua autoeficácia.
Ela desenvolve uma estratégia para lidar com a situação que a torna “escrava” da mesma. Ela cria uma regra interna que somente preparando-se exaustivamente, é que poderá se sair bem. E se ele obter bom resultado, irá atribuí-lo a essa estratégia. E caso não obtenha um bom resultado, pensará que faltou preparo e que na próxima precisará se esforçar ainda mais.
Diante disso, essa pessoa não se dá a chance de testar seu desempenho, preparando-se normalmente como qualquer outra pessoa e assim poder desafiar sua crença negativa de que sua autoeficácia é falha.
O mesmo ocorre no caso da pessoa que checa a porta inúmeras vezes. Sua ansiedade alivia momentaneamente, até que a dúvida retorne. Ao checar diversas vezes se a porta ficou trancada, reforça sua crença de que não pode confiar em si mesma.
Desse modo, quando temos um comportamento no intuito de aliviar um medo ou ansiedade, possivelmente estamos adotando-o para fugir da ativação de alguma crença negativa. No entanto, ele impede que a desconfirmemos e ainda acaba reforçando essa crença, fazendo com que fique mais forte e consistente.
Leia este texto também em Via Estelar.
Os comportamentos que você adota no seu dia a dia te ajudam a superar suas crenças negativas sobre você, o mundo (os outros) e o futuro? Ou acabam de algum modo reforçando-as mais ainda?
Caso a opção seja a segunda, você está adotando o que na TCC chamamos de estratégias compensatórias ou comportamentos de segurança.
O que são essas estratégias e como diferenciá-las dos comportamentos adequados (funcionais)?
Os comportamentos de segurança visam nos proteger de ativar nossas crenças negativas e lidar com o desconforto emocional gerado quando isso ocorre. Ou seja, eles visam compensá-las.
Desse modo, esses comportamentos têm uma intenção positiva e servem de estratégia, porque a pessoa percebe que através deles sente um alívio frente às situações perturbadoras ou desafiadoras.
Destacam-se alguns exemplos trazidos em texto anterior (clique aqui e leia), como a checagem, onde a pessoa fica preocupada se fechou o gás ou se trancou a porta. Ela checa isso inúmeras vezes para se reassegurar de sua ação. Ou ainda a pessoa que se prepara muito para todas as suas apresentações ou avaliações no intuito de lidar com o medo de falhar.
Por que esses comportamentos são classificados como estratégias compensatórias ou comportamentos de segurança?
Isso ocorre porque a pessoa se utilizou dessas estratégias para aliviar sua ansiedade gerada frente a uma crença negativa. Além disso, seu comportamento impediu que ela fizesse a desconfirmação dessa crença. Por exemplo, no segundo caso onde a pessoa não acredita em sua autoeficácia (ou seja, na sua habilidade em desempenhar as atividades com sucesso), ela sente-se ansiosa frente ao pensamento de que em breve terá a apresentação de um trabalho.
Isso ocorre, pois esse pensamento ativa sua crença: “Não confio na minha habilidade em desempenhar as atividades com sucesso” - e diante de sua ansiedade tem um comportamento que a alivia temporariamente: preparar-se exaustivamente. No entanto, a dúvida ou preocupação assola novamente, sempre que ela pensa na apresentação, pois ela tem uma crença negativa frente à sua autoeficácia.
Ela desenvolve uma estratégia para lidar com a situação que a torna “escrava” da mesma. Ela cria uma regra interna que somente preparando-se exaustivamente, é que poderá se sair bem. E se ele obter bom resultado, irá atribuí-lo a essa estratégia. E caso não obtenha um bom resultado, pensará que faltou preparo e que na próxima precisará se esforçar ainda mais.
Diante disso, essa pessoa não se dá a chance de testar seu desempenho, preparando-se normalmente como qualquer outra pessoa e assim poder desafiar sua crença negativa de que sua autoeficácia é falha.
O mesmo ocorre no caso da pessoa que checa a porta inúmeras vezes. Sua ansiedade alivia momentaneamente, até que a dúvida retorne. Ao checar diversas vezes se a porta ficou trancada, reforça sua crença de que não pode confiar em si mesma.
Desse modo, quando temos um comportamento no intuito de aliviar um medo ou ansiedade, possivelmente estamos adotando-o para fugir da ativação de alguma crença negativa. No entanto, ele impede que a desconfirmemos e ainda acaba reforçando essa crença, fazendo com que fique mais forte e consistente.
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quarta-feira, 27 de abril de 2011
Entenda como a relação de seus pais pode influenciar sua vida afetiva

Este relato mostra como acontecimentos de origem familiar influenciam nossa forma de pensar, agir e sentir e criam padrões de comportamento completamente distorcidos frente à realidade que nos cerca. Enfim, passamos a ter uma percepção errônea frente à vida e às pessoas.
Ana Luísa é uma mulher com pouco menos de 30 anos. Ela vem de uma família onde o relacionamento dos pais é bastante dependente, principalmente do pai em relação à mãe. Em função disso há muita intensidade, ciúme e agressividade.
No início de sua adolescência, recebeu uma notícia que foi o estopim de outros acontecimentos. Sua mãe havia traído seu pai e contado para ele. Diante disso, muitas brigas se sucederam entre eles, com ela estando presente em diversas delas. Ouviu diversas vezes seu pai dizer que sua mãe não prestava, entre outras coisas do gênero. No entanto, seu pai não saiu de casa, nem se separou de sua mãe e as brigas e ofensas se mantiveram por longos anos. Seu pai foi generalizando sua visão de que as mulheres não prestavam, sendo ela também atingida por isso, uma vez que ele começou a se referir a ela dessa maneira também. Quando ela saia com suas amigas para as “baladas” tão típicas de adolescentes, seu pai sugeria que ela estava indo “vagabundear”. Quando ela comentava sobre algum garoto ele logo tratava de questionar se ela já havia transado com ele.
Diante desse cenário, Luísa foi desenvolvendo seu autoconceito (autoimagem) de maneira distorcida, de modo a acreditar que não prestava, que era promíscua e que diante disso nunca conseguiria se manter em um relacionamento saudável e duradouro com uma boa pessoa, já que era “defeituosa”.
Passou a se ver como um “pedaço de carne” e acreditava que esse era seu único atrativo. Saia com roupas curtas e provocantes, pois para ela esse era o único modo de ser valorizada por alguém do sexo oposto (resignação à sua crença). Passou a conhecer garotos e relacionar-se com eles com base nessa sua crença sobre si mesma e como resultado tinha relacionamentos fugazes, de muita intensidade e voltados para a área física. Desse modo passou a sentir-se cada vez mais triste, pois não encontrava ninguém que realmente gostasse dela e a respeitasse e sua crença de que seu único valor era seu corpo e sua beleza era cada vez mais reforçado (profecia autorrealizável).
Ana foi crescendo e todos seus relacionamentos eram regados a muita paixão, atração sexual, ciúmes, joguinhos e brigas. Em parte deles a traição estava presente e ela começava a formar a ideia de que era assim que as coisas aconteciam na vida dela: que seus relacionamentos nunca davam certo e que ela não tinha boa índole (era defeituosa).
Um pouco mais velha, passou a se relacionar de maneira um pouco mais distante e fria; acreditava que “nunca poderia se entregar, já que nunca um relacionamento seu daria certo”. Passou a terminar todos seus casos, mesmo antes de saber do interesse da outra parte, evitando criar intimidade e adiantando-se a qualquer atitude de rejeição que poderia vir por parte do outro. Ela o rejeitava, mas no íntimo sentia-se rejeitada, somente fazia isso por acreditar que a qualquer momento o companheiro o faria.
Na tentativa de vivenciar um relacionamento um pouco mais saudável, pois havia percebido um padrão negativo, começou a se envolver com um rapaz que no início a tratava bem, dizia que queria ajudá-la a melhorar e ser uma pessoa melhor. Esse provinha de uma família ainda mais crítica do que a de Luísa e com altos padrões de comportamento e muita cobrança.
Ela contou ao namorado diversas situações pelas quais havia passado e que lhe trouxeram muito sofrimento e logo se viu em um relacionamento rodeado de ciúme, em que foi impedida de ter contato com outros homens, diante da justificativa de que ela não sabia se portar frente a eles e de diversas acusações às atitudes e comportamentos que tinha.
Ana por gostar muito do atual namorado manteve-se nesse relacionamento por mais de três anos entre términos e retomadas, onde passou a acreditar cada vez mais que que ela não era uma boa pessoa, não era confiável, que o relacionamento ia mal por sua causa e que não se esforçava por ser melhor [manutenção de seus esquemas (padrões de comportamento) e crenças desaptativas]. Após ter entrado em depressão, emagrecido diversos quilos e quase um ano nesse quadro de tumulto, ela finalmente conseguiu se afastar desse relacionamento disfuncional.
Ela conheceu a TCC e hoje adulta consegue enxergar muito do seu passado com outros olhos. Compreende que houve situações que ocorreram independentemente de sua vontade, como por exemplo: traição entre seus pais, momentos de raiva de seu pai em que ele dizia que ela não prestava assim como sua mãe.
No entanto, passou a perceber que alguns eventos eram construídos e/ou procurados por ela de maneira a provar algumas crenças (profecia autorrealizável) e também perpetuar alguns esquemas - padrões de comportamento. Alguns exemplos disso foram: envolver-se com homens ciumentos, esses diziam que ela não sabia portar-se (crença: “Tenho má índole”) ou ter comportamentos que afastavam os homens (crença: “Não sou capaz de estar e manter um relacionamento saudável, pois sou defeituosa” por isso rejeito antes que seja rejeitada).
Atualmente faz terapia e está mais consciente de suas cognições (pensamentos automáticos, crenças e esquemas), assim como de suas atitudes e comportamentos. A crença de não ser gostável (achar que nunca seria amada), os *esquemas de defectividade/vergonha, abandono/instabilidade e privação emocional são bastante conscientes para ela, assim como ela percebe que lhe é muito mais fácil voltar a comportar-se dentro de um padrão disfuncional (até porque este já é conhecido e já foi treinado e reforçado durante muito tempo), do que sair dele; no entanto por estar mais alerta a essas situações, pode, quando deseja, fazer com que as coisas ocorram de outra maneira, nova.
Atualmente está em um relacionamento estável e sério há pouco menos de um ano, com um jovem que realmente a ama, a compreende e busca apontar-lhe seus acertos e pontos positivos, ao invés de apontar seus déficts. Conversam muito de maneira honesta. Ana tem a chance de ter feedbacks do namorado sobre o que ele pensa e sente; assim ela pode comparar essas informações com os pensamentos automáticos que surgem. Em momentos de maior vulnerabilidade, ainda deprecia-se, mas está mais ciente disso e o namorado aponta para ela suas distorções em relação à percepção dos fatos.
Eles têm o desejo de casar-se e cada vez mais Ana Luísa está tem a chance de colher evidências contra suas crenças: “Tenho má índole”;“Não consigo manter uma relacionamento saudável”;“Sou só um pedaço de carne”;“Não é possível alguém realmente me amar da maneira que sou”, etc...).
Com sua disposição para mudar sua forma de pensar, sentir e agir Ana adimite que não é fácil se libertar de padrões de comportamentos arraigados, mas consegue a cada dia enxergar isso como algo cada vez mais possível.
Atualmente está em um relacionamento estável e sério há pouco menos de um ano, com um jovem que realmente a ama, a compreende e busca apontar-lhe seus acertos e pontos positivos, ao invés de apontar seus déficts. Conversam muito de maneira honesta. Ana tem a chance de ter feedbacks do namorado sobre o que ele pensa e sente; assim ela pode comparar essas informações com os pensamentos automáticos que surgem. Em momentos de maior vulnerabilidade, ainda deprecia-se, mas está mais ciente disso e o namorado aponta para ela suas distorções em relação à percepção dos fatos.
Eles têm o desejo de casar-se e cada vez mais Ana Luísa está tem a chance de colher evidências contra suas crenças: “Tenho má índole”;“Não consigo manter uma relacionamento saudável”;“Sou só um pedaço de carne”;“Não é possível alguém realmente me amar da maneira que sou”, etc...).
Com sua disposição para mudar sua forma de pensar, sentir e agir Ana admite que não é fácil se libertar de padrões de comportamentos arraigados, mas consegue a cada dia enxergar isso como algo cada vez mais possível.
* esquemas de defectividade: padrão de comportamento de achar que está em débito
Obs: o nome da personagem deste texto é fictício, mas os fatos são reais.
Diante desse cenário, Luísa foi desenvolvendo seu autoconceito (autoimagem) de maneira distorcida, de modo a acreditar que não prestava, que era promíscua e que diante disso nunca conseguiria se manter em um relacionamento saudável e duradouro com uma boa pessoa, já que era “defeituosa”.
Passou a se ver como um “pedaço de carne” e acreditava que esse era seu único atrativo. Saia com roupas curtas e provocantes, pois para ela esse era o único modo de ser valorizada por alguém do sexo oposto (resignação à sua crença). Passou a conhecer garotos e relacionar-se com eles com base nessa sua crença sobre si mesma e como resultado tinha relacionamentos fugazes, de muita intensidade e voltados para a área física. Desse modo passou a sentir-se cada vez mais triste, pois não encontrava ninguém que realmente gostasse dela e a respeitasse e sua crença de que seu único valor era seu corpo e sua beleza era cada vez mais reforçado (profecia autorrealizável).
Ana foi crescendo e todos seus relacionamentos eram regados a muita paixão, atração sexual, ciúmes, joguinhos e brigas. Em parte deles a traição estava presente e ela começava a formar a ideia de que era assim que as coisas aconteciam na vida dela: que seus relacionamentos nunca davam certo e que ela não tinha boa índole (era defeituosa).
Um pouco mais velha, passou a se relacionar de maneira um pouco mais distante e fria; acreditava que “nunca poderia se entregar, já que nunca um relacionamento seu daria certo”. Passou a terminar todos seus casos, mesmo antes de saber do interesse da outra parte, evitando criar intimidade e adiantando-se a qualquer atitude de rejeição que poderia vir por parte do outro. Ela o rejeitava, mas no íntimo sentia-se rejeitada, somente fazia isso por acreditar que a qualquer momento o companheiro o faria.
Na tentativa de vivenciar um relacionamento um pouco mais saudável, pois havia percebido um padrão negativo, começou a se envolver com um rapaz que no início a tratava bem, dizia que queria ajudá-la a melhorar e ser uma pessoa melhor. Esse provinha de uma família ainda mais crítica do que a de Luísa e com altos padrões de comportamento e muita cobrança.
Ela contou ao namorado diversas situações pelas quais havia passado e que lhe trouxeram muito sofrimento e logo se viu em um relacionamento rodeado de ciúme, em que foi impedida de ter contato com outros homens, diante da justificativa de que ela não sabia se portar frente a eles e de diversas acusações às atitudes e comportamentos que tinha.
Ana por gostar muito do atual namorado manteve-se nesse relacionamento por mais de três anos entre términos e retomadas, onde passou a acreditar cada vez mais que que ela não era uma boa pessoa, não era confiável, que o relacionamento ia mal por sua causa e que não se esforçava por ser melhor [manutenção de seus esquemas (padrões de comportamento) e crenças desaptativas]. Após ter entrado em depressão, emagrecido diversos quilos e quase um ano nesse quadro de tumulto, ela finalmente conseguiu se afastar desse relacionamento disfuncional.
Ela conheceu a TCC e hoje adulta consegue enxergar muito do seu passado com outros olhos. Compreende que houve situações que ocorreram independentemente de sua vontade, como por exemplo: traição entre seus pais, momentos de raiva de seu pai em que ele dizia que ela não prestava assim como sua mãe.
No entanto, passou a perceber que alguns eventos eram construídos e/ou procurados por ela de maneira a provar algumas crenças (profecia autorrealizável) e também perpetuar alguns esquemas - padrões de comportamento. Alguns exemplos disso foram: envolver-se com homens ciumentos, esses diziam que ela não sabia portar-se (crença: “Tenho má índole”) ou ter comportamentos que afastavam os homens (crença: “Não sou capaz de estar e manter um relacionamento saudável, pois sou defeituosa” por isso rejeito antes que seja rejeitada).
Atualmente faz terapia e está mais consciente de suas cognições (pensamentos automáticos, crenças e esquemas), assim como de suas atitudes e comportamentos. A crença de não ser gostável (achar que nunca seria amada), os *esquemas de defectividade/vergonha, abandono/instabilidade e privação emocional são bastante conscientes para ela, assim como ela percebe que lhe é muito mais fácil voltar a comportar-se dentro de um padrão disfuncional (até porque este já é conhecido e já foi treinado e reforçado durante muito tempo), do que sair dele; no entanto por estar mais alerta a essas situações, pode, quando deseja, fazer com que as coisas ocorram de outra maneira, nova.
Atualmente está em um relacionamento estável e sério há pouco menos de um ano, com um jovem que realmente a ama, a compreende e busca apontar-lhe seus acertos e pontos positivos, ao invés de apontar seus déficts. Conversam muito de maneira honesta. Ana tem a chance de ter feedbacks do namorado sobre o que ele pensa e sente; assim ela pode comparar essas informações com os pensamentos automáticos que surgem. Em momentos de maior vulnerabilidade, ainda deprecia-se, mas está mais ciente disso e o namorado aponta para ela suas distorções em relação à percepção dos fatos.
Eles têm o desejo de casar-se e cada vez mais Ana Luísa está tem a chance de colher evidências contra suas crenças: “Tenho má índole”;“Não consigo manter uma relacionamento saudável”;“Sou só um pedaço de carne”;“Não é possível alguém realmente me amar da maneira que sou”, etc...).
Com sua disposição para mudar sua forma de pensar, sentir e agir Ana adimite que não é fácil se libertar de padrões de comportamentos arraigados, mas consegue a cada dia enxergar isso como algo cada vez mais possível.
Atualmente está em um relacionamento estável e sério há pouco menos de um ano, com um jovem que realmente a ama, a compreende e busca apontar-lhe seus acertos e pontos positivos, ao invés de apontar seus déficts. Conversam muito de maneira honesta. Ana tem a chance de ter feedbacks do namorado sobre o que ele pensa e sente; assim ela pode comparar essas informações com os pensamentos automáticos que surgem. Em momentos de maior vulnerabilidade, ainda deprecia-se, mas está mais ciente disso e o namorado aponta para ela suas distorções em relação à percepção dos fatos.
Eles têm o desejo de casar-se e cada vez mais Ana Luísa está tem a chance de colher evidências contra suas crenças: “Tenho má índole”;“Não consigo manter uma relacionamento saudável”;“Sou só um pedaço de carne”;“Não é possível alguém realmente me amar da maneira que sou”, etc...).
Com sua disposição para mudar sua forma de pensar, sentir e agir Ana admite que não é fácil se libertar de padrões de comportamentos arraigados, mas consegue a cada dia enxergar isso como algo cada vez mais possível.
* esquemas de defectividade: padrão de comportamento de achar que está em débito
Obs: o nome da personagem deste texto é fictício, mas os fatos são reais.
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thaís petroff
domingo, 27 de fevereiro de 2011
De onde vêm nossas crenças negativas e comportamentos disfuncionais?
Comportamentos distorcidos - "... são mantidos e perpetuados por toda a vida e em situações em que não necessariamente se “encaixam”. Transformam-se em padrões arraigados de pensamentos e crenças distorcidas"Assim como em outras linhas teóricas da psicologia, a TCC acredita que muitos dos comportamentos *disfuncionais têm sua origem na infância. Mas a elaboração e manutenção dos mesmos se perpetua na vida adulta.
Por exemplo, uma criança que não recebe atenção, afeto e cuidados dos pais pode começar a desenvolver uma maneira disfuncional de perceber o mundo, pensando, sentindo e agindo dentro dessa mesma maneira. Pode desenvolver um esquema de **privação emocional e quando adulta manter crenças exageradas de que não está sendo cuidada e compreendida pelas outras pessoas. Em função disso pode sentir-se muito sozinha e criar uma grande dependência em relação aos outros.
O que são esquemas?
São temas amplos e persistentes, relacionados a si mesmo, ao relacionamento com os outros e com a visão de mundo. Desenvolvem-se como resultado de experiências disfuncionais contínuas com os pais, irmãos, familiares e amigos e vão ganhando forma conforme a criança busca compreender essas experiências e evitar um sofrimento adicional. Os esquemas são, portanto, tentativas da criança de lidar da melhor maneira possível para ela com experiências doloridas de seu presente.
Esquemas foram definidos como: “elementos organizados de reações e experiências passadas que formam um corpo de conhecimento relativamente coeso e persistente, capaz de guiar a percepção e as avaliações subsequentes” (Segal, 1988, p. 147).
Para o psiquiatra americano Aaron Beck criador da TCC, “um esquema é uma estrutura (cognitiva) que filtra, codifica e avalia os estímulos que impingem sobre o organismo...”
O que os torna disfuncionais, é que são mantidos e perpetuados por toda a vida e em situações em que não necessariamente se “encaixam”. Transformam-se em padrões arraigados de pensamentos e crenças distorcidas. Em função de se autoperpetuarem durante a vida, tornam-se extremamente resistentes a mudanças e também por desenvolverem-se cedo (na infância), tornam-se familiares e confortáveis dificultando imensamente a modificação dos mesmos. Geralmente são centrados no autoconceito que a pessoa tem de si mesma e sobre sua concepção dos outros e do ambiente.
Um exemplo é um adulto com esquema de incompetência que mesmo recebendo repetidamente feedbacks de seu ótimo desempenho, continua a acreditar que deixa a desejar em sua atuação.
É criada uma forma de ser e enxergar as relações e o mundo, e essa estrutura (o esquema) é que define como as experiências futuras serão processadas e internalizadas.
Uma analogia é desenvolvermos uma ou algumas crenças como se fossem "caixas" as quais definem o que podemos “pegar do mundo”. Enfim, esse conteúdo que será “encaixado” são as crenças que temos.
O psicólogo americano Jeffrey Young desenvolveu 18 esquemas com suas descrições cognitivas, comportamentais e as experiências geradoras de cada um e uma terapia específica para tratá-los. Nos dois textos subsequentes, tratarei desses tópicos.
*Disfuncional (ou desadaptativo): o termo não possui uma tradução exata. Numa linguagem coloquial disfuncional é algo negativo, ruim para o sujeito.
** Privação emocional - ex: ser privado de afeto ou se sentir como se assim fosse.
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