quarta-feira, 22 de abril de 2015

Amor é construção, diferente da paixão que não exige nada de nós

"Casais que se amam, se esforçam por agradar o outro..." 

Não é o amor que sustenta o relacionamento. É o modo de se relacionar que sustenta o amor.

Pergunte às pessoas que você conhece... a grande maioria dirá que tem como desejo, em algum momento da vida, encontrar seu grande amor para poder viver o felizes-para-sempre.

Muitos idealizam o amor e o veem como o grande responsável pelos relacionamentos de sucesso. Isso não é um engano. No que as pessoas se enganam, é acharem que o amor mantém o relacionamento e não a maneira de se relacionar que mantém o amor.
Amor é construção, é diferente da paixão a qual não exige nada de nós, somente acontece, sem precisamos fazer nada para isso. Para o amor florescer é preciso ter empenho; é preciso se esforçar e trabalhar para então gerar esse sentimento.
Os relacionamentos podem durar (e duram) um determinado período enquanto as pessoas estão apaixonadas. Cajo não haja alguns cuidados, certamente o relacionamento falhará tão logo a paixão se esvaneça.

Então o que faz uma relação durar?

Amar exige esforço e construção
- Ter a intenção e a postura de cuidar desse relacionamento e da outra pessoa envolvida;
- Casais que se amam, se esforçam em agradar o outro, em fazer coisas que deixem o outro feliz;

- Auxiliam o outro em momentos de maior dificuldade;

- Esforçam-se para resolver brigas e discussões quando essas acontecem e procuram perdoar;

- Esforçam-se em ser carinhosos mesmo quando estão cansados;

- Esforçam-se para ter comportamentos gentis e de cuidado - voluntário e consciente.

É isso tudo que mantém os relacionamentos. É isso que mantém o amor.
Amor não é causa, é consequência!

Reflita sobre isso e aplique em seu relacionamento amoroso.

Leia este esse texto também em Via Estelar.



quarta-feira, 15 de abril de 2015

Terapia Focada na Compaixão e os três sistemas evolutivos de regulação do afeto

Por Maikon de Sousa Michels
Confesso que fiquei um tanto quanto receoso quando ouvi falar pela primeira vez da Terapia Focada na Compaixão, um modelo que faz parte da “Terceira Onda” dentro das Terapias Cognitivas. Bastou a leitura de um único capítulo, no entanto, para que o preconceito fosse embora e em seu lugar surgisse a vontade de continuar estudando.
Terapia Focada na Compaixão é um modelo que integra vários conceitos oriundos da Psicologia Evolucionista e, ao invés de mostrar ao paciente a disfuncionalidade do seu pensamento, busca ajudá-lo a compreender onde e de que maneira o indivíduo se fixou em formas inúteis, ainda que compreensivas, de tentar aumentar o seu sentimento de segurança perante as ameaças.
Sinceramente, o que mais me chamou atenção foram os conceitos oriundos da Psicologia Evolucionista, atualmente umas das abordagens psicológicas que mais fazem sentido, pelo menos no meu entendimento. Entre esses conceitos, os sistemas de regulação do afeto são bem interessantes, fáceis de usar como psicoeducação e ajudam a explicar a origem de vários problemas psicológicos.
O primeiro sistema de regulação do afeto é o sistema de defesa-ameaça, onde a mensagem subjacente é “Proteja-se”. É um sistema compartilhado por todas as espécies animais e que serve para nos proteger de um perigo real ou imaginado.
O sistema de defesa-ameaça detecta diferentes tipos de ameaças rapidamente e logo em seguida processa a informação e escolhe uma reação emocional (raiva, medo, ansiedade, nojo/aversão) e uma resposta comportamental adequada (imobilização, luta, fuga, submissão).
É um sistema essencial, pois é ele que nos faz detectar perigos e garantir nossa sobrevivência. Por outro lado, quando uma pessoa funciona nesse sistema a maior parte do tempo, pode se tornar hipervigilante e pouco disponível para outros tipos de atividades, o que pode estar na gênese de problemas psicológicos. Diversos tipos de patologia estão associados a uma ativação excessiva do sistema defesa-ameaça, como comportamentos de evitação, comportamento agressivo e antissocial ou transtornos de ansiedade.
O segundo sistema é chamado Procura de recursos e de recompensas (drive) é foi concebido para propiciar uma sensação de bem-estar, para criar sentimentos positivos que orientem, motivem e encorajem para a procura de recursos e recompensas vantajosas. Comida, sexo, relações de amizade, status e reconhecimento são importantes para que o indivíduo sinta alegria, vitalidade e prazer.
Atividades prazerosas são essenciais para a sobrevivência; ativam mecanismos cerebrais de recompensa, promovendo flexibilidade e satisfação de necessidades biológicas (comida, sexo, reprodução) e relações compensadoras. Quando esse sistema está ativado, todos os aspectos da mente ficam focados nos objetivos até que se consiga alcançá-los.
Mantendo esse sistema equilibrado com os outros, obtemos claras vantagens em direção a importantes objetivos de vida. No entanto, desequilíbrio ou disfunção nesse sistema pode estar por trás de transtornos de humor (mania no transtorno bipolar), uso de substâncias ou busca por esportes radicais muito perigosos.
Além disso, se um indivíduo falha em alcançar um objetivo ou está tentando constantemente impressionar os outros, isso poderá levar à ativação simultânea do sistema de defesa-ameaça. Quando esses dois sistemas estão ativados ao mesmo tempo, isto leva à ansiedade, à frustração e até a raiva, fazendo com que indivíduos se envolvam mais facilmente em comportamentos agressivos.
Por fim, temos o sistema de afiliação, de calor e afeto. Esse sistema está associado à vinculação e tem como função tranqüilizar e acalmar o indivíduo, quando este não está focado em ameaças ou na procura de recursos. É diferente do entusiasmo ou da ausência de ameaça, pois, quando esse sistema se encontra ativado, o indivíduo se sente bem, seguro e ligado aos outros.
Além disso, enquanto nos sistemas anteriores os relacionamentos interpessoais são secundários à proteção e à aquisição de bens e recursos, o sistema de afiliação, calor e afeto implica a experiência de estar seguro, tranqüilo, no momento presente. Relações interpessoais calorosas, baseadas na partilha e no afeto, são centrais para o desenvolvimento e maturação desse sistema.
Desde o seu nascimento, o ser humano necessita de cuidados parentais, sendo o estabelecimento de vínculos sociais um requisito essencial para a sobrevivência. A procura de calor e afeto e a proximidade com uma figura de vinculação segura constitui uma estratégia inata para a regulação do afeto.
Uma criança que tem uma vinculação segura, que foi tranqüilizada e amada, pode facilmente evocar essas memórias emocionais em situações de stress, o que vai ajudá-la, ao longo da vida, a regular o afeto através de um mecanismo de autotranquilização.
Por outro lado, uma criança com vinculação insegura, mais facilmente desenvolve um sistema defesa-ameaça hipersensível e hiperreativo e um sistema de afiliação subdesenvolvido. Estão mais propensas a psicopatologias e tem maior tendência a perceber o outro como fonte de ameaça (possibilidade do outro me controlar, magoar ou rejeitar) e facilmente se tornam muito focadas no alcance de status, estando, portanto, menos propensas a desenvolverem comportamentos de prestação de cuidados com o self e com os outros.
Particularmente, acredito que esses sistemas de regulação do afeto estão amplamente relacionados, de forma congruente, no sentido epistemológico, com a Terapia do Esquema, outra abordagem da chamada Terceira Onda das TCCs. Os três sistemas ajudam a explicar, pelo menos em parte, a origem de vários esquemas iniciais desadaptativos, como esquema de  Abandono, Desconfiança/Abuso, Vulnerabilidade ao Dano/Doença, Busca de Aprovação/Reconhecimento e Arrogo/Grandiosidade, só para citar alguns.
O objetivo último da Terapia Focada na Compaixão é o de equilibrar a atuação dos sistemas de regulação do afeto, promovendo a ativação do sistema de afiliação, de calor e afeto. Ao estimular esse sistema, procura-se desenvolver competências de autotranquilização, de autocompaixão e de ligação/prestação de cuidados aos outros, diminuindo assim sentimentos como vergonha e autocriticismo.
Frente à complexidade do ser humano, novas abordagens psicoterápicas são sempre bem vindas para nos ajudar a entender e aliviar o sofrimento dos pacientes, desde que com bases científicas e epistemologicamente congruentes com as terapias cognitivas tradicionais.

Fonte: A maioria das informações desse manuscrito foram literalmente transcritas do capítulo “Terapia Focada na Compaixão” (Rijo, Motta, Silva, Brazão, Paulo e Gilbert) do livro “Estratégias psicoterápicas e a terceira onda em terapia cognitiva”. Wilson Vieira Melo (organizador) Artmed, 2014.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

O que busca a geração Y?

"... essa geração possui a percepção de que fazer algo que lhes traga significado tem muito mais importância do que ganhar mais ou acumular dinheiro"

Alguns dos valores pessoais vêm mudando com o tempo. De modo geral, o que as pessoas estão buscando na vida está diferente de antes. Desse modo a relação com o trabalho e a motivação com o mesmo também se tornam diferentes.

Há uns 40 anos atrás (ou até menos) o que um jovem buscava ao entrar no mercado de trabalho era estabilidade financeira em seu emprego. Tinham o sonho de construir ou comprar sua própria casa e constituir família. Essas eram as metas mais comuns procuradas por esse público nessa época. Atualmente, os jovens na casa dos vinte e poucos anos mudaram o perfil do que desejam.

Seu discurso é muito mais por fazerem algo que lhes tenha sentido e a maioria gosta e busca desafios. A questão financeira já não os segura mais em um emprego e a estabilidade financeira e de carreira já não é mais vista como algo fundamental.

Essa é a famosa geração Y que vem como uma mentalidade bastante diferente, desafiando muitos paradigmas que foram criados anteriormente.
Os atuais líderes contam de seu sofrimento em manter seu pessoal motivado e, por sua vez, esses jovens sofrem por saberem que precisam sobreviver e se sustentar mas, que só conseguem realmente se comprometer profissionalmente quando encontram algo que lhes brilhe os olhos e lhes tenha sentido.
A qualidade de vida e bem-estar passou a ser algo mais importante do que a estabilidade e segurança e, isso esses pontos definem muitas escolhas feitas por essas diferentes gerações. Não há certo ou errado mas, há claramente um conflito de percepções.
Atendo inúmeros adultos jovens com bons empregos mas... se questionando e sofrendo por acharem que está faltando algo ou que aquilo que fazem não preenche suas vidas ou ainda que não tem um sentido. Esse é um sofrimento real pois, para eles, a realização profissional não é medida pela sua conta bancária mas sim pelo seu grau de satisfação com a atividade que exercem. Outro ponto de sofrimento é a relação com os pais, os quais estão pautados em outros valores e que criticam a atitude dos filhos de abrir mão da segurança que tem para tirar um ano sabático ou viajar para o exterior para morar algum tempo ou ainda ir trabalhar em uma ONG ainda em crescimento.

No entanto esse é o chamado que esses jovens sentem na sua essência e, negá-lo, certamente é ficar infeliz.

É necessário aceitar que essa geração possui a percepção de que fazer algo que lhes traga significado tem muito mais importância do que ganhar mais ou acumular dinheiro. Vem claramente com a sensação de que precisam mais ser do que ter. Talvez, como uma resposta ao consumismo exacerbado em que acabamos chegando, até como uma consequência para preenchermos alguns vazios. Quanto mais uma pessoa se aliena de si mesma e faz as coisas por que precisa fazer, mais vazia elas se sentirá. E se lhe for dito que para preencher esse vazio e frustrações ela terá de trabalhar muito, pois precisa comprar isso ou aquilo, ela com certeza irá fazê-lo na tentativa de aliviar seu mau-estar e poder se preencher, mesmo que isso implique em falta de tempo para viver a vida.

Temos dois "times" de trabalhadores atualmente: os que trabalham muito e buscam estabilidade e segurança e os que questionam todo o sistema de trabalho atual, querem trabalhar menos e ver sentido no que fazem. Ambos sofrem mas possivelmente uma geração tem a aprender com a outra e até mesmo se ajudarem em busca de uma melhor solução para ambas as partes.


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sexta-feira, 27 de março de 2015

Negociação difícil? Busque um acordo em três passos

"Diversidade de necessidades e grau de importância para cada um é que dificultam negociação"

Um dos problemas que invariavelmente pode ocorrer em diversos contextos (familiar, relacionamento amoroso, entre amigos, etc) é a dificuldade em conciliar diferentes interesses e ideias. 

A diversidade de necessidades entre envolvidos e o nível de importância que elas têm para cada um é que podem fazer com que a resolução do problema ou a chegada em um acordo não seja algo muito fácil.

Quando isso ocorre geralmente surgem as discussões na tentativa de cada lado se impor ou fazer valer o seu desejo. O resultado muitas vezes não é bom, pois dificilmente desse modo há uma conciliação pacífica das ideias mas sim uma das partes cedendo por medo ou ambas insistindo em não ceder e, nesse caso, não há jogo.

Quando aprendemos maneiras de perceber com mais consciência nossas ideias e o grau de importância que elas têm para nós, podemos então, colocar em prática um outro modo de lidar com essas situações.

Busque um acordo em três passos:

O primeiro passo é ter clareza do que você quer. Sabe exatamente seu desejo? Pode descrever de modo objetivo seu interesse ou ideia? Sabendo o que irá pedir ou propor facilita para o outro perceber quais são os pontos envolvidos e o quanto se aproxima ou se diferencia do que ele quer.

O segundo passo é colocar  uma estratégia desenvolvida pelo coach César Augusto Sápia que constitui em se perguntar o nível de importância que isso tem para você. Se você fosse colocar em uma escala de 0 a 5, sendo que 0 é algo que não tem nenhuma significância para você e 5 algo que tem realmente muita importância, em que patamar honestamente estaria essa questão?

O terceiro passo consiste em comunicar essas duas informações para a(s) outra(s) parte(s) envolvida(s) e ouvir o lado dele(s), procurando uma maneira de conciliar as ideias ou ceder, dependendo do nível de importância atribuído.

Para isso, se faz necessário que não se minta quanto ao número da escala pois, isso impede que seja feito um acordo honesto e conciliatório. Geralmente quando um dos lados percebe que para o outro a questão tem realmente mais importância do que para si, fica mais fácil de abrir mão, sabendo que isso também se dará no futuro, quando for o contrário.

Experimente!


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Mostrar-se vulnerável ao outro pode ser positivo

"O quanto você cria desfechos terríveis na sua cabeça sem ao menos ter alguma evidência com base para isso?" 

Se perguntarmos a alguém qual é a frequência em que se permite ficar vulnerável, é muito provável que responda: o mínimo possível. Aliás, até evita essas situações.

Percebemos a vulnerabilidade como um momento de desconforto, no qual nos sentimos expostos ao outro, temendo que esse possa nos ferir emocionalmente.
No entanto, se buscarmos em nossa memória lembranças de bem-estar junto a outras pessoas, há uma grande probabilidade de que as situações que nos venham à mente sejam junto de pessoas com as quais nos sintamos a vontade, próximos e, por que não, vulneráveis?

Como é se lembrar de algum momento em que tenha se arriscado a dizer seus sentimentos amorosos para alguém ou ainda poder se abrir sobre algo que estava te machucando?
Pode haver medo presente nessa memória, mas também um alívio ou até alegria após baixar a guarda e se mostrar vulnerável.

Desse modo, percebemos que passamos a maior parte do tempo nos protegendo do possível julgamento dos outros, da possibilidade do sentimento de alguém a quem se considera especial não ser recíproco.

Resumindo: estamos o tempo todo fugindo da rejeição, mesmo sem saber se ela está lá ou não.

Você já parou para pensar quanta energia despende nisso?

Quantas boas oportunidades pode ter perdido?

O quanto de tempo pode ter desperdiçado?

O quanto você cria desfechos terríveis na sua cabeça sem ao menos ter alguma evidência com base para isso?

Permitir-se viver colocando-se mais em situações de vulnerabilidade emocional pode parecer uma aventura grande demais mas, na realidade, nos leva a nos aproximarmos de nosso lado mais humanitário, bem como estreitar os laços afetivos com outras pessoas.

Aprendemos a viver em uma realidade de aparências na qual nos engessamos; são pouquíssimos aqueles que nos conhecem verdadeiramente e, somente com esses, sentimo-nos realmente à vontade.

Convido-os à reflexão de como seria vivenciar mais momentos de vulnerabilidade e se o risco pode valer os resultados alcançados com essa atitude.

Lembre-se de quando você sentiu aquele frio na barriga para dizer algo que sentia e como ficou depois independente do resultado.


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O que há por trás da preguiça?

"Simplesmente preguiça por preguiça não existe..." 


Em meus atendimentos algumas vezes recebo como feedback de meus pacientes, diante de alguma tarefa de casa que não foi feita, que isso ocorreu por conta da preguiça. Às vezes culpam-se ou cobram-se por terem se sentido assim e veem isso como se fosse uma fraqueza de caráter.


Ao longo de minha prática percebi que sempre há algo por trás da preguiça.

Simplesmente preguiça por preguiça não existe; ela é um comportamento resultante de alguma percepção que temos a respeito de uma determinada situação. Por exemplo, podemos dizer que estamos com preguiça de fazer determinado trabalho mas, se formos um pouco mais fundo, perceberemos esse trabalho como chato ou como difícil ou ainda que demandará muito tempo e, diante dessa percepção, ficamos com preguiça de fazê-lo. Outro exemplo, relatado por uma pessoa que atendi, era de ter preguiça para sair de casa sempre que as amigas a convidavam para algum programa noturno. Em terapia descobrimos que essa paciente encobria um medo que ela tinha de sair à noite por conta de um trauma que havia sofrido anos atrás.

A preguiça é uma esquiva de algo. Se compreendemos do que estamos nos esquivando, podemos buscar uma estratégia para lidar com essa questão, e então, a preguiça não mais fará sentido.


Poderemos ou não mais senti-la ou perceber que se ela se mantém lá é por que continua sinalizando algo que não pode ser ignorado, como por exemplo, não querer ir a uma festa porque se está cansado ("com preguiça"). Essa informação é real e precisa ser respeitada; se forçar em ignorá-lá poderá não gerar bons resultados.

Sabendo portanto, que a preguiça é um sintoma, cabe a pessoa se questionar o que pode estar na raiz da mesma ou ainda do que se está fugindo. Essa informação será essencial para poder traçar uma boa estratégia de como lidar com ela, ao invés de ficar se culpabilizando ou se cobrando por sentir preguiça.


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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Comunicação Não Violenta - Saiba como pedir, sem exigir, e ter mais chance de êxito!


"Peça de maneira clara e específica aquilo que você quer naquele momento ao invés de ficar dando dicas ou indiretas." 


Comunicação Não Violenta (CNV) inclui um método simples de comunicação clara e empática constituída por quatro elementos:


1 - Observações
2 - Sentimentos
3 - Necessidades
4 - Pedidos

A CNV busca encontrar uma maneira para que as pessoas possam dizer o que consideram importante sem culpar o outro, humilhá-lo, envergonhá-lo, coagi-lo ou ameaçá-lo. É útil para resolver conflitos (e, muitas vezes, nem criá-los), conectar-se aos outros, viver de um jeito consciente, presente e antenado às necessidades vitais e genuínas de si mesmo e dos outros.

1º) Informe ao outro os fatos (ou observações) que te levaram a sentir necessidade de dizer algo.

Devem ser observações puramente factuais, descrições objetivas da situação, sem componentes de julgamento ou crítica. Exemplo: "Você me disse para esperá-lo para jantar e chegou às 23h00" afirma um fato observado, enquanto que "Você não tem consideração comigo" é um julgamento. Pessoas normalmente discordam de críticas ou julgamentos por perceberem e valorizarem as coisas de maneiras diferentes. No entanto, quando falamos sobre fatos isso abre espaço para a comunicação, já que dificilmente há do que discordar.

2º) Afirme o sentimento que a observação (ou fato) lhe desperta ou compreenda o que o outro está sentindo, e peça.

Nomear a emoção, sem julgamento moral, permite que os interlocutores se conectem em um espírito de respeito mútuo e cooperação. Realize este passo com o objetivo de identificar acuradamente a sensação que você ou o outro estão tendo no momento, e não com o objetivo de envergonhá-lo por tal sentimento. Exemplo, "Você pouco conversou comigo hoje (observação). Está bravo comigo? (sentimento)" ou "Você havia combinado de passar o final de semana comigo (observação). Fiquei chateada que desmarcou. (sentimento)" Para descrever sentimentos é necessário ter consciência deles e, para muitas pessoas, isso exige um treino de auto-observação e autoindagação sobre o que se passa dentro de si em diferentes situações.

3º) Declare a necessidade que é causa de seu sentimento ou adivinhe a necessidade que causou o sentimento na outra pessoa, e faça seu pedido.

Quando nossas necessidades se encontram, temos sensações agradáveis; quando elas não se encaixam ou são opostas, temos sensações desagradáveis. Ao compreender o sentimento, você pode encontrar a necessidade subjetiva que gerou o que você está sentindo naquele momento. Afirmar a necessidade, sem julgá-la moralmente, lhe dá clareza sobre o que ocorre no seu coração ou no do outro no instante da conversa. Exemplo, "Você não pergunta mais sobre meu dia ou sobre como estou (observação). Fico muito triste com isso (sentimento), pois preciso da sua atenção e cuidado (necessidade)" ou "Percebi que você anda muito calado (observação) você está chateado (sentimento) por ter menos tempo para me dedicar você? (necessidade)". 

Necessidades possuem um significado especial na CNV: elas são comuns a todas as pessoas e não estão ligadas a nenhuma circunstância específica, mas sim, são algo constante na vida das pessoas. Portanto, desejar sair para jantar com alguém em específico não é uma necessidade, ao mesmo tempo que querer que aquela pessoa em particular te ligue também não é. A necessidade, nesse caso, seria a busca pela companhia. Você pode resolver sua necessidade de companhia de diversas maneiras, e não apenas com uma pessoa específica, e muito menos saindo para comer.


4º) Faça um pedido concreto para que a ação encontre a necessidade identificada. 

Peça de maneira clara e específica aquilo que você quer naquele momento ao invés de ficar dando dicas ou indiretas. Exemplo, "Notei que você está falando pouco e evitando o meu olhar (observação). Você está bravo ou chateado? (sentimento)". Se a resposta for afirmativa, você pode revelar seu próprio sentimento e propor uma ação: "Bem, também estou chateada. Vamos conversar sobre o que aconteceu?", ou talvez: "Isso que estou fazendo (observação) é bastante importante para mim e me deixa feliz (sentimento). Que tal nos encontrarmos daqui a duas horas, depois que eu acabar aqui?" Para que o pedido seja realmente um pedido - e não uma exigência -, permita que a outra pessoa diga "não" ou proponha alternativas.

Você tem a responsabilidade de perceber e cuidar das suas próprias necessidades, assim como o outro, tem também de olhar pelas suas próprias. Quando decidirem fazer algo juntos, essa ação conjunta deve acontecer por que ambos consentiram voluntariamente a realizá-la, como uma maneira de suprir suas próprias necessidades genuínas e, não por sentirem culpa ou pressão. Algumas vezes, você pode deparar-se com uma ação proposta por outros que venha de encontro às suas próprias necessidades; sendo que em outras, quando essa for contrário ao que você precisa, o melhor caminho é cada qual seguir o que lhe fará bem separadamente.
A CNV é intrinsecamente ligada à empatia. Se utilizando dela como base, bem como criando-a ou fortalecendo-a entre as pessoas. Com um pouco de treino, qualquer um pode passar a se comunicar dessa maneira, auxiliando a ser mais assertivo, ao invés de passivo ou agressivo.


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