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quarta-feira, 4 de abril de 2012

Os três passos para se preocupar só de forma produtiva


Diferencie as preocupações produtivas das improdutivas e saiba lidar com as duas.

Existem preocupações produtivas e improdutivas. As produtivas são aquelas que nos ajudam a resolver os problemas, nos conduzindo a alguma ação a curto prazo e que dependa de nós.

As preocupações improdutivas são aquelas permeadas pelos “e-se” e que não levam a qualquer comportamento prático ou concreto.

Segundo o psicoterapeuta cognitivo Robert Leahy existem três crenças que sustentam as preocupações improdutivas:

• “Se algo me preocupa, então é importante e devo insistir nisso”;

• “Se algo me preocupa, então preciso identificar todas as soluções possíveis”;

• “Não consigo aceitar a incerteza”.

Como lidar com as preocupações

Algumas vezes, quando estamos preocupados com algo e compartilhamos isso com outra pessoa, podemos ouvir a seguinte frase: “Não se preocupe com isso” ou ainda: “Pare de se preocupar” e isso geralmente pode nos deixar ainda mais ansiosos ou irritados, pois faríamos isso se conseguíssemos, certo?

Dessa maneira, ao invés de não se preocupar, experimente preocupar-se de modo mais produtivo e eficaz. Para isso você precisa identificar como lidar com cada preocupação que lhe vem à cabeça.

Três passos para se preocupar de forma produtiva

1. Diferencie as preocupações produtivas das improdutivas

Perguntado-se se há algo que você possa fazer - que depende de você - a curto prazo para lidar com sua preocupação. Se a resposta for positiva, torna-se uma preocupação produtiva, se for negativa, é uma preocupação improdutiva.

Alguns exemplos de preocupações improdutivas são: “E se eu mudar de trabalho e não der certo?”, “E se eu for viajar e meu marido me trair?”, “E se meus amigos não gostarem mais de mim?”.

Exemplos de preocupações produtivas são: “O que coloco na mala para minha viagem?”, “Qual caminho faço para chegar mais rápido na festa?”, “Como posso dizer para meu colega de trabalho que estou incomodado com seu comportamento?”

2. Para preocupações improdutivas utilize estratégias para não se preocupar com elas (ex. distração, descrita no texto anterior – clique aqui e leia).

3. Utilize a preocupação produtiva para encontrar soluções práticas de curto prazo e entre em ação assim que possível

Para isso faça o seguinte:

a) Defina o problema;

b) Defina a meta ou objetivo a ser alcançado;

c) Faça uma lista das alternativas para resolver o problema e/ou atingir a meta;

d) Avalie as vantagens e desvantagens de cada uma;

e) Escolha uma alternativa e teste;

f) Avalie os resultados e veja o que precisa ser melhorado.

No início isso pode parecer muito complexo, mas com um pouco de prática, nos condicionamos a fazer isso quase que automaticamente. O resultado é um menor gasto de energia no dia a dia, já que focamos em ações práticas e desperdiçamos menos com elucubrações que não levam a nada.

Leia este texto também em Via Estelar.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Está com um problema? Primeiro, distraia... a solução virá

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"Como simplesmente não pensar em algo é bastante difícil, uma técnica utilizada é buscar outras fontes para focar a atenção. Como não é possível ter ao mesmo tempo dois conteúdos presentes em nossa consciência, acaba-se, em função dessa “competição”, que um deles seja momentaneamente posto de lado (esquecido) enquanto o enfoque estiver no outro"

Na TCC uma técnica muito utilizada para ajudar a lidar principalmente com as emoções de ansiedade e tristeza é a distração. Ela não resolve o problema, mas ajuda a não agravá-lo ainda mais; bem como diminui o mal-estar e o desconforto desses sentimentos.

Como na TCC partimos do pressuposto que nossos pensamentos influenciam e até causam nossas emoções e, consequentemente, nossos comportamentos; evitar pensar em conteúdos negativos resulta em aos poucos dissipar o mal-estar causado pelos pensamentos negativos presentes anteriormente.

Desse modo, o humor da pessoa que não fica ruminando ou focando-se nos pensamentos negativos, tende a melhorar e assim facilita com que ela tenha ações mais assertivas e estratégicas.

Como simplesmente não pensar em algo é bastante difícil, uma técnica utilizada é buscar outras fontes para focar a atenção. Como não é possível ter ao mesmo tempo dois conteúdos presentes em nossa consciência, acaba-se, em função dessa “competição”, que um deles seja momentaneamente posto de lado (esquecido) enquanto o enfoque estiver no outro.

Aprenda a aplicar a técnica da distração

• Estar ansiosa para receber uma devolutiva de entrevista de emprego. Possíveis atividades distratoras: fazer faxina na casa, ligar para uma amiga para saber o que anda fazendo, caminhar no parque ouvindo música, etc...

• Estar deprimido: arrumar o chuveiro que queimou, fazer palavras-cruzadas ou sudoku (quebra-cabeça), cozinhar, convidar um amigo para vir à sua casa, etc...
Mas se for uma pessoa do tipo muito mental (que pensa muito!) pode se dedicar a tarefas que ocupem a mente de forma mais plena como meditar, ler um bom livro, assistir um filme daqueles que te prendam atenção, jogar videogame ou, se souber, se dedicar a alguma atividade artística como tocar um instrumento, pintar e desenhar.

Essa técnica não resolverá o problema em questão, mas auxilia a pessoa a sentir-se melhor. Assim ela ganha mais motivação e possibilidade emocional de se reorganizar internamente e voltar aos poucos a fazer atividades que lhe tragam resultados positivos; bem como tranquilidade e equilíbrio para resolver esses problemas.

Como disse Fernando Sabino: “O que não tem solução, solucionado está.”

Então, ficar pensando repetidamente no problema, sem uma solução ainda, não irá resolvê-lo, mas sim trazer uma preocupação improdutiva que trará somente mal-estar.

Se após refletir um pouco sobre uma questão, não achar uma saída, tire o foco dela, vá fazer outras coisas, a resposta virá no tempo certo. Uma planta não dá frutos logo após você plantar a semente; há um tempo de maturação e desenvolvimento.

Leia esse texto também em Via Estelar.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Deus dá o frio conforme o cobertor, mas ele é um pouco curto


"Quando acreditamos que tudo pelo que passamos está dentro de nossa possibilidade, duvidamos menos de nós"

Dizem que "Deus dá o frio conforme o cobertor". No entanto, nosso cobertor não é suficientemente grande para nos cobrir por inteiro. Mas o que isso tem a ver com a TCC?

Perceber as situações por esse ângulo ajuda a lidar melhor com elas. Quando acreditamos que tudo pelo que passamos está dentro de nossa possibilidade, duvidamos menos de nós e, desse modo, tendemos a ativar menos nossa crença de incapacidade e mais nossa crença de capacidade.

E como disse Henry Ford: "Se você acredita que pode, você tem razão. Se você acredita que não pode, você também tem razão”.

Outro ponto: quando percebemos que não podemos resolver ou fazer tudo ao mesmo tempo, isso traz mais tranquilidade (e/ou menos culpa ou ansiedade). Se eu “cubro” determinada área de minha vida, por exemplo o trabalho, meu foco está nele e consequentemente as outras áreas ficarão mais “descobertas”.

Não há como querer “cobrir” tudo ao mesmo tempo. Por isso é preciso ter consciência de que se eu cubro por muito tempo minha cabeça, meus pés ficarão gelados.

Reorganize o "cobertor"

Para reparar isso, terei de optar por "descobrir" alguma outra parte para que possa amparar essa que ficou descoberta. Na prática, quando foco demais uma determinada área da minha vida, a outra ficará estagnada ou com problemas. Desse modo, preciso saber colocar prioridades e, quando o momento exigir, saber lidar com as urgências (não planejadas) e reorganizar o “cobertor”. Ou então separar o que é urgente do que é importante.

Nossa vida é uma constante ginástica, no sentido de perceber que áreas estão descobertas por muito tempo e puxar o cobertor para lá, para então em breve, rever isso novamente e puxar para alguma outra área. Com essa percepção, ficamos mais conscientes de nossas escolhas, de suas possíveis consequências e de como lidar com as situações apresentadas no dia a dia.
Além do mais, passamos a acreditar mais em nós, já que sabemos que não será possível lidar com tudo ao mesmo tempo e que isso não é sinal de incapacidade.

Saber onde está o foco e lidar com isso num determinado momento, diminui a ansiedade, permitindo que possamos utilizar nossas habilidades sem interferências e com isso temos mais chance de termos nossa crença de capacidade reforçada.

Leia este texto também em Via Estelar.