segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Sou viciado em internet, jogos online e videogames?

Vício em internet, jogos online e videogames - "Essa dependência se caracteriza pelos seguintes comportamentos: foco principal nessas atividades, necessidade cada vez maior de aumentar o tempo online, alívio de ansiedade quando online, conflitos internos por estar online, síndrome de abstinência e recaídas".

Atualmente tecnologias como internet, videogames e jogos de computador fazem parte da vida da grande maioria dos jovens. Boa parte deles as utiliza de maneira saudável. No entanto, alguns se excedem e colhem consequências negativas.

A dependência da internet e dos jogos eletrônicos manifesta-se como uma incapacidade do indivíduo em controlar seus impulsos de conectar-se ou jogar. O envolvimento passa a ser cada vez maior e o indivíduo percebe cada vez mais a sua perda de controle frente a esses estímulos. Parte deles passa a consumir mais tempo, assim como dominar seu foco de interesse.

Essa pessoa quando não pode acessar esses estímulos fica ansiosa, com raiva e/ou chateada e, quando o faz, sente um grande alívio. Pode roubar dinheiro para alimentar seu vício (ex: assinar jogos na internet).

Como seu foco de atenção está nos estímulos dos jogos eletrônicos e internet, suas relações sociais passam a limitar-se a esses meios, optando por sacrificar outras atividades como sair com os amigos ou ficar com a namorada; além de geralmente ter uma piora em seu desempenho escolar e em outras atividades. A perda ou deficiência do sono também é um dos sintomas percebidos, já que há uma estimulação psicológica contínua. Inúmeras vezes, até a alimentação é posta de lado.

O vício pode manifestar-se ligado a: acesso do(s) e-mail(s), chats (salas de bate-papo), jogos online, compras via internet, jogo de videogame ou computador, conteúdo especifico (eróticos, de relacionamento, bolsa da valores, busca de informações, etc...).

Principais sintomas de dependência de jogos eletrônicos e internet

• Saliência: o jogo se torna a atividade mais importante da vida, dominando seus pensamentos (saliência cognitiva) e comportamentos (saliência comportamental);
• Modificação de humor/euforia: experiência subjetiva de prazer, euforia ou mesmo alívio de ansiedade relatada pela pessoa quando faz uso da internet ou dos jogos;
• Tolerância: necessidade de aumentar cada vez mais os períodos que utiliza a internet ou joga, para que possa alcançar o mesmo estado de prazer ou modificação do humor;
• Abstinência: estados emocionais e fisiológicos desconfortáveis quando ocorre descontinuação ou diminuição súbita da atividade, seja essa de maneira intencional ou forçada;
• Conflito: entre a pessoa que possui o vício e familiares e/ou amigos (conflito interpessoal); com outras atividades (trabalho, escola, vida social, prática de esportes, etc...) ou até do indivíduo com ele mesmo, relacionado ao fato de estar jogando ou conectando-se excessivamente (conflito intrapsíquico);
• Recaída/restabelecimento: tendência de retornar rapidamente ao padrão anterior de jogo ou uso de internet de modo excessivo após períodos de abstinência ou controle.

Para saber se você é dependente de internet, acesse o site do Programa de Dependência da Internet do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP e faça o teste: http://www.dependenciadeinternet.com.br/ 

Leia este texto também em Via Estelar.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Discurso de Steve Jobs

 

 Recentemente assisti novamente o discurso feito por Steve Jobs na Universidade de Stanford na formatura de alguns graduandos. Não assisti somente uma vez, mas inúmeras outras e percebi que, cada vez que assistia, ele soava de modo diferente.

 O discurso realmente me emocionou muito, pois foi a mesma situação, percebida de maneira diferente, causando emoções diferentes e comportamentos diferentes. Por isso decidi escrever sobre ele e ressaltar alguns pontos que me chamaram a atenção. 

 Para quem não conhece Steve Jobs (apesar de notícias sobre ele estarem por todos os lados, em função de sua morte causada por um câncer no pâncreas em 05/10/2011), ele foi dado para adoção por sua mãe biológica e inicialmente rejeitado pela primeira família, pois eles queriam uma menina. Foi então adotado por um casal que não havia feito faculdade. Criou a Apple com um amigo e posteriormente a NeXT e o estúdio Pixar. 

 Steve Jobs descreve três histórias em seu discurso em Stanford. Quero me ater principalmente às duas últimas que ele menciona. Em sua segunda história, ele fala sobre amor e perda e conta que antes dos 30 anos conseguiu criar e erguer uma empresa junto com amigo partindo do uso da garagem de seus pais. Conta que após 10 anos, a empresa já tinha um grande faturamento e, próximo dessa época acabou sendo mandado embora da própria empresa que havia criado. Diz que esse havia sido o foco de toda sua vida adulta e que por algum tempo sentiu-se devastado.  

 O que o fez então, seguir adiante?  

 O que o fez ser reconhecido como um dos grandes líderes mundiais?  

 Respondo. A mudança de percepção, colocar as coisas sob outra perspectiva. 

 O que foi percebido em um primeiro momento como uma rejeição, acabou dando lugar a uma percepção alternativa da realidade e foi isso que proporcionou a Steve Jobs a motivação para continuar seguindo em frente. Usando suas palavras: “O peso de ser vitorioso foi substituído pela leveza de ser iniciante outra vez, sem muita certeza de nada, e isso me deu liberdade para começar um dos períodos mais criativos da minha vida.”  

 Nada disso seria possível caso Steve Jobs permanecesse com uma percepção negativa da situação. Ver a situação de outro modo, fez com que ele sentisse essa leveza descrita por ele facilitando a possibilidade de criar sem medo. Desse contexto surgiram as outras duas empresas já citadas aqui e seu casamento. 

 A próxima história que ele conta é relacionada à morte. Relata que ainda jovem leu a seguinte citação: “Se você viver cada dia como se fosse o último, algum dia provavelmente você acertará”. E, diante disso, ele descreve que usou essa frase todos os dias, se perguntando: “Se hoje fosse o último dia da minha vida, eu iria fazer o que farei hoje?” Caso a resposta fosse sim, ele seguia em frente, caso fosse negativa por alguns dias consecutivos ele revia o seu caminho e escolhas. 

 Esse é um jeito muito interessante de ver a vida. Enxergá-la lembrando-se da única coisa que temos certeza que acontecerá a todos nós: a morte e, que diante dela, tudo o que realmente não é importante, perde o peso, perde o significado. Steve Jobs afirma que a morte é provavelmente a maior invenção da vida, pois é um agente de mudança e permite tirar da frente o velho e colocar o novo. Penso que lembrar disso, ajuda a perceber as situações de modo mais concreto, com menos distorções e caminhar com mais exatidão na vida. 

 Creio que Steve Jobs não conhecesse a terapia cognitivo-comportamental, nem o modelo cognitivo de que nossos pensamentos e crenças influenciam o que sentimos, bem como nossas ações. Mas de qualquer modo, ele é um exemplo, dentre tantos outros, de que não são as situações que definem quem somos, o que fazemos, sentimos ou pensamos, mas sim o modo pelo qual escolhemos percebê-las. 

 Leia este texto também em Via Estelar.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Workshop de Terapia Cognitiva Processual

A Terapia Cognitiva Processual (TCP) é uma abordagem em três níveis e três fases, com base na formulação do caso, desenvolvida pelo Professor Irismar Reis de Oliveira na Universidade Federal da Bahia, Brasil. A TCP tem como fundamentos aqueles da TC; contudo, tem conceituação própria, assim como suas próprias técnicas, tornando-a uma abordagem distinta quanto à modificação das crenças nucleares dos pacientes, especialmente daquelas referentes a si mesmos.Uma de suas principais técnicas, o Registro de Pensamentos Baseado no Processo (RPBP), é uma estratégia estruturada desenvolvida para modificar as crenças nucleares. Apresenta-se como uma analogia com a Lei, na qual o terapeuta engaja o paciente na simulação de um processo judicial. A inspiração para o desenvolvimento desta técnica veio do romance surreal de Franz Kafka, O Processo. Neste livro, o personagem Joseph K., por razões jamais reveladas, é preso e finalmente executado sem jamais saber de que crime foi acusado.A base racional para a proposta da TCP é que esta pode ser útil em fazer com que os pacientes se tornem conscientes das crenças sobre si mesmos (auto-acusações) e, diferentemente do processo de Joseph K., engajem-se em um processo construtivo para desenvolver crenças mais positivas e funcionais.Dr. Irismar tem sido mundialmente reconhecido pelo seu trabalho e tem recebido  apoio e aprovação por parte de Aaron Beck.Convidamos todos os psicólogos e médicos com noções em TCC a participar. Saiba mais sobre TCP:

 Faça sua inscrição para os próximos treinamentos em Salvador (14-16/10), Belo Horizonte (21-23/10), São Paulo (11-13/11), Recife (18-20/11), Florianópolis (25-27/11), Ribeirão Preto (02-04/12) e Rio de Janeiro (02-04/03/12).

Responsável pelo treinamento: Irismar Reis de Oliveira, MD, PhD
Professor of Psychiatry Department of Neurosciences and Mental Health Federal University of Bahia, Brazil Founding Fellow, Academy of Cognitive Therapy Member, ABCT/IACP

Visite: http://www.trial-basedcognitivetherapy.com

Crenças negativas



segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Amor patológico - seu modo de amar pode se tornar uma doença; saiba quando.




"Estudo realizado nos anos 80 no New York State Psychiatric Institute constatou que o amor excessivo pode provocar no sistema nervoso central um estado de euforia parecido ao atingido pelo uso de anfetamina. Descobriu-se que o amor produziria uma substância intoxicante, a feniletilamina. Essa descoberta ajudaria a explicar o fato de que os portadores de amor patológico sentem um grande desejo por chocolate – o qual contém feniletilamina - quando estão na ausência do(a) companheiro(a)"

 Prestar atenção, preocupar-se e cuidar do(a) companheiro(a) é um comportamento saudável e esperado dentro de um relacionamento amoroso.
Quando esse comportamento passa a ocorrer de maneira repetitiva, descontrolada, de modo a priorizar o outro em detrimento de si, temos um quadro de amor patológico. Essa doença causa sofrimento tanto para o portador, quanto para quem convive com ele, uma vez que o doente torna-se obsessivo pela pessoa amada e seus comportamentos ficam fora de controle, inúmeras vezes sufocando o outro e deixando sua própria vida e interesses de lado.

Segundo o DSM - IV (sistema de diagnóstico da Associação Psiquiátrica Americana) são seis os critérios para a classificação desse transtorno, sendo três deles obrigatórios (para fechar esse diagnóstico). 

1) Sinais e sintomas de abstinência - quando o parceiro está distante (física ou emocionalmente) ou perante ameaça de abandono, podem ocorrer: insônia, taquicardia, tensão muscular, alternando períodos de letargia e intensa atividade. 

2) O ato de cuidar do parceiro ocorre em maior quantidade do que o indivíduo gostaria - o indivíduo costuma se queixar de manifestar atenção ao parceiro com maior frequência ou período mais longo do que pretendia de início. 

3)Atitudes para reduzir ou controlar o comportamento patológico são mal-sucedidas - em geral, já ocorreram tentativas frustradas de diminuir ou interromper a atenção despendida ao companheiro. 

4) É despendido muito tempo para controlar as atividades do parceiro - a maior parte da energia e do tempo do indivíduo são gastos com atitudes e pensamentos para manter o parceiro sob controle. 

5) Abandono de interesses e atividades antes valorizadas - como o indivíduo passa a viver em função dos interesses do parceiro, as atividades propiciadoras da realização pessoal e profissional são deixadas, como cuidado com filhos, atividades profissionais, convívio com colegas, entre outras. 

6)O amor patológico é mantido, apesar dos problemas pessoais e familiares - mesmo consciente dos danos advindos desse comportamento para sua qualidade de vida, persiste a queixa de não conseguir controlar tal conduta. 

  Amor patológico e dependência química 

É interessante notar que existem estudos comparando os critérios para diagnóstico de dependência química com as características que geralmente são apresentadas pelos portadores de amor patológico e, constataram que grande parte deles (seis dos critérios acima) se assemelhem entre si, conforme o DSM – IV. 

Outro ponto em comum é, do mesmo modo que o dependente químico adere à “droga de escolha” para aliviar sua angústia, ansiedade, timidez ou na busca do prazer, o portador de amor patológico acredita que alcançará isso através do “parceiro de escolha”. 

Um estudo realizado nos anos 80 no New York State Psychiatric Instituteconstatou que o amor excessivo pode provocar no sistema nervoso central um estado de euforia parecido ao atingido pelo uso de anfetamina. Descobriu-se que o amor produziria uma substância intoxicante, a feniletilamina. Essa descoberta ajudaria a explicar o fato de que os portadores de amor patológico sentem um grande desejo por chocolate – o qual contém feniletilamina - quando estão na ausência do(a) companheiro(a). 

  O amor patológico 

O responsável pelo amor patológico não é o amor em si, esse não é causador dos malefícios que ocorrem associados a esse transtorno, mas sim o grande medo que a pessoa tem de ficar só, o pavor de poder vir a ser abandonada, o receio de não ser valorizada, pensamentos esses que lhe causam muita angústia. 

É essa forte carência que faz com que a pessoa tenha um déficit na sua avaliação crítica (na verdade, ausência de crítica) sobre seu comportamento obcecado. A consequência é a falta de liberdade que o portador de amor patológico impinge a si mesmo e ao par, já que quando está na presente desse sente um bem- estar e alívio da angústia. 

  Quem sofre mais de amor patológico? 

 É provável que o amor patológico seja mais presente na população feminina porque as queixas são mais referidas pelas mulheres (no entanto, o que pode ocorrer também é que os homens não costumam compartilhar com tanta frequência seus sentimentos). As mulheres partilham mais o que sentem e dentre essas confissões, queixam-se de “que sofrem com o problema”, que são “obcecadas" ou "viciadas" pelo parceiro, ou ainda que deixam de viver a própria vida para "viver pelo outro", que o outro “é o centro de suas vidas”. Além disso, as mulheres costumam dar maior ênfase aos relacionamentos amorosos, assim como a situações relativas a eles, tais como: fazer coisas juntos, datas especiais, presentes, ciúmes, abnegação e sacrifícios pelo relacionamento, entre outros. 

Além de psicoterapia, para auxiliar as pessoas com esse quadro, existem grupos de autoajuda que trabalham com esse tema, assim como o MADA (Mulheres que Amam Demais Anônimas), o qual somente permite a participação do público feminino. 

  Avalie sua maneira de amar 

 Para ajudar na avaliação da “dosagem” de seu amor com relação a(o) seu(ua) parceiro(a), procure se questionar sobre:

 • Você costuma sentir-se satisfeito com a quantidade de atenção e tempo que dedica a(o) seu(sua) parceiro(a) ou percebe que fez mais do que gostaria ou do que ele(a) mereceria? 
 • Na ausência do(a) companheiro(a) você consegue continuar fazendo suas coisas normalmente, sem alteração física (ex. taquicardia, insônia, dores musculares, tontura, etc...) ou emocional (ex. tristeza, angústia, medo, etc...)? 
 • Você acha que a quantidade de atenção o de tempo que você disponibiliza a(o) seu(ua) parceiro(a) está sob o seu controle ou já tentou se conter e não conseguiu? 
 • Você mantém outros interesses e relacionamentos ou abandonou pessoas e atividades para privilegiar a relação com essa pessoa em especial?
 • Você não se preocupa e/ou não despende tempo buscando controlar a vida do seu parceiro?
 • Você continua se desenvolvendo pessoal e profissionalmente após o início de seu relacionamento amoroso? 

 Se você respondeu “não” à maioria das questões, é um sinal para que fique alerta. O mais indicado é que procure um psicólogo ou psiquiatra e faça uma avaliação clínica mais aprofundada para poder compreender melhor o que se passa com você e talvez receber tratamento adequado. 

 Leia este texto também em Via Estelar.