quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Cure ansiedade, dores, indecisão e mágoas com a imaginação

Com técnicas corretas, pode-se conduzir o pensamento a nosso favor e trazer mais saúde. A imaginação trata os males físicos e da alma.

Curioso como a química corporal reage ao nosso pensamento. Sem saber se o que se passa pela mente é real ou inventado, o cérebro já se antecipa e dispara uma série de reações fisiológicas capazes de afetar tanto nosso estado físico quanto emocional. A explicação vem da neurociência. “Quando nos imaginamos numa situação de muito medo, a sensação de ameaça estimula o cérebro a liberar adrenalina, cujos efeitos são contração muscular, aceleração no ritmo cardíaco e respiração ofegante. Já fantasiar uma cena altamente prazerosa incentiva a produção de endorfina, substância que traz alívio e relaxamento”, explica a psicóloga Isolina Maria Proença, do Centro Psicológico de Controle do Stress, em Campinas, interior paulista. Na prática, sofremos uma consequência direta do que pensamos E, quanto mais idílicas forem as cenas visualizadas, maior bem-estar o organismo sentirá. A seguir, seis técnicas de visualização para proporcionar bem-estar e realização


1.Interromper pensamentos de preocupação

Chamada de parada de pensamento, esta técnica destina-se a eliminar a ruminação de preocupações. Feita antes de dormir, diminui a agitação mental, que provoca insônia.

• Sentado, feche os olhos e respire profundamente algumas vezes.

• Imagine que está olhando para uma tela em branco bem grande.

• Devagar, monte a palavra PARE! Letra por letra, cada uma delas com forma e cor diferente das demais.

• Concentre a atenção na imagem da palavra enquanto diz para si mesmo mentalmente: “Você está pensando catastroficamente, negativamente. Seus pensamentos são irreais. Você está tenso”.

• Respire três vezes bem devagar e profundamente.

• Agora pense que está vivenciando uma experiência prazerosa – pode ser caminhar numa praia, brincar com um animal de estimação, seu primeiro beijo. Se quiser, inclua outros sentidos na visualização: imagine que está sentindo um cheiro gostoso, ouvindo uma música agradável ou tocando algo que lhe traz sensação de aconchego.

• Depois de cerca de dez ou 15 minutos, abra os olhos.

Fonte: Isolina Maria Proença, psicóloga do Centro Psicológico de Controle do Stress.


2. Sem nenhuma mágoa

Não há tempo definido para a duração desta prática, e ela pode ser feita sempre que você se pegar remoendo um incidente que o magoou.

• Sentado, feche os olhos e deixe a respiração adquirir um ritmo tranquilo, natural.

• Preste atenção nas tensões do seu corpo, dos pés à cabeça, sobretudo nos ombros e no queixo. Procure relaxar, sentindo a leveza se espalhar pelo corpo.

• Imagine que sua mágoa tem a forma de um grande bloco de gelo.

• Visualize esse bloco de gelo em seus braços. Perceba o frio, o peso e o esforço que você tem de fazer para carregá-lo.

• Com o bloco nos braços, caminhe por uma trilha que conduz a um riacho. Durante o percurso, raios de sol começam a aquecer você e pequenas gotas de água se desprendem do gelo.

• Chegue ao riacho e entre em suas águas limpas.

• Observe o gelo derretendo por entre seus braços. Rapidamente o bloco começa a se desfazer, misturando-se à água do riacho.

• Perceba a mágoa indo embora, seguindo o fluxo das águas. Ela se dissipa e a ferida que mantinha você imóvel é curada.

Fonte: Rita Diz Bueno, psicoterapeuta junguiana.


3. Desejos materializados

Esta técnica consiste na visualização daquilo que se deseja obter, seja na área financeira, profissional, da saúde, seja na dos relacionamentos. Deve ser feita diariamente, de preferência pela manhã, ao acordar, ou à noite, ao se deitar.

• Sentado e de olhos fechados, respire fundo.

• Dê uma ordem de relaxamento a cada uma das partes de seu corpo, numa sequência que começa nos pés e termina no alto da cabeça. Ao fazer isso, perceba que os músculos vão se distendendo e que você se sente cada vez mais tranquilo e relaxado.

• Imagine a situação desejada com todos os detalhes e procure colocar bastante cor e luminosidade na cena que você está criando. Se seu desejo é arrumar um emprego, visualize-se empregado, numa empresa e com um salário que satisfazem às suas necessidades. Veja-se feliz nesse local, rodeado de pessoas que querem sua presença ali. Se seu desejo é um bem material, visualize que você já o possui, o está usando e sente um grande prazer com isso. Caso deseje criar mais harmonia no convívio doméstico, visualize uma cena agradável em família: por exemplo, um jantar farto e saboroso, onde estão todos alegres, tratando-se com gentileza.

• Procure perceber os sentimentos positivos que surgem com a visualização e imagine que os está emanando para fora de você, em direção ao Universo. Enquanto faz isso, concentre-se na certeza de já ter conseguido realizar seu desejo. Quando sentir que conseguiu expressar exatamente o que quer, finalize a visualização e respire profundamente.

Fonte: Fátima Valverde Gimenez, professora de cursos de visualização criativa.


4. Alívio das dores

Seja qual for o tipo de dor, este exercício traz maior conforto para o corpo. O tempo de duração dependerá do necessário para amainar o sintoma.

• Feche os olhos e faça cinco respirações profundas.

• Observe mentalmente cada parte do seu corpo e procure relaxar aquelas que estão mais tensas.

• Pense que sua dor é uma nuvem escura acima da sua cabeça, e que você a está segurando por uma cordinha. Repare na textura, na forma e no tamanho da nuvem.

• Visualize-se soltando a cordinha e deixando a nuvem subir para o céu. Observe-a mudando de cor, ficando menor e subindo cada vez mais alto, até se dissipar e desaparecer.

• Observe também se a intensidade da dor diminuiu.

• Ao abrir os olhos, você estará pronto para voltar às suas atividades.

Fonte: Maria Isabel Serafim Trench, psicóloga do Cora – Centro Oncológico de Recuperação e Apoio, de São Paulo.


5. Em situações de indecisão

Por meio desta visualização, entramos em contato com uma parte mais profunda dentro de nós, que é madura e sábia – nosso “guia interno”. Convém reservar 30 minutos para praticá-la.

• Sente-se e feche os olhos.

• Faça algumas respirações abdominais: inspire enchendo o abdome e expire fazendo-o se retrair.

• Retome a respiração normal e conte de um a dez. A cada número, diga para si mesmo: “Meus músculos ficam cada vez mais relaxados. Respiro profundamente. Estou tranquilo”.

• Quando chegar ao número dez, veja-se num lugar bonito, junto à natureza. Imagine os detalhes da cena, as cores, os ruídos e os cheiros. Há uma trilha ali. Você está andando por ela.

• A trilha leva ao topo de uma montanha e você está subindo por ela, sem esforço.

• Ao chegar ao topo, existe uma gruta. Peça permissão para entrar e vislumbre, lá dentro, na penumbra, um sábio.

• Mentalmente, faça ao sábio a pergunta relacionada à sua indecisão, de forma objetiva. Deixe a pergunta com ele e agradeça a ajuda, sabendo que a resposta virá. (Ela pode vir imediatamente, através de uma frase do sábio, de uma imagem ou de uma intuição; ou pode demorar um pouco, surgindo num sonho, num encontro, numa leitura casual.)

• Despeça-se do sábio e faça o caminho de volta. Quando chegar a seu ponto inicial, conte de dez a um repetindo, a cada número, para si mesmo: “Estou ficando cada vez mais consciente”.

Fonte: Thaís Petroff, psicóloga cognitivocomportamental com formação em PNL.


6. Contra a ansiedade

Esta visualização deve ser feita durante três minutos. Embora o ideal seja estar na posição sentada, há ocasiões em que não há uma cadeira à disposição. Nesse caso, a prática pode ser feita de pé.

• Diga para si mesmo que sua intenção com este exercício é combater a ansiedade.

• Feche os olhos e faça três respirações, da seguinte maneira: expire pela boca e então inspire pelo nariz; depois novamente expire e inspire; e por fim apenas expire. As expirações devem ser longas e lentas, e as inspirações, feitas normalmente. Todo o processo deve ser realizado sem esforço.

• Passe a respirar normalmente, pelo nariz, e visualize-se entrando num lindo prado.

• Ao inspirar, veja-se absorvendo uma luz azuldourada – uma mistura do Sol dourado brilhante e do céu azul sem nuvens.

• Ao expirar, imagine que o gás carbônico que sai de seus pulmões tem a forma de uma fumaça cinza, que se afasta e desaparece.

• Visualize a luz azul circulando pela sua corrente sanguínea. Ela atinge todas as partes do interior do seu corpo e o ajuda a se tranquilizar.

• Agora, outro raio da luz azul circula pela ponta de seus dedos das mãos e para além delas, até circundar seu corpo com um brilho azul de safira.

• Sinta a luz interna e a externa começando a se juntar. Seu corpo é uma ponte que está permitindo essa ligação. Quando você vir as luzes azuis unidas, sinta que sua ansiedade passou. Abra os olhos.

Fonte: Imagens Que Curam, de Gerald Epstein, Ágora.

Publicada em 31 de dezembro de 2012 na revista Bons Fluidos.

http://casa.abril.com.br/materia/cure-ansiedade-indecisao-magoa





sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Saia da rotina com dicas para inovar e apimentar o relacionamento


Reportagem: Monique Zagari Garcia

 

O relacionamento caiu na rotina? Confira 10 dicas para não deixar a chama apagar e voltar a sentir aquele friozinho na barriga ao encontrar o amado

 

rotina e o tempo são, muitas vezes, os grandes responsáveis pelo desgaste de um relacionamento, que pode acabar “esfriando” sem que o casal perceba. A explicação da psicoterapeuta cognitivo-comportamental Thaís Petroff Garcia (SP) para essa mudança é que o ser humano tende a se acomodar com tudo o que está bem e dentro dospadrões, ou seja, não há o hábito de buscar o novoquando não se faz necessário. “Só fazemos mudanças quando sentimos dor (desconforto) frente a um contexto ou percebemos que alcançaremos prazer fazendo alguma alteração. Somos movidos por prazer e dor, e é isso que nos motiva”, relata a especialista.

E por que não inovar?Novidades geram expectativas, friozinho na barriga, excitação e, desse modo, impedem que a monotonia se instale. “Como o próprio termo já diz, inovar mantém a relação nova, sempre acesa e se reciclando”, explica Thaís. A psicóloga Cynthia Boscovich (SP) completa: “O ser humano é um ser em constante amadurecimento. Nem sempre o que gostamos hoje nosinteressou no passado e nos interessará no futuro. Por isso é importante estar atenta ao companheiro a fim de acompanhar essas modificações e se adaptar à elas, mas sem se sentir prejudicada ou forçada a isso”.
Levando em consideração que o peso da rotina, ainda que natural, muito atrapalha os relacionamentos, reunimos dicas da psicoterapeuta cognitivo-comportamental Thaís Petroff Garcia e da psicóloga do Hospital São Camilo (SP) Rita Calegari para manter a relação viva e apimentada. Confira na próxima página!

Dicas para inovar e apimentar a relação

 

1 - Tenha um dia de casal

“Reserve um dia da semana para você e o gato saírem juntos. Ir ao cinema, jantar à luz de velas... O importante é ficar a sós em um ambiente diferente e não ficar em casa, pois isso é sinônimo de rotina!”, sugere Rita.

2 - Faça surpresas

Segundo Thaís, ser espontâneo é algo que ajuda muito, é olhar para dentro de si buscar aquele lado mais solto, criativo e que tem ideias e desejos que acabam ficando de lado na correria do dia a dia. “Volte a dar atenção e ouvidos às vontades de mandar umamensagem no celular dizendo que está com saudades, um e-mail descrevendo um sonho ou pensamento picante que teve, abraçar com força quando se tem vontade... Isso tudo traz mais fluidez para a relação e sensação se novidade”, ensina. “Que tal fazer um mimo? Dar um presentinho fora de hora? Pode ser chocolate, balinhas, revista... Uma ligação fora de horadizer que ama e que sente falta são ótimas dicas”, completa Rita.

3 - Aproveite as oportunidades
Estão sozinhos em casa? O filho está dormindo? O trânsito ajudou e você chegou mais cedo em casa? “Fique atenta às oportunidades do dia a dia para ficar junto ao amado em momentos até mesmo inesperados”, recomenda Rita.
 

4 - Resgate os desejos antigos

“Resgatar desejos do início do relacionamento que não foram colocados em prática por vergonha e até mesmovontades que foram realizadas, mas que foram esquecidas com o tempo, pode trazer de volta aquele “ar” de começo de namoro”, aconselha Thaís.

5 - Cultive sua vida pessoal

Amigos e interesses particulares devem existir e garantem sua individualidade na relação.Homens gostam de mulheres ocupadas, que pensam em outras coisas além deles”, avisa Rita. Portanto, nada de se fechar em um mundinho particular!

6 - Converse sobre os sentimentos

Thaís explica que conversar sobre os sentimentos aproxima os casais. Muitas vezes asconversas ficam focadas somente em descrever o dia, os acontecimentos e os problemas da rotina, fazendo com que um não saiba mais o que se passa dentro do outro, havendo então um afastamento emocional e distanciamento do laço amoroso.

7 - Bom humor é fundamental!

Nada mais sexy que mulher feliz, risonha e bem humorada. “Está de dieta? Seu parceironão tem culpa e não deve pagar o preço por você ficar sem comer chocolate e de mau humor”, brinca Rita.

8 - Inove no sexo

“Que tal visitar um sex shop?”, sugere Thaís. Diversas lojas oferecem uma gama de produtosque proporcionam novas experiências e sensações que podem mudar o rumo da relação. Experimente também testar novas posições sexuais; você pode descobrir novas formas de obter prazer até então desconhecidas e não exploradas.

9 - Arrume-se para ficar em casa

“Tem coisa pior do que usar roupa velha, furada e sem graça só porque vai ficar em casa vendo TV? Antes não era assim, não é mesmo? Ficar à vontade não quer dizer desleixada”, alerta Rita.

10 - Aposte em roupas de baixo bonitas e atraentes

Não precisa usar lingeries de renda o tempo todo, os homens gostam de outras coisastambém! “Usar uma roupa de baixo bonita também mostra o respeito que você tem por você mesma, ou seja, que você se valoriza e deve ser valorizada também”, finaliza Rita.


Leia este texto também em Corpo a Corpo.

Veja como retomar a vida sexual após a gravidez

Reportagem: Monique Zagari Garcia


Descubra a melhor forma de reiniciar suas atividades sexuais após a gravidez com dicas de nossos especialistas

pós-parto é o período onde a mulher começa a se recuperar gradativamente das mudanças que aconteceram no corpo durante a gestação. E como a sexualidade do casal se adapta a este processo? Segundo a Dra. Denise Gomes, ginecologista, obstetra e diretora médica da Plena Clínica (SP), é muito comum que a mulher perca a libido após o parto. “Durante a amamentação, a mulher fica com escassez do hormônio estrogênio, sendo este o responsável por gerar sua libido”, explica. Outros fatores também podem colaborar para a falta de apetite sexual: “Há o cansaço físico e mental provocados pela entrega materna exigida pelo recém-nascido”, completa o Dr. Luis Henrique Silva, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade Assunção (SP). 
Antes de voltar à ativa, os especialistas recomendam 40 dias de abstinência de contato sexual com penetração, pois este é o período em que o útero está retornando ao seu estado natural. “Carícias, sexo oral e masturbação estão liberados”, assegura o Dr. Luis Henrique. Após os 40 dias de abstinência sexual, é hora de o casal começar a busca pelo prazer novamente! “É importante que o casal, principalmente a mulher, tenha a consciência de que o relacionamento sexual é fundamental. O par deve ter isso como prioridade, continuar investindo no relacionamentodedicando tempo um para o outro, pois até mesmo para o desenvolvimento dos filhos isso é importante”, acredita a Dra. Denise.
Thaís revela que é essencial que o casal ajude um ao outro nesta época de adaptações, planejando momentos do dia para ficarem juntos: “A fim de poder ter mais momentos íntimos, o casal pode se ajudar a cuidar das tarefas de casa, deixar os filhos durante o final de semana na casa dos avós, presentear um ao outro e agendar dias para fazer programas de casal, como ir a um restaurante, motel ou simplesmente assistir um filme juntos”.  A Dra. Denise também dá sua sugestão para apimentar a relação: “Por que não investir em uma lingerie nova? Ganhar ou comprar roupas íntimas são ótimos estimulantes para uma noite romântica entre o casal”, acredita.Ao retomar a prática sexual, o Dr. Luis Henrique afirma que é relativamente comum sentir dores na penetração, pois há a diminuição da lubrificação vaginal. Para estes casos, é recomendado uso de lubrificantes tópicos ou creme de estrogênio local. “O casal deve respeitar o repouso pós-parto e retornar as atividades sexuais com cautela,compreendendo as dificuldades da mulhersempre dialogando muito”, aconselha a Dra. Denise. Para a psicoterapeuta cognitivo-comportamental Thaís Petroff Garcia (SP), esta é uma boa chance pra usar e abusar das preliminares: “Não resumir-se somente a penetração é algo interessante. Busque outras zonas erógenas, invista no sexo oral, jogos, carícias e utilize brinquedinhos!”. Assim que a menstruação volta a descer, os hormônios retornam aos seus níveis normaismelhorando a libido e o ressecamento vaginal.
E nada de deixar a baixa autoestima bater na porta: “Retome as atividades físicas leves e aumente sua intensidade conforme sentir-se confortável, faça sexo no escuro (opção interessante e excitante para as mulheres que ainda não se sentem bem com seu corpo), tome bastante líquidos e consuma alimentos diuréticos para desinchar”, aconselha Thaís. A Dra. Denise finaliza: “É importante cuidar de si. Cuide das unhas, do cabelo, depile-se, invista em um bom visual e maquiagem. A mulher tem que se sentir sensual, atraente e bonita para estar aberta ao retorno das atividades sexuais. Lembre-se que o corpo de antigamente já não existe mais, mas este pode ser tão bonito quanto o outro”. 
Leia este texto também em Corpo a Corpo.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Ser o melhor

Por Rossandro Klinjey


O melhor do melhor! É assim que nos dias de hoje todos querem ser. Essa ânsia tem tomado a mente de adultos e crianças que não se conformam com algo comum a todos os seres humanos: O LIMITE.

Nós temos limites. E vários! Não somos tudo o que queremos, não temos tudo o que desejamos não nos parecemos com quem gostaríamos. É verdade que alguns desses limites podem e devem ser ultrapassados e para isso devemos usar todos os recursos materiais, emocionais e espirituais para isso, para superar-nos, vencer-nos e sermos melhores. Melhor pai, mãe, esposo(a) melhor profissional, enfim ser mais capaz.

Todavia também é verdade que existem outros tantos limites que simplesmente não são possíveis de vencer, de forma que a resignação diante destes últimos se faz necessária, senão correremos o risco de sentirmos uma insatisfação pessoal insuportável. A grande sacada de nossa vida passa a ser então o saber discernir aquilo que podemos do que não podemos mudar. Nessas horas, a oração do Almirante Hort, muito utilizada nos encontros de Alcoólicos Anônimos, nos inspira: “dai-nos forças, Senhor, para aceitar com serenidade tudo o que não possa ser mudado. Dai-nos coragem para mudar o que pode e deve ser mudado. E dai-nos sabedoria para distinguir uma coisa da outra”.

Não há como negar o quanto é incômodo para a maioria de nós ter que lidar com nossos limites, porém ao mesmo tempo sãos fartas as evidências, nas pesquisas sobre comportamento humano, que eles são essenciais na formação do nosso caráter.

Aprender a lidar com nossos limites nos deixa serenos, menos ansiosos por ser ou ter. Lidar com eles também nos deixa mais humildes, uma vez que nos permite enxergar o quanto somos iguais aos outros seres humanos, e essa humildade é essencial já que nos ajuda no exercício do auto-descobrimento sem qualquer presunção ou receios, nos capacitando e enfrentar os eventos da vida com tranquilidade e auto-confiança, não extrapolando nem subestimando o próprio valor que temos, sem ter, nem ser problema para nós mesmos.

O velho Freud afirmou certa vez que “seríamos muito melhores se não quiséssemos ser tão bons”.

Se nos aceitássemos como somos, com nossos limites e possibilidades, seríamos mais conscientes de nós mesmos, o que nos permitiria trabalhar-nos sempre, partindo do ponto inicial de nossa realidade emocional, aceitando-se como somos e aprimorando-nos sempre. Dessa forma não seriamos juízes impiedosos de nós mesmos, como também não ficaríamos nos justificando pelo que não conseguimos, apenas nos descobriríamos a cada dia.

Termino com um trecho do poema “Se” do professor Hermógenes:


"Se, imprudente e cegamente,
Continuar desejando
Adquirir,
Multiplicar,
E reter
Valores, coisas, pessoas, posições, ideologias,
Na ânsia de ser feliz...

Se, ao fim de meus dias,
Continuar
Sem escutar, sem entender, sem atender,
Sem realizar o Cristo, que,
Dentro de mim,
Eu Sou,
Terei me perdido na multidão abortada
Dos perdulários dos divinos talentos, Os talentos que a Vida
A todos confia,
E serei um fraco a mais,
Um traidor da própria vida,
Da Vida que investe em mim,
Que de mim espera
E que se vê frustrada
Diante de meu fim.

Se tudo isto acontecer
Terei parasitado a Vida
E inutilmente ocupado
O tempo
E o espaço
De Deus.
Terei meramente sido vencido
Pelo fim,
Sem ter atingido a Meta."

Sejamos nós mesmos, é o melhor que temos a oferecer ao mundo, pois apesar de nossos limites e graças às nossas possibilidades, somos únicos..

Desculpar-se pode ser uma forma de negar a realidade


"As desculpas vêm quando queremos negar a realidade, fantasiando-a para que não fique tão pesada para nós. Amadurecer é justamente aceitar os limites e comprometer-se com seus comportamentos e consequências"

Somos muito bons em dar desculpas diante das situações nas quais não nos saímos bem ou temos dificuldades.

Ao invés de assumirmos a responsabilidade por aquilo, criamos inúmeras explicações e teorias. Não olhamos de frente para a situação e encaramos o quanto somos ou fomos responsáveis por algo, mas buscamos uma forma de justificar ou negar o nosso envolvimento.

É muito mais fácil culpabilizar outra pessoa ou o ambiente externo pelas coisas que acontecem conosco. Bem como é muito mais fácil também fazer as coisas sem pensar nas consequências e depois desculpar-se por elas. Isso não resolve a situação e nem faz com que futuramente hajamos de outra maneira a fim de evitar aquele mesmo resultado. Sem aprendizado não há mudança, sem mudança nunca haverá outro desfecho.

Desculpas são maneiras que temos para não nos responsabilizarmos pelos nossos comportamentos. Podemos fazer algo e nos arrepender disso. O arrependimento pode ser sincero, mas ele não é garantia de aprendizado, de mudança. Para que essa ocorra é preciso que haja disciplina, é preciso que haja comprometimento. Comprometimento e desculpas são contrários um ao outro.

Comprometer-se não é fácil. Exige entrega, exige esforço, exige que se tome para si o que é seu. Enquanto se nega essas variáveis, o resultado sempre será utilizar-se de desculpas (isentando-se da responsabilidade) ou ainda culpabilizar-se (punindo a si mesmo). Nenhuma dessas duas atitudes garante comprometimento e, portanto não há como as coisas serem diferentes no futuro.

Aceitar as situações, avaliar as condições e com base nisso assumir o que será feito (ou também o que não será feito) não dá margem para desculpas. As desculpas vêm quando queremos negar a realidade, fantasiando-a para que não fique tão pesada para nós. Amadurecer é justamente aceitar os limites e comprometer-se com seus comportamentos e consequências.

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terça-feira, 6 de novembro de 2012

Para a vida a dois ser plena, é preciso buscar a individualidade


"... buscar a individualidade é um processo maduro. A palavra indivíduo, pode ser compreendida através do significado de suas partes: in = não, divi = dividido, duo = dois; ou seja, ser indivíduo é não ser dividido em dois, você é um ser inteiro"

Aprendemos desde pequenos através de contos de fadas, novelas ... que para haver um “felizes para sempre”, precisamos de uma outra pessoa ao nosso lado; que somente estaremos completos quando encontrarmos “nossa metade da laranja” ou “a tampa da nossa panela”.

Assim, podemos passar uma vida inteira procurando nossa “cara-metade”, acreditando que quando a encontrarmos, nos sentiremos inteiros e felizes.

Buscar no outro a felicidade significa depositar fora de si o poder sobre o que te deixa bem e feliz. Como não se tem um controle sobre isso, cria-se uma dependência do outro para atingir esse estado. Isso gera uma isenção de responsabilidade sobre a própria vida no sentido emocional. Ou seja, o bem-estar existe ou não em função da presença ou ausência ou ainda do comportamento de algo alheio a mim, do qual não tenho controle. Crio uma relação de dependência, o que geralmente resulta em problemas como ciúme excessivo, insegurança, dificuldade em tomar decisões, ansiedade, etc...

Por outro lado, se compreendo que minha felicidade depende de mim, que posso me bastar e ser autossuficiente, conseguindo fazer as minhas coisas sozinho ou com a companhia de amigos ou familiares, que posso caminhar com minhas próprias pernas; sinto-me seguro, autoconfiante, inclusive para estar com outra pessoa.

Bastar-se não significa ser egoísta, quer dizer ser independente, autônomo. Desse modo, buscar a individualidade é um processo maduro. A palavra indivíduo, pode ser compreendida através do significado de suas partes: in = não, divi = dividido, duo = dois; ou seja, ser indivíduo é não ser dividido em dois, você é um ser inteiro.

Desse modo, há uma entrega a mim mesmo e, quando entro em um relacionamento, há um compartilhamento do meu mundo e do meu tempo com a pessoa escolhida e não uma entrega de mim para a pessoa. Ninguém pertence a ninguém. Cada um é um ser individual.

Isso seria uma relação madura, onde ambos podem apoiar-se sobre suas próprias pernas e, havendo segurança, expressar livremente o que se sente, sem joguinhos, sem um ter que estar obrigatoriamente com o outro para estar bem. Ambos estão centrados em si e se encontram no relacionamento; assim ocorre a interseção entre ambos.

Mudar essa percepção de que estar com outra pessoa é uma escolha e não uma necessidade pode fazer muita diferença no dia a dia; inclusive em como se estabelece e se mantém uma relação amorosa.

Leia este texto também em Via Estelar.