Mostrando postagens com marcador relacionamento amoroso. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador relacionamento amoroso. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Saiba como sair da lua de mel e ingressar no cotidiano da vida em comum

"Não é o amor que mantém o relacionamento. É o relacionamento que mantém o amor"

Casamento é muito além de uma festa e uma viagem de lua de mel. Casamento é a livre escolha de manter-se lado a lado com uma pessoa partilhando da sua vida com ela.

Muitas pessoas almejam ter um relacionamento duradouro, ter alguém para fazer as coisas juntos, pensam em se casar e assim passar mais tempo com aquele que se ama.

Tudo isso é realmente muito bonito e interessante com exceção de que dificilmente as pessoas estão preparadas para a realidade de lidar com a rotina debaixo do mesmo teto.  Há muito mais de idealização do que de pensamentos realistas.

Muitas coisas se tornam diferentes depois de passar dia a dia convivendo em uma mesma casa e precisando partilhar muito mais decisões e acontecimentos.

Casar é algo realmente belo e rodeado de sonhos, devaneios e muita alegria. É o pós-chegada da lua de mel que muitas vezes se torna um grande desafio para inúmeras pessoas.

Viver junto e fazer isso dar certo necessita de muita conversa, paciência, compreensão, cumplicidade e certamente afinidades e coisas em comum. Geralmente quando as diferenças são muito exacerbadas tendemos após diminuição da paixão a nós incomodarmos com os comportamentos e escolhas distintas que o outro tem, podendo interpretá-las como errôneas, ruins ou até como atos contra nós.

O diálogo torna-se peça fundamental para a garantia da continuidade da relação. O que antes se sustentava pelo sentimento, agora precisará de cuidado, dedicação e força de vontade para se manter.

É necessário monitorar seus pensamentos percebendo quais distorções podem haver frente aos comportamentos do outro, pois muitas vezes o que mina e distância a relação são as percepções que vamos tendo a respeito do outro e, na falta de compartilha-las com o cônjuge ou checar sua validade, elas podem ir crescendo e se somando até o momento que isso gere brigas ou até um termino definitivo.

Não é incomum em um casal que um pense: "Ele tem tempo para fazer todas as coisas que gosta, mas quase nunca tem tempo para mim"; "Ela quase nunca tem vontade de fazer sexo comigo"; "Ele só quer saber de assistir futebol e encontrar com os amigos, mas dificilmente conversa comigo"; "Ela está sempre cansada e não tem mais vontade de me acompanhar nas diversões" etc. Esses são alguns exemplos de pensamentos que podem ser distorções cognitivas e que, se não forem devidamente registrados e trabalhados, podem levar a um afastamento do casal. 

Há um ditado que diz que em casamento nunca se deve dormir com uma briga e deixá-la para o dia seguinte. Essa ideia é de excelente visão, pois se não buscamos clarear mal-entendidos ou partilhar os medos, angústias, tristezas ou irritações um com o outro, estas tenderão a se acumular e depois poderemos não saber mais onde tudo começou.

Se você quer casar e morar junto ou se já o fez, coloque a mão na consciência e reflita se você está disposto(a) a realmente fazer a coisa acontecer, se está disposto(a) a resolver as discussões não importando quem está certo ou errado, se você está disposto(a) se abrir com o(a) parceiro(a) sobre suas aflições, se está disposto(a) a ficar vulnerável para que o outro realmente te conheça e assim possam resolver as sufocações que se criam, sejam elas na realidade ou no pensamento um do outro.


Finalizo com uma história para maior reflexão sobre o tema:

"Oito da noite, numa avenida movimentada.
 O casal já está atrasado para jantar na casa de uns amigos.
 O endereço é novo, bem como o caminho que ela consultou no mapa antes de sair.
Ele conduz o carro.
Ela orienta e pede para que vire, na próxima rua, à esquerda.
Ele tem certeza de que é à direita. Discutem. Percebendo que além de atrasados, poderá ficar mal-humorados, ela deixa que ele decida.
Ele vira à direita e percebe, então, que estava errado.
Embora com dificuldade, admite que insistiu no caminho errado, enquanto faz o retorno.
Ela sorri e diz que não há nenhum problema se chegarem alguns minutos atrasados.
 Mas ele ainda quer saber:
 – Se tinhas tanta certeza de que eu estava indo pelo caminho errado, devias ter insistido
 um pouco mais…

 E ela diz:
 – Entre ter razão e ser feliz, prefiro ser feliz.
 Estávamos à beira de uma discussão, se eu insistisse mais,  teríamos estragado a noite!"


Leia este teto também em Vya Estelar.



quinta-feira, 24 de março de 2016

Quatro pilares dão o termômetro de sua relação amorosa

"Não escolhemos estar em um relacionamento para estarmos sozinhos..."

Na terapia de casal através da TCC, trabalhamos com quatro pilares que nos ajudam a "diagnosticar" como vai a relação, e assim poder trabalhar seus pontos nevrálgicos e traçar um prognóstico. 

As peças-chaves em um relacionamento amoroso são: planos futuros, resolução de conflitos, comunicação afetivo/sexual, companheirismo e identidade de interesses.

Vamos discorrer um pouco sobre cada um:

Planos futuros

Há uma frase de Antoine de Saint-Exupéry (autor do "Pequeno Príncipe) que diz: "Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção." Sob esse mesmo prisma, acreditamos que casais com planos futuros em comum têm mais chance de sucesso na relação, já que planejam suas vidas com objetivos semelhantes. Já quando há planos futuros distintos há mais chance de conflitos e afastamento.

Reflita se em seu relacionamento vocês olham para o mesmo lugar ambicionando situações próximas ou se anseiam chegar em lugares diferentes e não sabem (ou talvez não queriam pensar agora) como farão para "encaixar" essas diferenças na jornada de cada um.

Resolução de conflitos

Casais que competem por ganhar a briga ou por quem é que dá a palavra final ou ainda que resistem em fazer as pazes esperando que o outro venha desculpar-se ou se reaproximar não têm um bom prognóstico. 
Conflitos constantes e, mais que isso, o modo como lidamos com eles podem desgastar e muito um relacionamento. Não há bom sentimento que perdure diante de brigas frequentes. A maneira com que ambos lidam com as diferenças de opinião (gerando ou não uma briga) e, posteriormente, caso a conversa comece a se inflamar, como a resolvem; diz muito sobre a durabilidade e saúde de uma relação amorosa.

Você é do tipo que não dá o braço a torcer? Ou que repetidamente se incomoda com algo, critica e isso resulta em uma discussão? Se seguirem nesse caminho, há uma chance muito grande de dissolução do casal.

Comunicação afetivo/sexual

A troca em um relacionamento amoroso é algo bastante significativo. Se ambos gostam de compartilhar suas ideias um com o outro e sentem-se ouvidos, se percebem que o outro demonstra afetividade, sentem-se queridos, atraídos um pelo outro, tendo um bom entrosamento sexual, essa área caminha muito bem.

Apresentar escassez ou problemas no diálogo entre vocês ou ainda na troca afetiva ou nas relações sexuais merece um sinal de alerta e necessidade de cuidar dessa área, do contrário certamente alguém sentirá falta disso e desejará obter de outra fonte.

Companheirismo e identidade de interesses

Se você gosta de praia e ele de campo, você é do dia e ele da noite, você adora shopping e ele acampar... como participarão da vida um do outro?

Cada um traz para uma relação bagagens diferentes, mas quanto mais ambos tiverem interesses em comum ou toparem incorporar esses aspectos no relacionamento, maior a chance de compatibilidade. Se não houver companheirismo (fazer as coisas juntos, participar um da vida do outro) então mesmo com status de namoro/casamento cada um estará só. 

Se vocês têm pouco em comum ou pouco participam um da vida do outro vale acender o farol vermelho e olhar para isso já! Encontrem interesses em comum e coloquem-nos em prática juntos ou procurem experimentar coisas que ainda não tenham feito para aumentar o leque de interesses de vocês.

Não escolhemos estar em um relacionamento para estarmos sozinhos, buscamos alguém conosco, ao nosso lado; um parceiro para a vida.



Leia este texto também em Via Estelar.


terça-feira, 22 de março de 2016

Quando você se perde no relacionamento, você se perde de você.

"Se faz necessário você se questionar o que faz com que sua vida gire em torno de outra pessoa" 

A maior parte das pessoas prefere estar em relacionamento do que estar só.
Através de um relacionamento amoroso temos a possibilidade de ter companhia para fazer as coisas, carinho, conversa etc. Todas essas coisas são benéficas e construtivas. Mas precisamos ter em conta que um relacionamento amoroso é mais uma das áreas importantes de nossa vida como: trabalho, vida social, família, hobbies... E por isso não pode ser a única coisa que nos importa ou para a qual direcionamos a nossa energia.
Se o relacionamento nos consome a ponto de nossa vida girar em torno dele, então há algo errado.

Quando você se perde no relacionamento, você se perde de você! 

Essa é uma afirmação muito importante que denota o quanto precisamos ser parceiros e presentes um na vida do outro, mas ainda assim termos outros interesses, encontrarmos com outras pessoas e termos espaço somente para nós individualmente também.

Alerta vermelho

Se você percebe que:

- vive em função do seu companheiro ou companheira;

- que as coisas só têm graça quando o outro está presente; 

- se você se desdobra com frequência para atender as vontades do seu par com medo de que esse se vá; então você precisa ligar um alerta vermelho, pois isso não está saudável para você.

Se faz necessário você se questionar o que faz com que sua vida gire em torno de outra pessoa. 

O que faz com que você não dê espaço também para outras áreas de sua vida? 

O que impede você de se divertir sem a presença do outro?

Estar em equilíbrio é um dos grandes desafios da vida e por isso precisamos estar conscientes de nós mesmos para perceber quando o perdemos. E, quando isso ocorrer, pensarmos em como reencontrar esse equilíbrio, pois do contrário, diante de excessos, certamente problemas ocorrerão. Cabe a nós nos anteciparmos a eles.



Leia esse texto também em Via Estelar.


domingo, 22 de novembro de 2015

Em livro, psicólogo diz que a dor da rejeição ativa as mesmas áreas da dor física


O sentimento de rejeição é provavelmente a ferida psicológica mais comum e recorrente nas nossas vidas, afirma o livro "Emotional First Aid" (Primeiros Socorros Emocionais), recentemente lançado nos Estados Unidos.
Não há quem não tenha sido preterido em alguma brincadeira infantil, esquecido na hora de uma festa, perdido o emprego ou sofrido desilusão amorosa, enumera o doutor em psicologia e especialista em terapia de casais Guy Winch, autor da obra.
"As rejeições são os cortes e arranhões psicológicos que machucam a pele emocional e penetram na carne", diz ele. Mesmo com a frequência das ocorrências, o rejeitado pode não conseguir formar uma carapaça --muitos sofrem tanto que a dor lhes inunda de raiva e solapa a autoestima.
Não é para menos, explica a terapeuta de casais Marina Vasconcellos. "O ser humano tem necessidade de ser aprovado, de ser aceito. Pertencer a uma sociedade, a uma família, é uma necessidade básica. E a rejeição tira esse direito. Fica um vazio."
A sensação é profunda, diz ela: "Dói no peito, parece que estão enfiando uma faca".
Não se trata de figura de linguagem. Em seu livro, Winch cita estudos que, por meio de ressonância magnética, mostram que a dor da exclusão social ativa no cérebro as mesmas áreas acionadas pela dor física.
O mesmo acontece em relação ao sofrimento amoroso, demonstrou trabalho mais recente, não citado no livro. Em pesquisa feita nos EUA, 40 pessoas que tinham recentemente levado um chute do parceiro foram submetidas a duas experiências: em uma, viram fotos de seus "ex"; na outra, receberam estímulos térmicos semelhantes ao de café quente derramado na mão. Nos dois casos, o cérebro deu respostas similares (veja ao lado).
As reações das pessoas, porém, são diferentes. Há os que simplesmente superam, vão em frente, mas também há os que caem na autocomiseração e na depressão. Sem falar nos casos em que a rejeição se transforma em raiva.
"É uma reação que pode vir da própria depressão. Você está indo para o fosso, então violentamente tenta sair do fosso", afirma a terapeuta de casais Tai Castilho.
Em 551 casos de homens que mataram suas mulheres nos Estados Unidos, quase a metade dos crimes ocorreu em resposta a uma separação, constataram cientistas citados no livro de Winch.
FRUSTRAÇÃO
As pessoas estão menos capazes de lidar com as rejeições impostas pela vida, avalia Araceli Albino, presidente do Sindicato dos Psicanalistas do Estado de São Paulo. "Há pessoas que acham que o mundo é uma grande teta e que todos têm de fazer o que elas querem", diz.
"O mundo contemporâneo propaga que é possível você ter tudo; se você não tiver, não alcançar, a frustração é maior", afirma Castilho.
Talvez por isso, diz Vasconcellos, as relações sejam mais instáveis. "As coisas estão mais passageiras. Em relações amorosas, as pessoas não investem o quanto deveriam investir. Se está difícil, já passam para outra."
Mas fica a dor. Que pode ser superada. "É preciso encarar a rejeição como um aspecto da vida. E reconhecer que você pode trilhar outro caminho para abrandar a dor", orienta Joel Rennó Jr., psiquiatra do Programa de Saúde da Mulher da USP.
Não que isso seja simples. Em muitos casos, é preciso buscar ajuda de um especialista. Mas o rejeitado também pode se ajudar. "Ouça o que as pessoas falam de você, e não apenas o que você pensa", diz Marina Vasconcellos. E não tenha vergonha de falar sobre o assunto, propõe Tai Castilho: "As pessoas não devem ficar trancadas".

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Reflita se o uso do celular prejudica sua relação amorosa

"Será que diante disso podemos pensar que se não bem utilizadas essas tecnologias podem te 'aproximar' de quem está distante de você, mas te afastar de quem está perto?" 

Os smartphones são uma revolução na vida de muitas pessoas, tanto no sentido de como resolvem as questões do dia a dia (pagamento de contas, ir para algum lugar mais facilmente e sabendo quanto tempo demorará, etc), bem como em relação aos relacionamentos de modo geral. 

Há inúmeros aplicativos que vão desde te auxiliar a conhecer novas pessoas para fazer amizade, para um relacionamento ou sexo casual, e até manter o contato com essas novas pessoas ou as já conhecidas.

A priori, abriu-se portas para as pessoas se manterem mais conectadas, tendo opções bem mais interessantes do que somente enviar um SMS ou fazer uma ligação tarifada. Você pode falar em tempo real por áudio e imagem, pode se corresponder por mensagens escritas ou de voz, pode falar e a mensagem para a outra pessoa é escrita pelo programa para você. Ou seja, há diversas formas de se comunicar que atendem a vários gostos (e bolsos) e podem ser utilizadas independente da distância. Basta uma conexão com a internet ou um 3G.

Podemos pensar então que, diante de tantos facilitadores na comunicação, as pessoas estejam mais próximas, mas nem sempre é o que se vê na prática.

Quantas vezes você já presenciou a cena de uma família à mesa e cada olhando para seu respectivo celular sem trocar uma única palavra entre si? Ou ainda um casal de namorados e cada um teclando em seu celular, sem trocar olhares ou carícias?

Recentemente, escutei de uma paciente minha que o marido passou o feriado (tempo que eles teriam para o lazer e descanso juntos) mais mexendo no celular do que estando com ela.

Será que diante disso podemos pensar que se não bem utilizadas essas tecnologias podem te "aproximar" de quem está distante de você, mas te afastar de quem está perto? 

Não seria desse modo então uma grande perda, se não for algo bem administrado?

Já presenciei inúmeras discussões, principalmente de casais, em que um acusava o outro por estar sendo preterido em prol do celular.

Esse é um ponto que precisamos deter nossa atenção, para que uma evolução, não se torne um problema.

Monitore quanto tempo você passa no celular e, principalmente, quando faz isso. 

Esse comportamento te atrapalha em estar com outras pessoas? 

Você acaba se "fechando" para os outros? 

A qualidade de suas relações cai? Caso a resposta para qualquer uma dessas questões seja positiva, então está na hora de você rever sua relação com seu smartphone, pelo bem das suas poucas relações.


Leia este texto também em Via Estelar.

Sete dicas para manter seu relacionamento amoroso em alta

"É fundamental que em um relacionamento os envolvidos possam falar assertivamente sobre o que incomoda"

Talvez uma das coisas mais prazerosas e mais difíceis em nossa vida sejam os relacionamentos amorosos. Obviamente que não é todo relacionamento que é feito para durar. No entanto, prestar atenção a alguns comportamentos ou aprender a desenvolvê-los, aumentam vertiginosamente suas chances de sucesso. Perceba o que você já faz que se enquadra nos tópicos abaixo e o que ainda precisa melhorar.


1º) Sejam companheiros 

Casais felizes têm interesses em comum, e se compartilhados, trazem contentamento e percepção de parceria. Além disso, fazer atividades que curtam, ajuda a sair da rotina do dia a dia, que se permitida, pode desgastar o relacionamento. Se tem filhos, reservem um tempo somente para o casal, do contrário, podem acabar se afastando um do outro.

2º) Sejam amigos

Se vocês não tiver ao lado alguém com quem goste de conversar, é muito provável que a relação não dure por muito tempo. Precisamos de alguém em quem possamos confiar, compartilhar tanto nossas ideias fúteis, mas, também nossas questões mais profundas. Alguém com quem sintamos prazer de contar as coisas. Se esse espaço não é criado dentro de uma relação amorosa, essa será pobre e corre-se o risco de só haver conversa quando for haver a famosa DR (Discussão de Relacionamento) e aí não há paciência que aguente.

3º) Cuidem um do outro 

Um relacionamento amoroso precisa se dar entre suas pessoas minimamente maduras e por isso nenhum dos lados deve adotar a postura de mãe ou pai, mas pequenos cuidados ou agrados, podem fazer com que o outro se sinta amado e isso preserva a relação. Coisas como: providenciar o jantar quando o outro chega tarde e cansado do trabalho, surpreender com aquele ingresso do filme ou show que o par comentou que gostaria de ver ou ainda levar o carro dele(a) na revisão quando ele(a) estiver com o tempo apertado são exemplos de comportamentos que fazem com que nos sintamos cuidados e que há alguém que se importa conosco.

4º) Resolvam as discussões

É fundamental que em um relacionamento os envolvidos possam falar assertivamente sobre o que incomoda. Guardar ofensas com receio de gerar problemas, com certeza, resultará em problemas maiores no futuro. No entanto, é imporante que possa descrever o que ocorreu sem culpabilizar ou ofender o outro (leia aqui texto sobre comunicação não violenta) e então, após ambas as partes se entenderem, encerrar o assunto e colocat um ponto final na conversa. Um comportamento que desgasta muito um relacionamento é alguma das partes (ou ambas) ficar retomando o passado e criticando o outro por algo que fez. Ou se trabalha o perdão (ler texto sobre perdoar X esquecer) ou então certamente essa relação minguará ou se tornará doente.

5º) Tenham planos em comum e trabalhem juntos para alcançá-los

Ter metas em comum une as pessoas. Elas se aproximam e se sentem parceiras quando se empenham conjuntamente para realizá-las; e isso é ainda mais verdade em um relacionamento amoroso.

6º) Atração

A vida sexual em um relacionamento é um ótimo termômetro de como ele está. Casais que não transam ou que diminuíram essa frequência, geralmente demonstram que a parte da atração está se extinguindo e, desse modo, a relação está se encaminhando mais para uma amizade do que para um relacionamento amoroso. Amor e sexo precisam caminhar juntos pois, um é a continuação do outro e, juntos, se completam. Por isso cuidem dessa parte: deixem as crianças com os avós de vez em quando, produzam-se um para o outro, façam surpresas em alguns momentos, experimentem algo diferente.



7º) Dêem liberdade um ao outro 

Relação alguma sobrevive quando vira obrigação, portanto as pessoas precisam se sentir no direito de escolher o que querem fazer e, se optam por estar juntas, o fazem por vontade própria. Há momentos e que ambos poderão sentir o desejo de fazer algo sozinhos ou com outras pessoas; e isso não quer dizer que acabou o amor, mas sim, que a individualidade permanece; e isso ajudará a trazer novidades, além de saudade para a relação. Lembre-se: "O amor é isso. Não prende, não aperta, não sufoca. Porque quando vira nó, já deixou de ser laço." (Mário Quintana).


Leia este texto também em Via Estelar.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Por que de modo geral as pessoas não se preparam para os relacionamentos amorosos?

"Desentendimentos e discussões esporádicas são normais; todo dia, ou toda semana, não"

Se você perguntar para diversas pessoas o que elas almejam para suas vidas a grande maioria dirá, como um de seus principais objetivos; ter um relacionamento amoroso. 

Alguns buscam uma relação mais profunda e duradoura e outros relações mais breves e, sem tanto envolvimento mas, de maneira geral os seres humanos desejam ter alguém ao seu lado.

Se estar em um relacionamento amoroso é algo assim tão importante, por que então o que vemos por aí são tantos relacionamentos "desamorosos"? 

É incrivelmente mais comum encontrar relacionamentos desarmônicos, disfuncionais, distantes e repletos de conflitos frequentes do que o contrário.

Sim, compartilhar um vida com alguém não é tarefa nada fácil. Tomar decisões conjuntamente, morar sob o mesmo teto e dividir a mesma cama, lidar com as manias do outro etc. Estas são apenas algumas das inúmeras questões que estão envolvidas no estar junto.

No entanto, se namorar, noivar e casar fosse percebido como algo tão ruim assim, esse não seria uma das grandes vontades de tantos. Mesmo quando alguém termina um relacionamento, seja ele breve ou longo, ainda assim, em sua maioria, vislumbra ter um outro e não ficar só.

O que acontece então que os anseios parecem tão diferentes da realidade?

O que percebo é que muitos de nós conseguimos, mesmo que com algum esforço, dar um jeito de funcionar razoavelmente bem na vida cotidiana quando não estamos em um relacionamento amoroso. Vamos varrendo alguns problemas e dificuldades para debaixo do tapete, saímos para a balada e esquecemos nossas angústias e sofrimentos, corremos com as coisas do trabalho e não sobra muito tempo para olhar para dentro de nós. E assim conseguimos levar o dia a dia, até que apareça alguém com quem desejamos passar mais tempo juntos. Geralmente após alguns meses ou semana (senão antes) a lua de mel do início, já começa a se transformar num verdadeiro caos. 

Alguns insistem em seguir em frente mesmo assim, e outros resolvem abrir mão, pois percebem o rumo pouco saudável que isso está tomando.

Sim, é provável e até esperado que diversos relacionamentos não vinguem, mas isso não quer dizer que os que terminam precisam fazê-lo por conta da relação ter se tornado prejudicial e, muito menos que os que vingam, tragam sofrimento para o casal.

Desentendimentos e discussões esporádicas são normais, todo dia, ou toda semana, não.

Afinal, o que ocorre então?

Na minha percepção é que as pessoas desejam muito ter um relacionamento amoroso, mas pouco se preparam para isso.

Quando alguém quer muito passar no vestibular para determinada profissão se dedica a isso: estuda bastante, presta atenção às aulas, faz cursinho.

Quando alguém quer subir de cargo em um empresa busca mais informações sobre essa posição, melhora seu networking com pessoas que possam auxiliá-lo nisso, faz sessões de coaching, implementa habilidades como idiomas ou inicia uma pós-graduação.

Por que então se um relacionamento amoroso é algo tão central e importante para tantos, essas pessoas não fazem nada ou quase nada para garantir o sucesso dessa empreitada? 

O que difere essa meta de tantas outras?

Um bom relacionamento não se dá por sorte, mas sim por empenho de ambas as partes e, principalmente por ambos estarem minimamente maduros, conhecedores de si mesmos e terem trabalhado seus pontos fracos.

Não faz parte do amor eu exigir que meu companheiro ou companheira ature meu mau humor ou meu ciúme descomedido. Mas, sim faz parte do amor e da preparação para meu futuro relacionamento amoroso eu perceber que sou mal-humorado ou que sou muito ciumento, aceitar isso e procurar maneiras para melhorar isso. Posso fazer psicoterapia, buscar literatura a respeito, me inscrever em workshops que promovam autoconhecimento e me ajudem a desenvolver ferramentas para lidar com minhas dificuldades. O como não importa, o que importa é eu me empenhar em buscar estratégias que me auxiliem a ser alguém mais centrado, seguro, maduro e autoconsciente. Desse modo estarei mais preparado para construir relacionamentos mais saudáveis e funcionais e com mais chance de sucesso.


Leia este texto também em Via Estelar.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Amor é construção, diferente da paixão que não exige nada de nós

"Casais que se amam, se esforçam por agradar o outro..." 

Não é o amor que sustenta o relacionamento. É o modo de se relacionar que sustenta o amor.

Pergunte às pessoas que você conhece... a grande maioria dirá que tem como desejo, em algum momento da vida, encontrar seu grande amor para poder viver o felizes-para-sempre.

Muitos idealizam o amor e o veem como o grande responsável pelos relacionamentos de sucesso. Isso não é um engano. No que as pessoas se enganam, é acharem que o amor mantém o relacionamento e não a maneira de se relacionar que mantém o amor.
Amor é construção, é diferente da paixão a qual não exige nada de nós, somente acontece, sem precisamos fazer nada para isso. Para o amor florescer é preciso ter empenho; é preciso se esforçar e trabalhar para então gerar esse sentimento.
Os relacionamentos podem durar (e duram) um determinado período enquanto as pessoas estão apaixonadas. Cajo não haja alguns cuidados, certamente o relacionamento falhará tão logo a paixão se esvaneça.

Então o que faz uma relação durar?

- Amar exige esforço e construção
- Ter a intenção e a postura de cuidar desse relacionamento e da outra pessoa envolvida;
- Casais que se amam, se esforçam em agradar o outro, em fazer coisas que deixem o outro feliz;

- Auxiliam o outro em momentos de maior dificuldade;

- Esforçam-se para resolver brigas e discussões quando essas acontecem e procuram perdoar;

- Esforçam-se em ser carinhosos mesmo quando estão cansados;

- Esforçam-se para ter comportamentos gentis e de cuidado - voluntário e consciente.

É isso tudo que mantém os relacionamentos. É isso que mantém o amor.
Amor não é causa, é consequência!

Reflita sobre isso e aplique em seu relacionamento amoroso.

Leia este esse texto também em Via Estelar.



sexta-feira, 27 de março de 2015

Mostrar-se vulnerável ao outro pode ser positivo

"O quanto você cria desfechos terríveis na sua cabeça sem ao menos ter alguma evidência com base para isso?" 

Se perguntarmos a alguém qual é a frequência em que se permite ficar vulnerável, é muito provável que responda: o mínimo possível. Aliás, até evita essas situações.

Percebemos a vulnerabilidade como um momento de desconforto, no qual nos sentimos expostos ao outro, temendo que esse possa nos ferir emocionalmente.
No entanto, se buscarmos em nossa memória lembranças de bem-estar junto a outras pessoas, há uma grande probabilidade de que as situações que nos venham à mente sejam junto de pessoas com as quais nos sintamos a vontade, próximos e, por que não, vulneráveis?

Como é se lembrar de algum momento em que tenha se arriscado a dizer seus sentimentos amorosos para alguém ou ainda poder se abrir sobre algo que estava te machucando?
Pode haver medo presente nessa memória, mas também um alívio ou até alegria após baixar a guarda e se mostrar vulnerável.

Desse modo, percebemos que passamos a maior parte do tempo nos protegendo do possível julgamento dos outros, da possibilidade do sentimento de alguém a quem se considera especial não ser recíproco.

Resumindo: estamos o tempo todo fugindo da rejeição, mesmo sem saber se ela está lá ou não.

Você já parou para pensar quanta energia despende nisso?

Quantas boas oportunidades pode ter perdido?

O quanto de tempo pode ter desperdiçado?

O quanto você cria desfechos terríveis na sua cabeça sem ao menos ter alguma evidência com base para isso?

Permitir-se viver colocando-se mais em situações de vulnerabilidade emocional pode parecer uma aventura grande demais mas, na realidade, nos leva a nos aproximarmos de nosso lado mais humanitário, bem como estreitar os laços afetivos com outras pessoas.

Aprendemos a viver em uma realidade de aparências na qual nos engessamos; são pouquíssimos aqueles que nos conhecem verdadeiramente e, somente com esses, sentimo-nos realmente à vontade.

Convido-os à reflexão de como seria vivenciar mais momentos de vulnerabilidade e se o risco pode valer os resultados alcançados com essa atitude.

Lembre-se de quando você sentiu aquele frio na barriga para dizer algo que sentia e como ficou depois independente do resultado.


Leia esse teto também em Via Estelar.



terça-feira, 25 de novembro de 2014

Como expor um problema ao parceiro?

"A melhor maneira de resolver problemas é conversar sobre eles." 

Todos os casais têm problemas, o que difere se eles conseguirão ficar juntos é o modo como os resolvem e também como lidam com suas diferenças. 

Há casais que quando surge alguma divergência ou algo que incomoda se afastam um do outro e não falam sobre o ocorrido. Há outros que discutem e "resolvem" a discussão ficando sem se falar ou ainda sempre indo o mesmo lado se desculpar. Ou seja, é sempre a mesma pessoa que vai atrás para tentar resolver a situação.


Com o tempo isso vai desgastando a relação e, "água mole em pedra dura, tanto bate até que fura"; ou seja, às vezes se chega a um resultado que não tem mais volta.

A melhor maneira de resolver problemas é conversar sobre eles. Explane ao outro de forma assertiva - nunca agressiva - o que aconteceu e como está se sentindo frente ao comportamento do outro.

Isso não deve ser utilizado como uma acusação, mas como uma maneira de deixar o outro saber o que está se passando com você, já que ninguém faz leitura mental.

De modo geral, as mulheres tendem a falar mais de suas emoções e, muitas vezes, querem conversar para falar sobre elas. Homens por outro lado, tendem a ser mais objetivos. Falam sobre fatos e conversam no intuito de encontrar solução para as coisas.

Desse modo, é comum a mulher achar que seu companheiro não se importa com seus sentimentos pois, ao conversar com ele, contando como está se sentindo, ele tende a responder com alguma ideia para resolver a questão. Já o homem pode compartilhar querendo auxílio com alguma solução e ficar frustrado com a pouca objetividade da conversa.

Como expor um problema ao parceiro?

Uma forma de facilitar a conversa entre ambos e não causar frustrações, é deixar claro ao iniciar a conversa o que se está querendo com ela. Ex. "Eu preciso desabafar, contar como estou me sentindo. Quero somente que me escute e me ampare" ou "Preciso encontrar uma solução para esse problema e gostaria de sua ajuda para pensar nisso junto comigo". Com essa abordagem, a chance de ruídos na comunicação diminui bastante.

Fique atento à comunicação em seu relacionamento. Quanto menos ela estiver acontecendo, maior a chance de um rompimento no futuro.


Leia este texto também em Vya Estelar.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Quanto mais bem-sucedida, maior a dificuldade de arrumar um companheiro

"O desafio agora é: retomar a receptividade e sensibilidade do feminino"


É cada vez mais comum ouvirmos falar em divórcios e casamentos desfeitos, bem como em inúmeras dificuldades nos relacionamentos amorosos. Dentre as mulheres, muitas sozinhas, com o mesmo discurso comum de "não encontro o homem certo". 

Afinal, o que está acontecendo?

Obviamente não serei leviana em querer encontrar uma única explicação para esse cenário. São diversas mudanças que ocorreram ao longo dos anos, as quais trouxeram ganhos por um lado mas, perdas por outro, dentre elas: libertação sexual, o "ficar", aumento do individualismo (com diminuição da valorização do coletivo e da família) etc. Nesse texto irei me ater a mudança nas crenças e comportamentos das mulheres.

A maioria de meus pacientes é constituído por mulheres, desse modo posso dizer que tenho uma amostra significativa do que se passa com elas nos dias atuais. Muitas estão solteiras e, parte das que estão em um relacionamento, estão insatisfeitas. 

Percebo mulheres capazes, independentes e bem-sucedidas se queixando da falta de um companheiro que as acompanhe. Quando digo "acompanhe" me refiro ao crescimento profissional, aos ganhos financeiros, na autonomia quanto às suas coisas pessoais: morar sozinha, cuidar do seu espaço...

As mulheres de modo geral, tiveram muitas conquistas recentemente mas, não na área amorosa; parece que esse quadro piora na medida em que a mulher se torna mais bem-sucedida e autônoma. Além da tendência de muitas mulheres perceberem diversos homens como "fracos", uma vez que diferente desses, conseguem assumir uma postura multitarefa com êxito (ser profissional, dar conta de uma casa - mesmo que muitas vezes contratando uma secretaria do lar, sustentar-se, ser mãe, etc), acabam dessa maneira não "precisando" de um outro e, diante disso, passam a se virar sozinhas. Isso influencia a parte emocional, de modo que essas mulheres se fecham para a vulnerabilidade e intimidade emocional. Assim, os relacionamentos não têm como acontecer.

As mulheres mudaram o cenário de suas próprias vidas e de uma sociedade mas, estão pagando um preço bastante alto pelas suas conquistas. Talvez na tentativa de se equiparar aos homens, tenham se saído tão bem, que se tornaram também mais racionais e renegaram sua parte mais sensível.

O desafio agora é: retomar a receptividade e sensibilidade do feminino (pedindo e aceitando ajuda, permitindo-se se envolver, podendo ser frágil) sem abrir totalmente mão da autonomia e independência.

Leia esse texto também em Via Estelar.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Sente-se mal em ficar só? Ter autoconhecimento pode te ajudar

"Quando eu compreendo quem sou, meus gostos e preferências e me permito praticá-los, passo então a ter uma relação mais amigável e prazerosa comigo mesma"Hoje, trago uma importante reflexão acerca dos relacionamentos amorosos.
Estar com outra pessoa não é algo fácil. Todos temos nossa história, hábitos, opiniões e gostos. Além do mais, fomos educados de uma determinada maneira em uma cultura específica. Fora isso, temos nossa personalidade e também nossos medos, dificuldades, problemas ... Temos nossa família, amigos, trabalho, religião, entre outras tantas coisas.

Se já é complexo para nós mesmos lidarmos com todas essas questões. O que dirá então, quando se busca compartilhar momentos, decisões, situações e a vida com outra pessoa?

Mas, mesmo com todo esse pacote, temos o instinto de procurar estar com alguém. Dessa maneira, vemos a grande maioria das pessoas ou em algum tipo de relacionamento amoroso ou desejando ter um.
Estar em uma relação amorosa ou buscar uma não é de modo algum um problema. Essa busca ou desejo se torna um problema quando fazemos isso para fugir de ficarmos sozinhos, solteiros e solitários.

Para algumas pessoas o simples fato de pensar em ficar só já gera ansiedade, angústia, medo e tristeza. É por isso que há quem pule de uma relação rapidamente para outra, repetindo esse padrão de pular de galho em galho; ou ainda, há aqueles que mesmo em uma relação que traz sofrimento, que não é frutífera, saudável ou prazerosa, ainda assim se mantém nela.

Como já descrevi em outro texto (veja aqui), para podermos partilhar um bom relacionamento de casal, precisamos primeiro constituir nossa individualidade, ou seja, para sermos dois, precisamos primeiro ser um.
Se eu não me estabeleço como pessoa e não assumo minhas responsabilidades, bem como não tenho um bom relacionamento comigo mesma, como posso querer estar em comunhão com outra pessoa? Na verdade, o que estou fazendo é entrar em um relacionamento amoroso para fugir de mim mesma.

Se tenho muita dificuldade em lidar com questões emocionais ou mesmo práticas do dia a dia, posso buscar um relacionamento para que o outro resolva as coisas por mim ou ainda por sentir um incômodo muito grande em ficar só.

Por que ficar só é tão desconfortável para algumas pessoas?

Estar sozinho, é estar consigo mesmo. Estar em contato com todo esse pacote de coisas que citei acima, sem a distração de si, (que pode ser gerada por um outro quando estamos em relação), ou seja, é você com você mesmo. E por que isso é motivo de tanta aversão? Porque é insuportável ter a si mesmo como companhia.

Pergunto então:

- Se a percepção que tenho é que nem eu mesma consigo ficar comigo, como outra pessoa fará isso? Ou ainda, a que deveria me submeter para conseguir manter um relacionamento amoroso?
Se a relação é uma fuga de si, então fatalmente ela não será benéfica para um dos lados ou até para ambos. Para ter uma boa base, para estabelecer um relacionamento amoroso, o primeiro passo é estar nele por desejo e não por necessidade.

Isso quer dizer que eu escolho estar com outra pessoa porque me faz bem estar com ela e estar junto é melhor do que estar separado. Mas, para isso eu preciso primeiro me sentir bem comigo mesma e ter prazer em estar em minha companhia. Não preciso do outro mas... opto por estar com ele.

Se tenho aversão a ficar sozinha, então passo a precisar estar em uma relação; não necessariamente em um relacionamento amoroso, mas sempre buscando fugir de ficar só e, para isso, procurando compulsivamente a presença ou o contato com outras pessoas (amigos, familiares, contatos virtuais, etc...). Assim, fica-se quase que como viciado em relacionamentos, não suportando estar consigo mesmo.

É por isso que inúmeras pessoas ficam em relacionamentos ruins ou não têm coragem de terminar um relacionamento até que haja outro em vista. Posso não gostar mais do meu cônjuge, pode haver traições, pode haver brigas constantes e desrespeito mas, ainda assim, escolho não terminar porque tenho pavor de ficar só.

Como sair dessa situação?

Para podermos ficar bem sozinhos, para podermos ter um relacionamento saudável ou ainda para conseguirmos finalizar um relacionamento falido, precisamos gostar de estar conosco e termos autoconfiança. Isso quer dizer ter prazer e/ou tranquilidade em fazer coisas em sua própria companhia ou talvez até não fazer nada. É ficar em paz, mesmo que não haja outra pessoa com você. É ter segurança em si, que saberá lidar com as situações que possam acontecer.

No processo de terapia cognitivo-comportamental há duas maneiras de trabalhar a dificuldade de ficar só:

1ª) Através do autoconhecimento saber melhor do que gosto e não gosto, o que quero e não quero e aprender a resolver meus problemas sozinha;

2ª) O treino de exposição graduada. Esse consiste em entrar em contato, gradualmente, aumentando aos poucos o nível de dificuldade com situações aversivas ou difíceis.

Nesse caso, o treino pode consistir em, por exemplo, se a pessoa gosta de filmes, assistir a um filme sozinha em casa; posteriormente ir ao cinema sozinha uma vez e então criar uma frequência em fazer essa atividade sozinha.

Se a pessoa teme uma determinada situação, ela vai pouco a pouco se expondo a essa e lidando em terapia com os conteúdos que vão aparecendo em função disso. Ela percebe então que estar só, não é sentir solidão. Que solidão é uma percepção negativa que ela tinha a respeito de ficar sozinha. Solidão é então um adjetivo que eu posso colocar no "substantivo só", bem como também usar o "adjetivo liberdade".
Quando eu compreendo quem sou, meus gostos e preferências e me permito praticá-los, passo então a ter uma relação mais amigável e prazerosa comigo mesma.

Estar só é agradável. E aí estar com outra pessoa, terá que ser melhor do que ficar sozinha.


Leia este texto também em Via Estelar.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

O que seria um bom relacionamento amoroso nesse mundo tão individualista?

"Como ficam então os relacionamentos amorosos diante disso, uma vez que são duas pessoas envolvidas e cada uma interessada em seu próprio bem-estar?"
Crescemos ouvindo histórias de contos de fadas nas quais geralmente há um príncipe e uma princesa (ou personagens semelhantes a esses), os quais passam por situações difíceis e lutam com vilões para no final casarem-se e viverem felizes para sempre.

Os contos nos mostram a relação do casal enquanto há algo que os mantêm separados. Mas... e quando eles finalmente ficam juntos? Se pudéssemos saber da história dos cônjuges após o "fim" dos livros, como ela seria?

Inúmeros pacientes em momentos do seu processo terapêutico queixam-se de dificuldades em seus relacionamentos amorosos, bem como recebo e-mails relatando a mesma situação e conheço também pessoas do meu convívio social no mesmo contexto. Diante disso já me fiz muitas vezes a mesma pergunta:
- O que é um bom relacionamento amoroso?

Acompanhando a história percebo que mais ou menos até a década de 70, havia muito menos divórcios do que há atualmente. Isso demonstra que os casais eram mais felizes? Que eles se amavam mais? Talvez tenhamos que ampliar nosso olhar para responder essas perguntas.

Antigamente valorizava-se mais a estabilidade, a segurança e a dedicação. Atualmente, os valores humanos estão mais voltados para sucesso pessoal e profissional, acúmulo de capital e rapidez nas coisas. Não é à toa que nos tornamos mais competitivos e individualistas. Estamos muito preocupados com a busca pela felicidade e retirando de nosso caminho qualquer situação que não contribua prontamente com esse objetivo.

Desse modo vemos que há muita rotatividade nos empregos e também nos relacionamentos. Nos questionamos se aquilo nos deixa alegres e, caso não o faça, procuramos rapidamente alguma outra coisa.

O "ficar" é um fenômeno relativamente recente e um exemplo disso. Através dele, temos a chance de experimentar estar com uma ou mais pessoas em um grau grande de intimidade (física pelo menos) em um curto espaço de tempo, podendo a qualquer momento desvencilhar-se dessa relação. Percebe-se assim que temos muito mais oportunidades de vivenciar diferentes experiências mas, isso não parece nos tornar mais felizes. O que está acontecendo então?

Percebo que há uma grande valorização em relação ao bem-estar pessoal e a urgência de que as coisas ocorram rapidamente. A princípio, isso não é necessariamente ruim. No entanto, o que vejo é que acabamos tendo muito menos tolerância à frustração do que as gerações anteriores. Isso faz com que desenvolvamos uma dinâmica de que precisamos ser atendidos e, caso isso não ocorra como queremos, descartamos aquilo que nos frustra e buscamos rapidamente alguma outra coisa para ocupar esse espaço.

Como ficam então os relacionamentos amorosos diante disso, uma vez que são duas pessoas envolvidas e cada uma interessada em seu próprio bem-estar?

Não me recordo de nenhum relacionamento em que não haja conflitos, discussões, discordâncias, brigas, etc...

Desse modo podemos concluir que os relacionamentos amorosos não são situações saudáveis?

As relações amorosas seriam um empecilho para o desenvolvimento pessoal?

Penso que talvez justamente essa percepção que cause tantas perturbações nos relacionamentos. Quando vemos o outro como um trampolim para a nossa felicidade ou como um obstáculo a ela, podemos ter a certeza de que haverá problemas. Ninguém foi feito para atender a demanda do outro, bem como nós também não nos encaixamos perfeitamente nos desejos do que o outro idealiza.

Se a ideia que norteia a busca por uma relação amorosa for a de encontrar alguém que se adeque exatamente aos critérios estabelecidos, fatalmente essa busca falhará, pois príncipes e princesas encantados, que proporcionem finais felizes, só existem mesmo nos contos de fadas.

Somos todos humanos com predisposição a errarmos, além de termos históricos de vida com experiências, educação, famílias, amigos etc... muito diferentes uns dos outros.

Dessa maneira após a paixão, todos seremos percebidos com nossas falhas e diferenças e, se a única força que mantinha o casal junto era a paixão, o relacionamento findará. Por outro lado, se houver a intenção da construção de algo mais sólido, o intuito de lidar com as dificuldades que aparecerem, a vontade de insistir frente aos possíveis problemas, o desejo de fazer as coisas darem certo, aí sim estaremos falando de amor e da possibilidade de uma relação duradoura. Para isso, paciência, tolerância, flexibilidade, dedicação, compartilhamento, abertura e confiança são só alguns dos pontos essenciais que devem estar presentes diariamente em um relacionamento amoroso.

Uma postura egoísta ou individualista não combina com uma relação amorosa. Não é o amor que mantém as atitudes em um relacionamento, mas sim as atitudes que mantêm o amor.

Leia este texto também em Via Estelar.