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terça-feira, 26 de março de 2013

Brincar de faz-de-conta nos fortalece para enfrentar situações difíceis

"Essa divertida brincadeira de infância pode ser utilizada na vida adulta para ajudar a superar algumas situações difíceis ou até atravessar algum desafio"A premissa da terapia cognitivo-comportamental é a de que nossa percepção de situações e eventos influenciam nossas emoções e consequentemente nossos comportamentos.

Diante disso é nossa visão dos fatos que faz com que lidemos com os acontecimentos de uma forma ou outra. Seguindo essa linha de raciocínio, se modificarmos nossa maneira de enxergar os fatos, passaremos a ter comportamentos diferentes nesses momentos.
Para modificarmos nossas percepções existe todo um processo na TCC de identificar essas percepções (pensamentos automáticos), desafiá-los questionando sua validade e buscar visões mais adequadas e realistas. No entanto, há uma técnica que poderá agilizá-lo e torná-lo inclusive mais divertido.
Todos nós quando éramos crianças brincávamos em algum momento utilizando nossa imaginação, seja tendo um amigo imaginário, seja criando um cenário imaginário de algum jogo ou brincadeira como castelos, dragões, esconderijos, polícia e ladrão, etc...
Quando fazíamos isso, percebendo uma determinada situação de acordo com o que nos convinha naquele contexto, embarcávamos na história como sendo verdadeira para nós naquele momento e tínhamos comportamentos de acordo com o que era percebido. Chamávamos isso de "brincadeira de faz de conta".
Essa divertida brincadeira de infância pode ser utilizada na vida adulta para ajudar a superar algumas situações difíceis ou até atravessar algum desafio.

Técnica do "como se"

Nominamos essa técnica na TCC de "como se". A forma de utilizá-la é bastante parecida com o que já fazíamos quando crianças, mas adequando os contextos vividos na vida adulta. Vou demonstrar sua utilidade com alguns exemplos.

1º) Exemplo: Pode ser útil, dentro do andamento do processo terapêutico, aproveitar algum evento social que um paciente tímido tenha de comparecer e propô-lo que se imagine como alguém muito social e extrovertido. Ele pode inclusive se lembrar de alguém assim e buscar agir "como se" fosse essa pessoa.

2º) Exemplo: Se a pessoa tem dificuldade em dizer não e colocar limites, ela pode se imaginar como uma pessoa que tem facilidade em fazer isso (pode-se basear em alguém que ela conheça). É como se ela encarnasse um personagem. Ao introjetar esse comportamento imaginário no plano mental ela se fortalecerá e isso a ajudará a superar os obstáculos.

3º) Exemplo: Para quem gosta de jogos, basta perceber algumas situações como sendo vivenciadas em fases ou etapas a serem superadas e, como mum jogo, conquistar pontos a cada etapa vencida para, no final, cumprir uma determinada meta.
Isso poderá ser utilizado para chegar a próxima "etapa": uma posição melhor na empresa. Assim será necessário cumprir algumas tarefas (a cada etapa cumprida acumulam-se pontos que somados ajudam a passar para outra fase até conquistar o cargo). Esse jogo poderá ser utilizado no sentido de criar estratégias para lidar com colegas chatos ou invejosos ou ainda com um chefe muito cobrador.
A designer de jogos de vídeogame Jane McGonigal utilizou essa ideia para criar um jogo desse tipo, quando ficou adoentada. Isso lhe ajudou a superar aquele momento difícil. Quando fazia uma caminhada, mesmo sem vontade, contabilizava pontos a seu favor; quando precisava ficar em repouso, tendo vontade de retornar ao trabalho, fazia o mesmo. Ela computava cada esforço, cada atitude (principalmente as que lhe eram mais difíceis e penosas) como pontos a seu favor e foi percebendo como isso lhe fortalecia pouco a pouco.
Se pudermos perceber as situações de forma mais lúdica, isso nos ajudará muito a superar as dificuldades com menos sofrimento e mais resultados positivos.
Isso fortalece a nossa autoestima e também reforça nossas crenças positivas a nosso respeito. Tudo é uma questão de ponto de vista e de como escolhemos enxergar o contexto em que estamos.
Que tal testar o "como se" e ver o que acontece?

O que você tem a perder?

Leia Este texto também em Via Estelar.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Gravidez na adolescência: desafio é acolher sem assumir tudo pelo filho

Por Rita Trevisan e Thaís Macena
Do UOL em São Paulo


Os pais devem ajudar os jovens a enxergarem as mudanças que terão de fazer em suas vidas

Após a notícia bombástica de que um neto está a caminho, é muito comum os pais dos jovens "grávidos" se desesperarem por não acharem os filhos capazes de cuidar, emocional e financeiramente, do bebê a caminho. Até certo ponto, faz sentido. No entanto, os avós devem resistir ao ímpeto de se responsabilizar, desde cedo, por todos os cuidados com a criança.

Se começarem a resolver tudo pelos adolescentes, estarão impedindo-os de aprender e amadurecer com a experiência. "A primeira coisa que eu sugiro aos avós é buscar uma visão positiva da situação, já que não há mais como remediar. Isso facilita na tomada de decisões, pois todos estarão mais equilibrados", afirma a psicoterapeuta Thaís Petroff Garcia, da ABPC (Associação Brasileira de Psicoterapia Cognitiva).

Replanejar a rotina com os futuros pais é uma medida importante, mais do que recriminá-los ou mesmo tentar puni-los pelo ocorrido. "Os pais devem questionar o que os dois adolescentes acham que deve ser mudado a partir de agora para se prepararem para a chegada do bebê e o que precisará ser alterado, na rotina dos dois e do resto da família, depois que a criança nascer. Podem dar opiniões e orientar, mas devem ter em mente que as decisões são sempre do casal."


A especialista também sugere que os adultos auxiliem os jovens a se organizar com as questões que precisam ser resolvidas com mais ou menos urgência, como agendar as consultas médicas de pré-natal, preparar o quarto do bebê, comprar o enxoval. Desde esse período, as responsabilidades podem ser partilhadas entre as famílias e os pais da criança, mas deve-se evitar a todo custo superproteger os jovens, ou fazer tudo por eles, sob a justificativa de que são imaturos e despreparados.

"A mãe pode lembrar a filha ou o filho de marcar a consulta de pré-natal, mas não deve fazer isso por ela ou por ele. É uma forma de ir preparando a garota ou o garoto para as inúmeras funções que terão de assumir mais tarde", afirma Thaís, da ABPC.

Vida de gente grande
Nesse cenário, ainda que os jovens optem por assumir um trabalho para custear parte das despesas com o bebê, caberá aos pais incentivá-los a continuarem estudando, condição fundamental para garantir que tenham um futuro promissor. "Deve-se evitar a todo custo tirar os adolescentes da escola. A maioria dos colégios monta um esquema especial para favorecer a adolescente grávida, facilitando o acesso aos conteúdos perdidos em caso de faltas justificadas ou remarcando as datas das provas, quando necessário", declara a psicóloga Sandra Lima Vasques, orientadora sexual do Instituto Kaplan, centro de estudos da sexualidade.

Os núcleos familiares dos futuros pais devem fazer um esforço de aproximação. Afinal, a criança que vai nascer será para sempre um elo entre eles. "Se as duas famílias estiverem juntas, haverá uma base mais sólida para se enfrentar todos os desafios que surgirem. É saudável que se mobilizem para facilitar a vida do jovem casal tanto quanto possível", declara o psicoterapeuta Oswaldo Martins Rodrigues Junior, diretor do Inpasex (Instituto Paulista de Sexualidade).

A união das famílias não implica, no entanto, na oficialização do casamento entre os dois jovens que vão se tornar pais. "Em geral, o adolescente se propõe a casar para reduzir a sua culpa. Os pais, por outro lado, cedem apenas para manter a aparência com os conhecidos, como se isso os deixasse menos vulneráveis a opinião alheia. De qualquer forma, esses não são bons motivos para incentivar a formação de uma nova família", diz a psicóloga Arlete Maria Girello Tavares Gavranic, coordenadora dos cursos de pós-graduação em sexualidade do Instituto Brasileiro Interdisciplinar de Sexualidade e Medicina Psicossomática.

Para a especialista, uma união entre adolescentes, nessas condições, tem poucas chances de dar certo, considerando os enormes desafios que eles enfrentarão por conta da adaptação ao novo papel de pais e dos cuidados com o bebê. "Se os dois estiverem realmente decididos a casar, se isso partir dos adolescentes e for um desejo sincero, o melhor é incentivá-los a morarem juntos primeiro. Melhor ainda se estiverem perto de uma das duas famílias, para contar com o apoio necessário no início", afirma Arlete.

É saudável que os adolescentes e suas famílias busquem realizar desde cedo as mudanças que precisam ser feitas na rotina, para receber o bebê e que essas intervenções não sejam encaradas de maneira catastrófica. "Responsabilidade não é algo ruim, ela é apenas a consequência de uma determinada atitude, que traz consigo ganhos e perdas. Ver a situação por esse ângulo é bom para os pais e para os adolescentes, que vão se valer desse aprendizado para o restante da vida e empregá-lo também em outros tipos de situações, passando a avaliar melhor riscos e benefícios", declara Thaís, da ABPC.

Veja essa matéria também em UOL.