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sábado, 8 de outubro de 2016

Desafio dos 30 dias - ter razão ou ser feliz



Não é incomum vermos pessoas discutindo ou se desentendendo em diferentes contextos (familiar, amoroso, social, profissional) por diferenças de opiniões ou de decisões e querendo impor sua visão ao outro ou sendo agressivo. Sim! Pensamos diferente pois, temos experiências de vida diferentes, personalidades diferentes, etc. mas, ao mesmo tempo somos todos humanos e, portanto iguais. Precisamos viver em sociedade pois, termos relacionamentos é algo necessário para nossa saúde mental e emocional (do contrário, deprimimos). Assim, ganhamos muito mais compreendendo que nossa visão de mundo não é absoluta e, percebendo que há um outro que tem  suas razões para ter outra visão. O grande ponto é: você quer ter razão ou ser feliz? Será que as coisas as quais você se agarra querendo provar que está certo valem realmente todo esse esforço ou são tão importantes assim? Como seria não se levar tão a sério? Refletir sobre essas respostas determinará sua postura no mundo e como você busca perceber as situações e lidar com elas.

Fica aqui uma breve história contada por uma empresária, durante uma palestra para te auxiliar nessa reflexão:



Oito da noite, numa avenida movimentada.
O casal já está atrasado para jantar na casa de uns amigos.
O endereço é novo, bem como o caminho que ela consultou no mapa antes de sair.
Ele conduz o carro.
Ela orienta e pede para que vire, na próxima rua, à esquerda.
Ele tem certeza de que é à direita. Discutem. Percebendo que além de atrasados, poderá ficar mal-humorados, ela deixa que ele decida.
Ele vira à direita e percebe, então, que estava errado.
Embora com dificuldade, admite que insistiu no caminho errado, enquanto faz o retorno.
Ela sorri e diz que não há nenhum problema se chegarem alguns minutos atrasados.
Mas ele ainda quer saber:
– Se tinhas tanta certeza de que eu estava indo pelo caminho errado, devias ter insistido um pouco mais…
E ela diz:
– Entre ter razão e ser feliz, prefiro ser feliz.
Estávamos à beira de uma discussão, se eu insistisse mais,  teríamos estragado a noite!

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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Comunicação Não Violenta - Saiba como pedir, sem exigir, e ter mais chance de êxito!


"Peça de maneira clara e específica aquilo que você quer naquele momento ao invés de ficar dando dicas ou indiretas." 


Comunicação Não Violenta (CNV) inclui um método simples de comunicação clara e empática constituída por quatro elementos:


1 - Observações
2 - Sentimentos
3 - Necessidades
4 - Pedidos

A CNV busca encontrar uma maneira para que as pessoas possam dizer o que consideram importante sem culpar o outro, humilhá-lo, envergonhá-lo, coagi-lo ou ameaçá-lo. É útil para resolver conflitos (e, muitas vezes, nem criá-los), conectar-se aos outros, viver de um jeito consciente, presente e antenado às necessidades vitais e genuínas de si mesmo e dos outros.

1º) Informe ao outro os fatos (ou observações) que te levaram a sentir necessidade de dizer algo.

Devem ser observações puramente factuais, descrições objetivas da situação, sem componentes de julgamento ou crítica. Exemplo: "Você me disse para esperá-lo para jantar e chegou às 23h00" afirma um fato observado, enquanto que "Você não tem consideração comigo" é um julgamento. Pessoas normalmente discordam de críticas ou julgamentos por perceberem e valorizarem as coisas de maneiras diferentes. No entanto, quando falamos sobre fatos isso abre espaço para a comunicação, já que dificilmente há do que discordar.

2º) Afirme o sentimento que a observação (ou fato) lhe desperta ou compreenda o que o outro está sentindo, e peça.

Nomear a emoção, sem julgamento moral, permite que os interlocutores se conectem em um espírito de respeito mútuo e cooperação. Realize este passo com o objetivo de identificar acuradamente a sensação que você ou o outro estão tendo no momento, e não com o objetivo de envergonhá-lo por tal sentimento. Exemplo, "Você pouco conversou comigo hoje (observação). Está bravo comigo? (sentimento)" ou "Você havia combinado de passar o final de semana comigo (observação). Fiquei chateada que desmarcou. (sentimento)" Para descrever sentimentos é necessário ter consciência deles e, para muitas pessoas, isso exige um treino de auto-observação e autoindagação sobre o que se passa dentro de si em diferentes situações.

3º) Declare a necessidade que é causa de seu sentimento ou adivinhe a necessidade que causou o sentimento na outra pessoa, e faça seu pedido.

Quando nossas necessidades se encontram, temos sensações agradáveis; quando elas não se encaixam ou são opostas, temos sensações desagradáveis. Ao compreender o sentimento, você pode encontrar a necessidade subjetiva que gerou o que você está sentindo naquele momento. Afirmar a necessidade, sem julgá-la moralmente, lhe dá clareza sobre o que ocorre no seu coração ou no do outro no instante da conversa. Exemplo, "Você não pergunta mais sobre meu dia ou sobre como estou (observação). Fico muito triste com isso (sentimento), pois preciso da sua atenção e cuidado (necessidade)" ou "Percebi que você anda muito calado (observação) você está chateado (sentimento) por ter menos tempo para me dedicar você? (necessidade)". 

Necessidades possuem um significado especial na CNV: elas são comuns a todas as pessoas e não estão ligadas a nenhuma circunstância específica, mas sim, são algo constante na vida das pessoas. Portanto, desejar sair para jantar com alguém em específico não é uma necessidade, ao mesmo tempo que querer que aquela pessoa em particular te ligue também não é. A necessidade, nesse caso, seria a busca pela companhia. Você pode resolver sua necessidade de companhia de diversas maneiras, e não apenas com uma pessoa específica, e muito menos saindo para comer.


4º) Faça um pedido concreto para que a ação encontre a necessidade identificada. 

Peça de maneira clara e específica aquilo que você quer naquele momento ao invés de ficar dando dicas ou indiretas. Exemplo, "Notei que você está falando pouco e evitando o meu olhar (observação). Você está bravo ou chateado? (sentimento)". Se a resposta for afirmativa, você pode revelar seu próprio sentimento e propor uma ação: "Bem, também estou chateada. Vamos conversar sobre o que aconteceu?", ou talvez: "Isso que estou fazendo (observação) é bastante importante para mim e me deixa feliz (sentimento). Que tal nos encontrarmos daqui a duas horas, depois que eu acabar aqui?" Para que o pedido seja realmente um pedido - e não uma exigência -, permita que a outra pessoa diga "não" ou proponha alternativas.

Você tem a responsabilidade de perceber e cuidar das suas próprias necessidades, assim como o outro, tem também de olhar pelas suas próprias. Quando decidirem fazer algo juntos, essa ação conjunta deve acontecer por que ambos consentiram voluntariamente a realizá-la, como uma maneira de suprir suas próprias necessidades genuínas e, não por sentirem culpa ou pressão. Algumas vezes, você pode deparar-se com uma ação proposta por outros que venha de encontro às suas próprias necessidades; sendo que em outras, quando essa for contrário ao que você precisa, o melhor caminho é cada qual seguir o que lhe fará bem separadamente.
A CNV é intrinsecamente ligada à empatia. Se utilizando dela como base, bem como criando-a ou fortalecendo-a entre as pessoas. Com um pouco de treino, qualquer um pode passar a se comunicar dessa maneira, auxiliando a ser mais assertivo, ao invés de passivo ou agressivo.


Leia este texto também em Via Estelar.


segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Raiva, introspecção e agressividade estão interligadas

"... quanto mais entramos em contato com nossa essência amorosa, mais estamos vulneráveis a sentir as dores emocionais..." 

Na essência somos todos amor. 

Como então passamos a ter problemas em demonstrá-lo e também entrar em contato com essa nossa parte? 

Que experiências podem ter influenciado essas questões? 

Como se dá nosso funcionamento interno para explicar nossa maneira de perceber, processar e demonstrar as emoções?

Há algo a ser feito que possa modificar nossas atitudes: maneira de perceber, sentir e se comportar?



Buscarei de modo breve e objetivo esclarecer esses pontos.

Um bebê é só amorosidade, no entanto, dependendo das experiências que tem, de como está essa mãe com ele (principalmente até os dois anos, pois é com quem ele tem mais ligação; (posteriormente a relação com o pai e outros seres que o circundam), ele poderá experienciar dor (toda criança irá vivenciar alguma dor), mas, se essa dor se tornar constante, ele poderá começar a se afastar em demasia de sua essência (que o torna vulnerável à dor) e, por instinto de sobrevivência psíquica, se refugiar usando como defesa a raiva.

Raiva: introspecção e proteção

Pessoas raivosas são aquelas que precisaram por algum motivo se fechar para se proteger e, lutando para isso, adquiriram como modus operandi se defender sendo agressivas. Há ainda aquelas que também sofreram dores mas, acabaram se rendendo, por vezes anestesiando suas dores e consequentemente, sua amorosidade, para se proteger de maus tratos; outros se resignam aceitando as dores que lhe são causadas mantendo sua amorosidade e se tornando pessoas muito sensíveis às dores emocionais.

Um bebê é "poroso"; chega-se fácil ao seu amor, do mesmo modo que é fácil lhe causar dor emocional. Portanto, necessariamente, quanto mais entramos em contato com nossa essência amorosa, mais estamos vulneráveis a sentir as dores emocionais e vice-versa.

Carência e compulsão

Quando somos crianças precisamos imensamente do amor e aprovação principalmente de nossa mãe. Como ficam "buracos emocionais", continuamos buscando esse amor de mãe até o fim da vida, demonstrando carência ou adentrando em comportamentos compulsivos com por exemplo: comida, jogo, sexo, cigarro, álcool etc. No entanto, esses "buracos" não poderão nunca mais serem tampados, pois foram formados junto com nossa estrutura de personalidade (são parte intrínseca de quem somos). Somente através da conscientização e reconhecimento de nosso estado e nossas questões, é que se faz possível sair de um modus operandi automatizado e, inúmeras vezes disfuncional, para um em que tenhamos comportamentos mais saudáveis e com resultados mais benéficos para nós.

O caminho é aceitar que não precisamos mais daquela mesma forma de amor e aprovação do passado, pois agora não somos mais aquela criança que precisa da validação dos pais. E assim podemos lidar com as situações de modo menos reativo (fazer algo automaticamente pela maneira como nós sentimos) e mais focado no que é bom para nós (não em agradar os outros ou ficar evitando comportarmos que possam desagradá-los).


Leia este texto também em Via Estelar.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Ser assertivo é mais vantajoso que ser agressivo ou não assertivo

"Andrew Salter, considerado um dos pais da terapia comportamental, descreve em seu livro Conditional Reflex Therapy(Terapia de Reflexos Condicionados, 1949) que as pessoas não assertivas buscam ser tudo para todo mundo e culminam em não ser nada para si mesmas"
Existem basicamente três tipos de comportamento: assertivo, não assertivo e agressivo. Para os três há vantagens e desvantagens. De modo geral, em longo prazo o mais vantajoso é o comportamento assertivo. Veja a diferença entre eles.
Comportamento assertivo
Assertividade é o comportamento de expressar diretamente os próprios pensamentos (opiniões, vontades e ideias) ou emoções, sem que para isso seja coercitivo (ameaçador ou autoritário) para o outro. Quando a pessoa é assertiva ela expressa o que pensa/sente sem que viole o direito do outro.
O comportamento assertivo, na maioria das vezes, é bastante reforçador para a pessoa que o emite; uma vez que ela se expressa livremente, dizendo o que está pensando ou sentindo e através disso fica satisfeita por sua ação, independente do resultado obtido.
Um dia de cada vez
Geralmente esse comportamento facilita a pessoa a se aproximar de seus objetivos, pois ao expor o que quer, faz com o que os outros estejam a par disso, em certos casos, inclusive mobilizando-se para ajudá-la. No entanto, há casos em que há a possibilidade de a pessoa não conseguir o que quer, mesmo sendo assertiva ou ainda receber como resposta um comportamento de agressividade.
Dois exemplos que demonstram respectivamente essas duas possibilidades são: uma pessoa dizer que quer um aumento e não receber; um dos cônjuges (o que controla o orçamento) dizer que terão de fazer economia durante os próximos meses e o outro se zangar com isso, dizendo que não abrirá mão de suas regalias.
Comportamento agressivo
Uma maneira agressiva de ser comportar pode ser muita reforçadora, pois é possível que através dela se obtenha o que se quer. Em outras palavras: "Se eu tenho algum objetivo e me utilizo de agressividade, é possível que eu alcance o que desejo"
O comportamento agressivo pode ser expresso de maneira direta ou indireta. Ocorre de maneira direta quando há agressão verbal (xingamentos, ameaças, comentários hostis) ou agressão física e de maneira indireta quando há comentários sarcásticos, cochichos maliciosos pelas costas, olhares ‘fuzilantes’, gestos hostis, etc...
Quando se comporta de maneira agressiva, a pessoa é coercitiva com outro, impondo-lhe à força a sua vontade ou opinião ou ainda buscando vencer a situação a qualquer custo. Desse modo viola os direitos da outra pessoa. A pessoa agressiva dessa maneira se torna inadequada e desonesta.
"Quando me utilizo de comportamento agressivo busco obter o que quero através da diminuição do outro. Humilho-o, faço com que se sinta mais fraco e, com isso, tenha menos capacidade de expressar seus desejos e necessidades. A mensagem que transmito é que minha opinião é melhor do que a sua, que os meus sentimentos é que contam, não os seus. Em suma me importo somente comigo nesse momento e você não tem a menor importância"
É possível perceber que esse comportamento tem uma repercussão negativa nas relações interpessoais. Indivíduos que mantêm padrões consistentes de comportamento agressivo não são candidatos a terem relações duradouras e prazerosas. Além disso, correm o risco de sofrerem contra-agressões de outras pessoas diante de seus comportamentos.
Comportamento não assertivo
O comportamento não assertivo, chamado por alguns de comportamento passivo, trata-se da não expressão dos próprios pensamentos ou sentimentos, ou ainda de não expressá-los honestamente. Implica na violação dos próprios direitos e permite que outros o façam também.
O comportamento não assertivo pode ocorrer verbalmente de diversos modos. A pessoa pode expressar seus pensamentos e sentimentos de maneira autoderrotista ou não dizendo exatamente o que lhe passa na cabeça ou ainda como se sente. Pode também desculpar-se ininterruptamente, quase que como se desculpasse por existir. Todas essas maneiras de expressar-se faz com que as outras pessoas não lhe deem atenção, assim como ao que diz. Geralmente os comportamentos não assertivos verbais são acompanhados de comportamentos não assertivos não verbais, sendo esses: falar em tom baixo, evitar contato visual, postura corporal curvada, entre outros.
A postura não assertiva além de demonstrar uma falta de respeito às próprias necessidades, também é uma falta de respeito para com o outro em poder assumir a capacidade de lidar com frustrações, problemas e responsabilidades. O que se busca através da não asserção é apaziguar os demais e evitar conflitos a todo custo. Isso se faz inúmeras vezes passando por cima de si mesmo. No entanto, se esquivar da ansiedade que é causada pelos conflitos ou perceber que deixou as pessoas livres de preocupações é algo que reforça em muito essa atitude.
O resultado de uma postura não assertiva é ter uma dificuldade maior em atingir seus objetivos, pois ao não expressar suas necessidades dificulta com que essas sejam atingidas; da mesma maneira que não dizer sua opinião impede que o outro tenha consciência dela e possa compreendê-la ou até mesmo concordar com ela.
Outro resultado negativo é que com a repressão de sentimentos possam surgir diversas doenças ou sintomas psicossomáticos como: dor de cabeça, gastrite, tensão muscular e muitos outros.
Além disso, após diversas situações em que o comportamento não assertivo foi adotado, é bem provável que haja uma explosão de agressividade, uma vez que todos têm um limite para a quantidade de frustração que podem aguentar. Nesse ponto, a expressão da emoção irá muito além da proporção do estímulo que a desencadeou.
Quem se relaciona com uma pessoa não assertiva, além de poder ser alvo de explosões de raiva sem aviso prévio, também tem muita dificuldade em saber o que o outro quer. Precisa inferir ou quase que adivinhar o que o outro pensa ou sente. Isso causa frustração, confusão, afastamento e/ou raiva. Outro ponto é que é uma carga muito pesada ter que se responsabilizar por tomar decisões por outra pessoa, além do que essa pode não ficar satisfeita com as escolhas feitas.

Andrew Salter, considerado um dos pais da terapia comportamental, descreve em seu livro Conditional Reflex Therapy (Terapia de Reflexos Condicionados, 1949) que as pessoas não assertivas buscam ser tudo para todo mundo e culminam em não ser nada para si mesmas. São camaleões, tratando de agradar a todos com que estão. Expressam tudo, menos o que sentem. Têm muito dificuldade em dizer “não”. Buscam ser agradáveis com as pessoas e quando não têm isso como retorno, pensam que é por sua própria culpa. Veem-se como tolerantes, democráticos e de mente aberta. São honestos intelectualmente, mas emocionalmente são uns mentirosos. Sua cortesia pode ser uma fraude, pois nunca se sabe o que realmente se passa em suas cabeças e isso não conduz a relações sociais calorosas. Estão sempre analisando e planejando. Interagem com o ambiente depois de deliberá-lo, porque nunca podem agir espontaneamente. Não têm certeza de seus sentimentos e opiniões sobre nada.
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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Excesso de agressividade pode ser doença


"A agressividade impulsiva é caracterizada pelo descontrole das emoções e gera manifestações de violência. O grau de agressividade é totalmente desproporcional aos estímulos que a desencadearam"

A agressividade é inerente ao ser humano e representa uma maneira de se proteger contra ameaças externas. Quando ela é excessiva, foge ao controle, torna-se destrutiva; causa problemas nas relações pessoais, profissionais e na qualidade de vida do indivíduo, pode então ser considerada uma doença.

A agressividade impulsiva – presente nas pessoas com Transtorno Explosivo Intermitente - é caracterizada pela instabilidade afetiva (descontrole das emoções) gerando comportamentos de risco, principalmente com manifestações de violência.

O portador do Transtorno Explosivo Intermitente não consegue resistir aos seus impulsos agressivos, o que o leva a cometer graves ataques físicos a outros e destruição de objetos ou propriedades. Seu grau de agressividade é totalmente desproporcional aos estímulos que a desencadearam. Nas pessoas com esse transtorno, os atos de agressividade não são premeditados e elas sentem-se responsáveis por seus comportamentos, demonstrando após os mesmos arrependimento, vergonha, culpa e tristeza.

Os critérios diagnósticos do DSM IV para Transtorno Explosivo Intermitente são:

a. Diversos episódios distintos de fracasso em resistir a impulsos agressivos, resultando em atos agressivos ou destruição de propriedades.

b. O grau de agressividade expressa durante os episódios está nitidamente fora de proporção com quaisquer estressores psicossociais desencadeantes.

c. Os episódios agressivos não são mais bem explicados por outro transtorno mental (por ex: Transtorno da Personalidade Antissocial, Transtorno da Personalidade Borderline, Episódio Maníaco, Transtorno da Conduta ou Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade); nem se devem aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex: droga de abuso, medicamento) ou de uma condição médica geral (por ex: traumatismo craniano, doença de Alzheimer).


Como são os episódios de agressividade

Os episódios de agressividade voltam a acontecer, pois a pessoa não consegue resistir aos impulsos que a levam a adotar esse comportamento. Esse circuito ocorre do seguinte modo: há um período de tensão que precede o comportamento violento e, após o mesmo, segue-se uma sensação de alívio. Dessa maneira, o comportamento agressivo ocorre para aliviar o desconforto dessa tensão.
O surgimento dos ataques de agressividade são repentinos e podem ter uma duração média de 20 a 30 minutos. Portadores desse transtorno relatam sensações físicas de fadiga, forte tensão, formigamento, tremores, palpitações, aperto no peito, tensão nas costas, forte pressão na cabeça, pensamentos raivosos que os levam a fortes impulsos para agir agressivamente. Descrevem: “necessidade de atacar”, “necessidade de ferir”, “pico de adrenalina”, “sangue nos olhos” ou “vontade de matar alguém” e relatam alívio da tensão após o ato agressivo.

O Transtorno Explosivo Intermitente parece raro. Não existem muitos estudos ou pesquisas sobre ele para fazer essa afirmação com total confiança. Nota-se que o comportamento violento episódico é mais comum entre homens do que em mulheres. Os elevados níveis de testosterona (hormônio masculino) poderiam evidenciar o comportamento impulsivo de agressão nos homens. Nas mulheres as oscilações hormonais que precedem o ciclo menstrual, poderiam igualmente ressaltar a agressividade.

Indivíduos com esse transtorno podem ter inúmeras consequências negativas em sua vida, tais como: perda de emprego, suspensão ou expulsão escolar, divórcio, dificuldades nos relacionamentos interpessoais, acidentes (por ex. de automóvel), hospitalização (por ex. em função de ferimentos sofridos em lutas ou acidentes) ou detenções legais.

Na causa desse transtorno estão presentes fatores biológicos, psíquicos, sociais e ambientais.

As causas biológicas estão relacionadas a um problema na transmissão da serotonina e alterações nas regiões cerebrais ligadas à emoção, memória e responsáveis pelo planejamento e controle dos impulsos.

Sabe-se que pessoas portadoras do Transtorno Explosivo Intermitente pertencem a famílias instáveis, nas quais há a dependência de álcool e/ou drogas, explosões verbais e abusos físicos e/ou emocionais. Acredita-se que tenham presenciado os pais (ou um deles), irmãos mais velhos ou outros familiares agindo dessa maneira explosiva e violenta.


A razão pela qual se deve buscar tratamento para essa doença, é conseguir auxílio antes que a pessoa tenha se colocado em situações como: suspensão ou expulsão escolar, demissão, prisão ou outros problemas legais, hospitalizações, etc.

Uma vez que a pessoa engaja-se nesses comportamentos, torna-se mais difícil cessar esse “efeito dominó”. Em virtude do estrago que acontece à própria vida dos portadores, bem como às pessoas com as quais convivem, deve-se adotar tratamento médico e psicológico para reduzir a intensidade e frequência desses episódios violentos, devolvendo uma melhor qualidade de vida a esses indivíduos.


Leia esse texto também em Via Estelar.