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quinta-feira, 23 de junho de 2016

A vida não é assim mesmo, mude você!

"A vida é muito importante para ser levada a sério"
 Oscar Wilde 

Recentemente, uma pessoa que atendo, e em recuperação de uma síndrome de burnout (estresse causado pelo trabalho), me disse após retornar de suas férias:

- Não adianta ir para um lugar tranquilo se você leva sua cabeça intranquila.


Ela tem toda a razão! Viajar ou ir para onde for irá modificar o ambiente externo e pode até auxiliar retirando a pessoa dos estímulos incômodos, mas se não houver também um trabalho de mudança interna, "o inferno" irá junto com você para onde você for.
Quantas e quantas pessoas atualmente apresentam sintomas de ansiedade: estão com a cabeça cheia de pensamentos em boa parte do tempo; apresentam taquicardia e inquietude física e mental; têm dificuldade em se focar; têm cansaço constante; sentem-se angustiadas etc. Tudo isso é fruto da "pré-ocupação".

Não adianta tentar fugir dos problemas indo para longe, se você não rever seu modus operandi. Sem isso ser feito, você continuará na companhia das mesmas percepções e sentimentos, já que os levará com você. Faz-se necessário desapegar-se da maneira de "interpretar" e fazer as coisas que te fazem mal. Enquanto o olhar interno for o mesmo, pouco mudará.

Um novo olhar para sua mudança interna

- rever o grau de importância que você dá para o trabalho, família, relacionamento amoroso ou filhos;

- rever a urgência com que você acha que precisa resolver as coisas;

- rever o peso que acontecimentos passados ainda têm sobre você;

- rever sua rotina e hábitos diários;

- rever se suas escolhas sobre a maneira de enxergar a vida estão sendo úteis e saudáveis para você.

Se há sofrimento, há algo errado ou pelo menos algo que precisa ser aprendido.

Às vezes precisamos de ajuda de outros para podermos ter insights sobre como ver as coisas de outra maneira, para poder modificar uma crença quem nos acompanha há tempos; para podermos nos "des culpar" (tirar a culpa) sobre algo...
Não permita se acomodar no "a vida é assim mesmo". Temos a opção e a possibilidade de sermos felizes mas, para isso, mais do que mudarmos as circunstâncias externas, precisamos modificar a nós mesmos. As mudanças externas acontecerão como consequência de estarmos diferentes e não permitirmos ou escolhermos mais determinadas coisas. Acredite em você e desapegue-se do que te faz mal!
Portanto, não busques mudar o mundo, mas escolhe mudar a tua mente sobre o mundo.

A percepção é um resultado e não uma causa."


Leia este texto também em Via Estelar.


quarta-feira, 8 de abril de 2015

O que busca a geração Y?

"... essa geração possui a percepção de que fazer algo que lhes traga significado tem muito mais importância do que ganhar mais ou acumular dinheiro"

Alguns dos valores pessoais vêm mudando com o tempo. De modo geral, o que as pessoas estão buscando na vida está diferente de antes. Desse modo a relação com o trabalho e a motivação com o mesmo também se tornam diferentes.

Há uns 40 anos atrás (ou até menos) o que um jovem buscava ao entrar no mercado de trabalho era estabilidade financeira em seu emprego. Tinham o sonho de construir ou comprar sua própria casa e constituir família. Essas eram as metas mais comuns procuradas por esse público nessa época. Atualmente, os jovens na casa dos vinte e poucos anos mudaram o perfil do que desejam.

Seu discurso é muito mais por fazerem algo que lhes tenha sentido e a maioria gosta e busca desafios. A questão financeira já não os segura mais em um emprego e a estabilidade financeira e de carreira já não é mais vista como algo fundamental.

Essa é a famosa geração Y que vem como uma mentalidade bastante diferente, desafiando muitos paradigmas que foram criados anteriormente.
Os atuais líderes contam de seu sofrimento em manter seu pessoal motivado e, por sua vez, esses jovens sofrem por saberem que precisam sobreviver e se sustentar mas, que só conseguem realmente se comprometer profissionalmente quando encontram algo que lhes brilhe os olhos e lhes tenha sentido.
A qualidade de vida e bem-estar passou a ser algo mais importante do que a estabilidade e segurança e, isso esses pontos definem muitas escolhas feitas por essas diferentes gerações. Não há certo ou errado mas, há claramente um conflito de percepções.
Atendo inúmeros adultos jovens com bons empregos mas... se questionando e sofrendo por acharem que está faltando algo ou que aquilo que fazem não preenche suas vidas ou ainda que não tem um sentido. Esse é um sofrimento real pois, para eles, a realização profissional não é medida pela sua conta bancária mas sim pelo seu grau de satisfação com a atividade que exercem. Outro ponto de sofrimento é a relação com os pais, os quais estão pautados em outros valores e que criticam a atitude dos filhos de abrir mão da segurança que tem para tirar um ano sabático ou viajar para o exterior para morar algum tempo ou ainda ir trabalhar em uma ONG ainda em crescimento.

No entanto esse é o chamado que esses jovens sentem na sua essência e, negá-lo, certamente é ficar infeliz.

É necessário aceitar que essa geração possui a percepção de que fazer algo que lhes traga significado tem muito mais importância do que ganhar mais ou acumular dinheiro. Vem claramente com a sensação de que precisam mais ser do que ter. Talvez, como uma resposta ao consumismo exacerbado em que acabamos chegando, até como uma consequência para preenchermos alguns vazios. Quanto mais uma pessoa se aliena de si mesma e faz as coisas por que precisa fazer, mais vazia elas se sentirá. E se lhe for dito que para preencher esse vazio e frustrações ela terá de trabalhar muito, pois precisa comprar isso ou aquilo, ela com certeza irá fazê-lo na tentativa de aliviar seu mau-estar e poder se preencher, mesmo que isso implique em falta de tempo para viver a vida.

Temos dois "times" de trabalhadores atualmente: os que trabalham muito e buscam estabilidade e segurança e os que questionam todo o sistema de trabalho atual, querem trabalhar menos e ver sentido no que fazem. Ambos sofrem mas possivelmente uma geração tem a aprender com a outra e até mesmo se ajudarem em busca de uma melhor solução para ambas as partes.


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terça-feira, 18 de março de 2014

A atitude de alguém mexeu com você? Saiba como superar

"O outro pode ser um espelho de nosso desconforto emocional"


Quantas vezes nos chateamos com as atitudes das outras pessoas?

Quantas vezes nos sentimos agredidos ou não levados em conta em função da forma de agir dos outros?
Você já se percebeu assim alguma vez em sua vida?

Se sim, te convido a uma reflexão sobre esse assunto.



Muitos de nós, em inúmeros momentos, ficamos chateados por conta de comportamentos que alguém teve conosco. Pode ser um familiar, um amigo, um vizinho ou até um total desconhecido. Fato é que, sob nossa percepção, aquele modo da pessoa conduzir a situação nós é bastante desconfortável, a ponto de ficamos mexidos emocionalmente.

Não temos controle sobre o comportamento dos outros. O que podemos fazer como um experimento, é sermos assertivos dizendo à pessoa que nos feriu o que aquela ação provoca em nós e, consequentemente, como nos sentimos.

Ser assertivo é muito mais eficaz do que ser passivo ou agressivo (veja aqui). No entanto, apesar de aumentar as chances, ainda assim não podemos determinar uma mudança na atitude da outra pessoa. Por isso, não deve-se basear sua assertividade no resultado que ela terá sobre o outro, mas sim, sobre como isso é uma boa maneira de você se expressar e não reter suas emoções (as quais podem ser somatizadas e causar inúmeros problemas de saúde).

O outro pode ser um espelho de nosso desconforto emocional

Fora a assertividade, há um outro ponto que gostaria de focar quando nos sentimos desconfortáveis frente aos comportamentos de outras pessoas. Podemos utilizar os outros como espelhos para nós, questionando tanto se temos atitudes parecidas ou ainda se fizemos algo que pudesse influenciar na ação desses.

É fácil apontar o dedo, criticar e/ou se desapontar quando alguém nos faz algo. Mas é difícil perguntarmos se em algum momento fizemos algo parecido com isso que nos incomoda.
Justamente esse comportamento percebido no outro, que nos causa tanto desconforto, não é por dizer algo a nosso respeito, ou será que nós mesmos não fazemos algo semelhante em outro contexto ou com outra pessoa?

Com essa reflexão podemos transformar um mal-estar em um aprendizado para nós, saindo da posição de vítima e passando para um papel ativo de agente de mudança.

Quantas vezes será que também magoamos, maltratamos, desrespeitamos outras pessoas? E... quantas vezes fazemos isso sem nem termos consciência do que estamos fazendo. Se nos sentimos destratados por que o outro também não se sentiria assim?

Se quisermos ser respeitados devemos respeitar os outros. Se quisermos que sejam gentis conosco, também devemos ser gentis. Se não queremos que levantem a voz conosco, falemos em voz baixa. Como o próprio ditado popular demonstra: devemos dar o exemplo e não somente falar ou criticar. Por isso mais do que você fala, perceba o que você faz.

Assumamos uma postura mais ética, cuidadosa, polida e amorosa e percebamos o resultado que ela tem no ambiente à nossa volta. Finalizo essa reflexão com uma belíssima frase de Gandhi, que justamente demonstra a ideia central desse texto: "Sejamos a mudança que queremos ver no mundo."


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terça-feira, 12 de março de 2013

Seu dia a dia é bom ou ruim? Isso é uma questão de percepção

"Dependendo do modo como pequenos acontecimentos são percebidos, pode ficar o registro de que somente houve eventos desagradáveis ou que nada de bom aconteceu"Diversas pessoas se queixam de eventos desagradáveis que ocorrem em suas vidas, contam inúmeros acontecimentos desastrosos e desse modo realmente podem convencer alguém mais desatento de que suas vidas são desgraçadas e de que há realmente motivo para que sofram tanto.

Não discordo que há acontecimentos desagradáveis, difíceis, doloridos e que inclusive deixam marcas. Mas não há ninguém no mundo que não tenha coisas positivas, alegres ou até prazerosas em sua vida. O problema é a ênfase dada às coisas negativas em detrimento das positivas.

Há no dia de qualquer pessoa acontecimentos bons e ruins. Dependendo do modo como pequenos acontecimentos são percebidos, pode ficar o registro de que somente houve eventos desagradáveis ou que nada de bom aconteceu.

Isso obviamente influencia nossa memória. Ou seja, a ênfase que coloco nos pequenos (ou grandes) acontecimentos bons e ruins fará com que eu perceba com muito mais acuidade e atenção alguns deles e é isso que ficará registrado como lembrança.

Diversas vezes é esse modo de perceber o mundo e as coisas que desenvolve uma depressão ou a mantém.

Em um dia comum uma pessoa pode comer algo que gosta no café da manhã, pegar trânsito para ir ao trabalho, terminar um projeto e entregá-lo a contento dentro do prazo, ter um desentendimento com um fornecedor pelo telefone, encontrar aquela colega engraçada para almoçar, ter que revisar um relatório chato por discordância de dados, lembrar de um cheque que precisava ser depositado naquele dia e chegar a tempo nos últimos minutos antes do banco fechar, pisar num cocô de cachorro, sair do trabalho e ir ao cinema assistir aquele filme que tanto queria e na volta para casa ganhar um pequeno amassado na parte de trás do carro, porque o motorista estava distraído com o celular, mas ela tem seguro.

Minha pergunta é:

O dia dessa pessoa foi bom? Foi ruim?

Qual percepção terá quando chegar em casa à noite?

Quais lembranças ficarão?

Isso te dá alguma pista de como você percebe e lida com os acontecimentos no seu dia a dia?

Refletir sobre isso pode mudar algo em sua rotina?

Pense nisso.

Exercício para ser mais positivo no dia a dia

Ao deitar na cama antes de dormir, relembre tudo o que ocorreu no seu dia e eleja três fatos positivos que ocorreram durante o dia. São acontecimentos ou situações que te trouxeram uma sensação de prazer, bem-estar ou alegria.

Com essa prática, você vai perceber que em TODOS os dias de sua vida acontecem coisas boas e isso te trará um olhar mais positivo e de gratidão em relação à vida. 

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terça-feira, 9 de outubro de 2012

Nomes que damos às emoções dependem de vivências da infância



O nome que damos ao que sentimos corresponde de fato à emoção vivida? 

"... desde que nascemos e passamos a interagir com outros seres humanos, passamos a ser educados sobre o que estamos sentindo..."
É possível dizer que as emoções sempre estiveram presentes em nós desde nosso nascimento?

Ou então, a partir de quando passamos a ter emoções ou sentimentos? Essa é uma reflexão interessante de se fazer.

Como sabemos se estamos tristes, com raiva, com medo ou ainda alegres?

No que você se baseia para nomear aquilo que sente em um determinado momento?

O que utilizamos como parâmetro são nossas reações físicas e fisiológicas.

É através de algumas mudanças no nosso organismo (sinais – percebidos ou medidos por outros - e sintomas – perceptíveis somente para a própria pessoa) que nos baseamos para dizer o que estamos sentindo.

Desse modo, as emoções, sentimentos e humores, estão diretamente ligadas à propriocepção, ou seja, a capacidade que cada um tem de perceber seu próprio corpo.

Se eu me atento mais às minhas reações corporais, tanto mais eu perceberei qualquer oscilação, podendo ou não atribuir essas alterações a uma mudança de humor ou ainda a alguma emoção.

O que determina então se eu atribuirei ou não alguma mudança em meu organismo a uma emoção, sentimento ou humor?

Isso dependerá muito da educação que tive na minha infância. Você pode-se perguntar o que ou como a educação influencia as emoções ou humor de uma pessoa. O que ocorre é que desde que nascemos e passamos a interagir com outros seres humanos, passamos a ser educados sobre o que estamos sentindo.

Quando o bebê abre a boca e mostra as gengivas, esboçando um sorriso, a mãe pode-lhe dizer: “Você está feliz porque viu a mamãe!” ou ainda, quando o bebê está no berço e chora, a mãe pode pegá-lo no colo e dizer: “Você estava triste por que mamãe te deixou aqui sozinho?”

Dessa maneira, passamos desde cedo a ter uma instrução sobre o que estamos sentindo com base nos feedbacks recebidos de quem está à nossa volta. Dessa forma, associamos o nome que outros dão a algumas reações que temos, ao que percebemos sentir naquele momento. Aos poucos nos apropriamos dessas alterações que percebemos em nosso organismo e sozinhos passamos a nomear um conjunto de reações físicas e fisiológicas, fornecendo-lhes um rótulo: alegria, ansiedade, irritação, mau humor, amor, etc.
Reações corporais e emoções 

Dentro desse processo há também uma percepção das diferentes nuances das mudanças que percebemos em nosso corpo, acarretando assim em nomes diferentes para diversas reações. Por exemplo: podemos dizer que ficamos com raiva em um determinado momento, sendo isso mais sutil do que se disséssemos (ou reconhecêssemos) que sentimos ódio.

Desse modo o reconhecimento e nomeação das emoções e estados de humor depende muitíssimo do estímulo que tivemos em nossa infância. Cada família e/ou cultura dá mais ou menos foco (atenção) para as emoções, bem como às emoções positivas ou negativas. Há famílias mais ansiosas, famílias mais alegres e portanto dão mais atenção a esses sentimentos.

Não é difícil perceber diferenças no modo como as pessoas vivenciam suas emoções nas diferentes famílias e culturas.

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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Como percebo os acontecimentos? (Estilos de atribuição)

“Tudo o que vês é o resultado dos teus pensamentos. Não há nenhuma exceção para esse fato... Como um homem pensa, assim ele percebe. Portanto, não busques mudar o mundo, mas escolhe mudar a tua mente sobre o mundo. A percepção é um resultado e não uma causa”

Três pesquisadores da linha cognitivo-comportamental (Abramson, Seligman, e Teasdale) formularam três dimensões do modo como as pessoas percebem e registram as informações.

Eles identificaram que existia uma tendência de cada sujeito fazer tipos particulares de inferências causais aos eventos que o rodeiam. Chamaram essas dimensões de estilos atribucionais (ou Estilos de Atribuição).

Os estilos de atribuição são o modo como cada pessoa atribui causas aos eventos percebidos. Ou seja, a maneira pela qual a pessoa explica para si mesma a razão das situações vivenciadas, o que reflete na sua maneira de enxergar a si, aos outros e seu futuro. As três dimensões formuladas são: internalidade/externalidade, estabilidade/instabilidade e globalidade/especificidade. Elas estão relacionadas às causas: internas (devido à própria pessoa) e externas (devido aos outros, sorte, destino); estável (persiste ao longo do tempo) e instável (transitória); global (afeta diversos aspectos da vida) e específica (limitada ao evento em si).

Os efeitos dos estilos atribucionais

Internalidade
A internalidade excessiva (muito intensa) pode influenciar negativamente a autoestima e gerar culpa e paralisação. Por outro lado, a internalidade pode permitir a sensação de controle sobre a situação, visto que a pessoa se percebe como ator principal, possibilitando mais autonomia e poder frente à situação.

Estabilidade
A estabilidade afeta a desesperança (ou esperança) e influencia na cronicidade da depressão, uma vez que pode-se perceber os eventos ruins como constantes ou como transitórios.

Globalidade
A globalidade influencia a percepção negativa ou positiva dos eventos subsequentes (ex. Se eu perco o emprego e penso que meu marido irá me deixar e nada mais na minha vida dará certo, ou se percebo isso como um evento isolado.

Pesquisas sobre os estilos de atribuição

Diversas pesquisas têm sido desenvolvidas com relação aos estilos atribucionais e suas implicações no sofrimento psíquico, em especial em quadros depressivos. Identificaram a autoestima como um importante preditor na depressão, sendo que o estilo de atribuição considerado interno, estável e global estaria relacionado a maiores níveis de depressão. Já externalidade, estabilidade e especificidade estariam associadas a uma maior saúde mental.

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terça-feira, 23 de agosto de 2011

Sua mente determina a forma de perceber os acontecimentos na sua vida


"Na TCC dizemos que o realismo exagerado é um dos fatores que pode levar à depressão. Já aquele que desenvolve o chamado realismo otimista, ou seja, ter uma visão realista, mas colocar mais peso nos pontos positivos tende a criar para si uma forte vacina antidepressão e antiansiedade; assim como uma excelente estratégia para ser mais feliz"

Todo mundo ficou boquiaberto com o terremoto e tsunami ocorrido no Japão. A catástrofe deixou inúmeras pessoas mobilizadas, tanto no próprio território japonês, quanto em outros países.

Parte das vítimas dessa tragédia pode lamentar essa triste situação, vendo-se como vítimas da natureza. No entanto, é possível encontrar em alguns relatos de sobreviventes, como de familiares e amigos, outro comportamento.

Numa perspectiva mais otimista, dentre esses há quem se veja como abençoado ou sortudo por ter sobrevivido a um acontecimento desse. Há quem diga que sua fé o salvou. Existem ainda aqueles que acreditam após essa tragédia, serem capazes de enfrentar qualquer coisa.

Essa descrição demonstra que qualquer situação pode ser vista (interpretada) sob diferentes ângulos. Há quem fale do tsunami como uma tragédia e foque-se somente em todas as perdas ocorridas. Há quem fale sobre a prontidão das pessoas em se ajudarem, até dos animais; exemplo dos elefantes que auxiliaram nos salvamentos; ou das populações de outros países se mobilizando para ajudar de diversas formas enviando mantimentos, roupas, dinheiro, médicos, psicólogos, etc..

Ou seja, o foco é na reação positiva gerada dessa situação. O fato em si é o mesmo para todos, mas a percepção sobre ele é que muda.

Isso serve para qualquer situação que ocorre na vida. Tudo pode ser interpretado (explicado) de mais de uma maneira e depende das crenças pessoais de cada um, de sua consciência (conhecimento) a respeito de si mesmo, do seu estado de alerta para seus pensamentos automáticos e também de sua decisão pessoal de explicar uma situação de uma forma ou de outra.
Se mesmo um evento como o tsunami pode ser visto sob diferentes óticas (como uma tragédia para uns ou como um exemplo de salvação para outros); por que não as situações mais cotidianas e de menor extensão?

Você pode responder que isso não seria realista. Mas, o que seria o realismo? Não seria justamente perceber o que ocorre e descrever isso de uma maneira mais próxima à realidade, sem fazer distorções?
Diante disso, explicar o tsunami somente como uma tragédia seria uma visão realista? Não levar em conta todas as variáveis e ocorrências, focando somente uma única, não seria justamente o contrário de ser realista?
Realismo exagerado X realismo otimista
Na TCC dizemos que o realismo exagerado é um dos fatores que pode levar à depressão. Já aquele que desenvolve o chamado realismo otimista, ou seja, ter uma visão realista, mas colocar mais peso nos pontos positivos, tende a criar para si uma forte vacina antidepressão e antiansiedade; assim como uma excelente estratégia para ser mais feliz.
Nenhuma das duas visões muda a situação em si (o fato), mas a maneira pela qual se percebe o mesmo faz com que o receptor sinta-se abatido ou em prontidão para lidar com o mesmo. Reflita sobre isso!

Leia este texto também em Via Estelar.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Perceber um fato pelo lado positivo ou negativo só depende de você


Um pressuposto na terapia cognitiva é que nossas emoções, comportamentos e reações fisiológicas são consequências de nossas cognições, ou seja, de nossos pensamentos, crenças e portanto, de nossa maneira de pensar. Essa maneira de pensar define como percebemos a nós mesmos, os outros, o mundo e o futuro. Desse modo, as situações as quais experienciamos não determinam como nos sentimos ou como agiremos perante elas, mas sim como percebemos esses eventos, tal como demonstrarei abaixo.

Imaginemos um adolescente que esteja estudando, preparando-se para prestar vestibular e pense: “Sempre fui um bom aluno e tirei boas notas, mas estou prestando medicina na USP” ou ainda uma mulher casada que pense o seguinte sobre o esposo após o mesmo ter esquecido de passar no mercado como ela havia pedido: “Ele é muito dedicado ao nosso relacionamento, mas esqueceu o que pedi”. O que há em comum entra ambas situações? Primeiramente que tanto o adolescente quanto a esposa sentem-se mal após terem esses pensamentos e, em segundo lugar, causador dessas emoções negativas, ambos os pensamentos estão desqualificando o que foi posto anteriormente. Observe:

Situação 
          Cognição
 Emoção
               Comportamento
Estudando para o vestibular em medicina na USP
“Sempre fui um bom aluno e tirei boas notas, mas estou prestando medicina na USP”
     Desânimo
      Tristeza

Fecha o livro e vai fazer outra coisa
Marido esqueceu de passar no mercado
“Ele é muito dedicado ao nosso relacionamento, mas esqueceu o que eu pedi”
     Irritação
     Raiva
Briga com marido quando esse chega em casa

Veja agora, se mantemos o mesmo conteúdo, mas invertemos as sentenças mantendo a conjunção “mas” entre elas:

Situação
        Cognição
      Emoção
              Comportamento
Estudando para o vestibular em medicina na USP
"Estou prestando medicina na USP, mas sempre fui um bom aluno e tirei boas notas”
     Esperança
     Motivação

Empenha-se mais nos estudos
Marido esqueceu de passar no mercado
“Ele esqueceu o que eu pedi, mas é muito dedicado ao nosso relacionamento”
    Tranquilidade
    Satisfação
Anota o que precisa ser comprado e vai ao mercado em outro momento.

É bastante comum que as pessoas façam o que foi descrito acima: peguem uma situação e com ela desqualifiquem uma experiência maior (algo contínuo), sentindo-se mal após a mesma, uma vez que tiram totalmente o valor do que é bom e permanece somente a mensagem do que vem após a conjunção “mas”. Por outro lado, se invertemos a sentença como foi demonstrado acima, o conteúdo não se modifica, mas a informação percebida sim. Com base nisso, porque optar por menosprezar o que é bom? Por que pegar uma situação pontual e desqualificar algo que é mais constante?

O conhecimento traz maior responsabilidade. Após aprender algo, não é possível mais se isentar da responsabilidade da escolha. Diante disso, a partir de hoje, como você optará por perceber as situações? Colocando ênfase no negativo ou no positivo? Como já foi apontado, o conteúdo da informação não se modifica, mas você perceberá que sua emoção e comportamento sim. Que tal fazer uma experiência?

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Descubra se sua percepção sobre um fato é real ou ilusória


"... uma ideia é posta à prova frente a evidências concretas que a realidade tem a oferecer. É levantada quais são as evidências (fatos) que são a favor dessa ideia e quais são contra"
Um dos pressupostos da Terapia Cognitiva é de que os transtornos psicológicos provêm de distorções da realidade. Todos nós distorcemos a realidade de alguma maneira.
No entanto, quando há um transtorno psicológico isso é feito em maior escala e/ou a pessoa acredita com mais veemência nessa distorção e por isso sofre mais.

As distorções cognitivas podem ser vistas em texto anterior (clique aqui e leia).

Como a terapia cognitiva lida com as distorções cognitivas?
A terapia cognitiva possui algumas técnicas para auxiliar os pacientes sobre como lidar com essas distorções. A mais utilizada, e que também permeia outras técnicas, é questioná-las e confrontá-las com a realidade.

Sendo assim, quando o psicoterapeuta percebe que seu paciente está cometendo uma distorção cognitiva ele, com auxílio do paciente (ou seja, a dupla terapêutica), refletem juntos sobre qual distorção está sendo feita naquele momento.

Como na terapia cognitiva acredita-se que nossas ideias não sejam verdades absolutas, mas sim hipóteses, pode-se questionar sua validade. Essa distorção cognitiva (hipótese) é confrontada com fatos.

O que ocorre nesse momento é que uma ideia é posta à prova frente a evidências concretas que a realidade tem a oferecer. É levantada quais são as evidências (fatos) que são a favor dessa idéia e quais são contra. Com base nisso, é possível avaliar o quanto determinada ideia está pautada na realidade e o quanto está distorcida.

Um exemplo já citado nesta coluna é: Uma paciente pode ter a “certeza” de que seu marido a está traindo. Primeiramente é trabalhado o fato de que esse pensamento (“Ele está me traindo”) é uma hipótese e não um fato. A partir daí, começa-se a questionar essa hipótese elencando quais são as evidências que a apoiam e quais são contra (quase como um trabalho de detetive). Tendo esse levantamento, a ideia é confrontada com as evidências contrárias e é visto se essa hipótese é válida ou se existem outras possibilidades, talvez até mais viáveis. Caso haja outras possibilidades, pode-se também averiguar quais são as evidências que são a favor e contra.

Com essa metodologia, geralmente se atinge um enfraquecimento dos pensamentos distorcidos e abre-se a possibilidade de levar em conta outras hipóteses que não a primeira cogitada. Isso traz um alívio de sofrimento ao paciente e a percepção de que sua ideias não definem a realidade, mas influenciam suas emoções.

Ao questionar pensamentos que levam a sentimentos desagradáveis, é possível aliviar esse mal-estar e até dar respostas mais eficientes e funcionais.

A partir dessa explanação percebe-se então que é de essencial importância que o paciente seja ativo no processo e seja instruído a respeito de algumas expressões e seus significados, assim como de conteúdos dentro da TCC.

É por isso que aos poucos o paciente vai se tornando seu próprio terapeuta, pois passa a conhecer o processo e as técnicas, podendo utilizá-las mesmo após o término da terapia.

Leia este texto também em Via Estelar.