quinta-feira, 23 de junho de 2016

Não deixe o passado ditar o presente e o futuro

"Não se feche em um muro de regras"

A ideia do texto de hoje é refletirmos o quanto permitimos que o passado dite nosso presente e futuro. 

Quantas vezes você já ouviu alguém dizendo que por ter vivenciado "x" situação no passado, então não faz mais isso hoje ou alguém que nunca mais fez "y" coisa porque fez e deu errado.


Alguns exemplos concretos são: "não demonstro mais meus sentimentos, porque o fiz com meu ex-namorado e me machuquei"; "nunca mais conto meus segredos para ninguém, pois confiava na minha amiga e ele me traiu"; "não trabalho mais com chefe mulher, porque a que eu tinha atazanava a minha vida" etc.

Esses todos são exemplos de regras que criamos diante de alguma situação no passado que não foi boa. Sim, precisamos aprender com os erros e utilizá-los para nos aprimorar, mas se agarrar a regras absolutas diante de situações relativas: Todos os namorados machucam as namoradas quando elas se abrem emocionalmente? Todas as amigas contam os segredos umas das outras? Todas as chefes mulheres são terríveis? para se proteger de possíveis novos sofrimentos só necessariamente criará outros.

Quantas e quantas pessoas se prendem há algum acontecimento no passado como se o evento do passado determinasse todos os eventos futuros. Como sendo causa e efeito. Passam a vida continuamente se lembrando do que ocorreu e se esquivando de que isso possa ocorrer novamente. Desse modo o sofrimento continua se propagando, mesmo muito tempo após aquela situação ter acabado, já que a lembrança é despertada com frequência e, além disso, há perdas no presente pelas esquivas que são feitas.
Como se desprender dessas amarras?

Precisamos pensar, que na realidade somos nós que continuamente vamos construindo e reconstruindo novas situações que nos lembram a(s) antiga(s). Quando por exemplo estou carente e me abro com alguém que mal conheço e nem tive tempo para criar um laço de confiança, posso estar repetindo o mesmo caminho do passado. Se acabo me envolvendo com o mesmo padrão de homem nos relacionamentos que tenho, o problema não está em demonstrar meus sentimentos, mas sim, a quem faço isso. Se tiver o azar de ter uma chefe chata e me nego a ser subordinada à qualquer outra mulher, posso perder boas oportunidades de trabalho e de crescimento pessoa e profissional.

A questão é muito mais melhorar seus filtros (sua percepção) e suas habilidades sociais do que se fechar dentro de um muro de regras. Até porque, muitas vezes, justamente aquilo que mais nos concentramos em evitar, pode ser justamente o que nós mesmo criamos (vide texto profecia autorrealizável).

Faça uma lista das regras que você criou para você mesmo(a), perceba o quanto elas são ou podem ser relativas, permita-de testar a validade das mesmas e desafiá-las.


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Quando nasce uma mãe, nasce uma culpa...

"É normal sentir raiva do seu filho" 

Dizem que quando nasce uma mãe, nasce a culpa. Consegui compreender essa expressão em profundidade quando me tornei mãe. Ser mãe e sentir-se culpada caminham de mãos dadas. A culpa consegue encontrar as mais diversas frestas para se instalar.


Para algumas mães aparece por não ter conseguido amamentar o quanto queria, para outras a culpa é por ter feito cesárea, a culpa também vem por que o bebê caiu do berço ou por que a criança caiu da cama que ainda estava sem grade; culpa por ter se trancado no banheiro por um minuto para ter um pouco de sossego e conseguir fazer um xixi sem alguém grudado na perna, também por ter gritado ou por ter colocado de castigo ou ainda por ter dado algumas batatas fritas no restaurante só pra conseguir engolir a comida com um pouco mais de tranquilidade. Enfim, a culpa ronda o tempo todo e parece que não há como se livrar dela.

Por mais que nos esforcemos e nos desdobremos para fazermos o nosso melhor, ainda assim sempre há algo que na nossa percepção não saiu como deveria.

Recentemente uma mãe escreveu um texto no Facebook expondo como se sentia com relação à maternidade e o quanto para ela estava muito distante de ser mil alegrias. Foi alvo de inúmeras críticas. Como pode então uma mãe conviver com tantas perdas, dores e dissabores que estão contidos na maternidade, se ela não pode ser verdadeira com seus sentimentos? Não é à toa que a culpa aparece a todo momento; como uma forma de calar toda e qualquer manifestação que não seja ficar o tempo todo pajeando o bebê ou a criança.

Sim! Bebês e crianças precisam de cuidado - e MUITO! - e não é à toa que são tão bonitinhos e cativantes (como uma sábia maneira que a natureza encontrou de nos "enfeitiçar"), mas é justamente pela constante e rígida atenção que eles nos exigem, que as mães PRECISAM conseguir respirar com mais leveza e viver com menos culpa.

É normal:

É normal sentir raiva do seu filho.

É normal querer fugir dele e ficar só.

É normal querer fazer coisas sem ele.

É normal não querer mais amamentar.

É normal querer ficar com o marido ou namorado sozinha.

É normal querer dormir até mais tarde sem um choro que te acorde.

É normal querer viajar sem o filho. Sim!

Tudo isso e mais outras tantas coisas são perfeitamente normais e não fazem de você uma mãe ruim, relapsa ou rejeitadora por ter esses desejos ou comportamentos.

Viramos mães, mas não deixamos de ser esposas/namoradas, profissionais, amigas, amantes, etc. No entanto, a maternidade chega como um furacão e de repente parece que nada mais passa a ter espaço em nossas vidas e aí vem o luto, a tristeza, a falta da vida de antes, associada com um pequeno ser tão maravilhoso e amado que não te deixa um só minuto.

Faz sentido agora a confusão emocional diante desse turbilhão de informações?

Para lidar melhor com esse momento (que na verdade será eterno, porque jamais deixaremos de ser mães), poder conversar e realmente se abrir em ambientes sem julgamento é uma das melhores estratégias. Desde grupos de mães (presenciais ou online), até encontrar uma psicoterapeuta na qual você confie, e que realmente seja ética, irão te auxiliar a revisitar todas essas questões que te trazem tanta culpa e poder. E finalmente, assumir que sim, você ama seu bebê/filho(a) e que junto com isso você também sente falta de tantas e tantas coisas na sua vida, principalmente da sua liberdade (de tempo, de expressão, de não ter tanta responsabilidade).


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Raiva: sentimento não é causado pelo outro, mas por frustração

"... meu ego está ferido ..." 

Você já parou para pensar no que faz com que você fique com raiva? Percebe o que há em comum a todas as situações que te deixam com raiva? Pois, tire alguns minutos e reflita. Tente se lembrar do que passou na sua cabeça diante dos eventos que te deixaram bravo(a) ou irritado(a). Agora, questione-se sobre o que as suas percepções apresentam de semelhante.

Pois bem, se buscar um ponto em comum a todas as situações que nos deixam com raiva, teremos o seguinte denominador: alguém não fez algo do modo como desejaríamos que tivesse sido feito. Ou seja, fomos contrariados na nossa vontade.

Todas as situações que filtradas através da nossa percepção resultam em um sentimento de raiva, têm como ponto de interseção a questão de não termos sido atendidos em nossa expectativa, planejamento ou desejo; ou seja, algo saiu diferente do que gostaríamos.

Quando compreendemos isso, podemos dar uma passo além de somente ficarmos bravos, ofendidos ou brigarmos; podemos aprender sobre nós mesmos e sobre a situação e lidar com a mesma de outro modo.

Se compreendo que minha raiva não é do outro, mas de ele ter frustrado minhas expectativas, posso por exemplo, não sair atuando minha agressividade e causar uma briga, discussão ou ainda ofender. Posso também compreender que meu ego está ferido por conta de minha vontade não ter sido atendida ou de eu ter sido contrariado de alguma maneira e resolver o ocorrido de um maneira menos infantil e mais madura. 

Somente o fato de perceber, nos diferentes contextos do dia a dia, o real motivo de minha raiva, já me empodera a me comportar de outra maneira, já que geralmente ter essa constatação diminui instantemente a raiva, e assim, abre espaço para uma reflexão mais acurada.

Essa é uma estratégia simples, mas bastante poderosa para nos auxiliar a sermos pessoas melhores e construirmos relações mais saudáveis mediadas por muito menos conflitos desnecessários. 

Pratique e perceba o resultado.


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Por que não consigo obter satisfação no dia a dia?

"Realização dá trabalho e pouco prazer..." 

Percebo atualmente que é muito comum a mentalidade de focar-se na satisfação ou em obter satisfação. O que quero dizer com isso é que muitas pessoas fazem as coisas pensando que por fazê-las, elas merecem receber alguma gratificação. Essa estratégia ajuda na motivação, mas o foco fica no "presente" que virá por ter feito determinada coisa. Trabalhar visando o salário, ajudar alguém visando o agradecimento, arrumar algo visando o elogio, são atitudes perigosas, se comuns e corriqueiras em nossas vidas.


Se nos pautamos na ideia de que precisamos nos gratificar pelas situações pelas quais passamos ou de que "eu mereço X coisa porque fiz Y", passamos a nos relacionar com a vida através de recompensas as quais duram somente enquanto o estímulo estiver lá. Ou seja, depois que o sorvete acaba, o sapato ou o carro já não é mais novo, não temos mais nada que nos agrade. Fica um vazio. E, diante desse vazio, podemos sucumbir a novamente procurar um novo estímulo para preenchê-lo. Assim pode nascer uma compulsão, além de ansiedade, enquanto não se tem aquele "objeto", e até angústia, uma vez que a vida se resume a satisfações momentâneas.

Por outro lado, se passamos a focar mais em obtermos realização, a construção se dará de modo completamente diferente.

Para nos sentirmos realizados, precisamos primeiramente nos conhecer minimamente para saber do que gostamos, que habilidades temos e o que queremos aprender/conhecer mais.
Diferente da satisfação que tem duração de curto prazo, e é algo externo a nós, na realização nós nos empoderarmos, pois fazemos algo o qual, já durante o processo, nos traz bem-estar e, através do resultado construído e atingido por nós - ficamos felizes e gratos. É um sentimento que perdura muito mais, até no futuro quando você se recordar de algo que tenha feito, poderá relembrar da boa sensação sentida na situação.

Fazer coisas que nos realizam é muitas vezes trabalhoso: estudar, arrumar a casa, montar uma miniatura de avião, escrever um livro, tricotar um cachecol... diferentemente da obtenção da satisfação que não requer praticamente esforço nenhum. Esta estratégia contribui para termos um bom autoconceito (autoimagem) e, consequentemente, reforçam a nossa autoestima. É algo que previne a depressão, por conta de trabalharmos nossa crença de capacidade e nos sentirmos mais autoconfiantes, além de termos mais estabilidade emocional, já que esta depende muito mais de nossas ações do que de outros ou de coisas externas a nós.

Para começar a colocar isso em prática é simples: pergunte-se quais são as coisas que lhe são importantes fazer? Não quer dizer que elas te deem prazer a curto prazo, mas sim, que após realizá-las, você se sentirá com sensação de dever cumprido, de que fez a sua parte, de ter finalizado algo significativo para você.

Assistir a um filme é algo que pode nos trazer prazer e satisfação, mas dificilmente é algo que te trará realização, a não ser que você tenha se proposto a assistir àquele filme para fazer algum trabalho com ele ou como alguma meta pessoal. Já arrumar o armário ou levar o carro para a revisão é algo que não traz nenhum prazer em curto prazo, mas após finalizar essa tarefa, você se sentirá bem consigo mesmo, orgulhoso de si.
Então, essa é mais uma dica que difere ambas as coisas: satisfação nos traz prazer no curto prazo, mas o prazer acaba quando o estímulo termina. Realização dá trabalho e pouco prazer, mas uma sensação boa que perdura depois.

Procure ter ambos em sua vida; talvez um pouco mais de realização do que satisfação. Desse modo você viverá de maneira mais plena e equilibrada.


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Por que é comum ouvir dizer que uma criança tem TDAH?

"Algo que temos em comum com a cultura americana é a explosão da utilização dos eletrônicos como smartphones..."

Muito se fala atualmente sobre Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH); virou o diagnóstico da vez para as crianças. Problemas de comportamento, notas baixas na escola e outras dificuldades de modo geral são muitas vezes atribuídas a isso.

O que pode estar por trás dessa atribuição em massa para esse diagnóstico?


Primeiramente vejo que quando há algum "problema do momento" como por exemplo, a dengue, toda diarreia e dores no corpo já são percebidos com um olhar parcial e enviesado influenciados pela frequência dessa ocorrência no meio em que a pessoa vive.

O mesmo ocorre com os transtornos psíquicos mas, com o grande diferencial de que, para "fechar o diagnóstico", não há exames laboratórios e sim, clínicos, ou seja, se observa os sinais e sintomas (o que é visto por todos e só o que a própria pessoa percebe) e, como base nisso, (e no histórico familiar), se estima que a pessoa tenha "X" ou "Y". Por isso tantas vezes é muito difícil para o psiquiatra "bater o martelo" e dizer que a pessoa tem tal transtorno.

No entanto, quando há algum transtorno da moda, não é incomum esse rótulo ser atribuído com menos critério, fazendo com isso que muitas pessoas com questões semelhantes mas, não as mesmas, sejam percebidas e, principalmente tratadas do mesmo modo. Aí há um risco muito grande, pois, já atendi pessoas que, independente de se adequar perfeitamente ou não a um diagnóstico (ou seja, apresentarem todos os critérios necessários para se enquadrar naquele diagnóstico), viveram sob um estereótipo e passaram a se relacionar consigo mesmas e com o mundo através dele. Isso pode diminuir as chances da pessoa construir relações saudáveis, desenvolver comportamentos eficazes e, ser mais plena no seu dia a dia, pois isso a limita a essa "caixinha" e ela acredita que só pode viver desse modo.

Diagnósticos: genética X ambiente 

Uma das questões muito presentes quando se fala em diagnósticos, é levar em conta predisposições (ou seja, fatores hereditários) e os fatores oferecidos pelo ambiente. Com relação a esse último, leva-se em conta doenças ou eventos pontuais e situacionais e, posteriormente, a criação ou educação. Exemplificando: uma pessoa pode provir de uma família onde não haja nenhuma outra pessoa surda (ou seja, nenhum fator genérico conhecido que a predisponha a surdez) mas, contrair meningite quando bebê e desenvolver por conta disso algum grau de surdez. Após esse evento, seus pais mesmo sabendo do diagnóstico; continuarem se comunicando com ela falando... e a colocarem em uma escola de ouvintes. A maneira como essa pessoa lidará com seu diagnóstico e se desenvolverá será completamente diferente de outra pessoa em que após o mesmo evento, passe a ser pouco estimulada e nem seja matriculada em alguma escola (por ignorância dos pais). Esses dois exemplos extremos demonstram o quanto em muitas situações o ambiente dita muito mais as regras do que fatores hereditários.

Quando se trata de transtornos psíquicos isso com certeza é uma grande verdade. Percebe-se que na maioria dos casos, a criação tem muito mais responsabilidade pela saúde mental e emocional das pessoas do que fatores genéticos ou até eventos situacionais (pontuais).
E o que isso tem a ver com TDAH?

Isso tem tudo a ver com TDAH, pois esse é um diagnóstico contemporâneo, construído através de hábitos que temos atualmente.

Recentemente li um estudo comparativo entre crianças francesas e americanas dizendo que nessas primeiras há pouquíssima incidência de TDAH e no segundo grupo alta incidência. Nesse estudo aponta-se a diferença de educação entre as duas culturas como um dos principais fatores desse resultado.

Algo que temos em comum com a cultura americana é a explosão da utilização dos eletrônicos como smartphones e tablets, inclusive sendo utilizados já por crianças desde muito pequenas. Bebês e crianças são expostas a estímulos que mexem, piscam, apitam, rodopiam e mexem-se muito rapidamente fazendo com que seus olhos movam-se muito rapidamente e seu cérebro responda a eles em ritmo acelerado. Alguns pais, avós e cuidadores apresentam vídeos, joguinhos semelhantes para bebês ainda muito pequenos como forma de distraí-los e, isso aos poucos vai se tornando rotina, até o momento em que os próprios bebês/crianças requisitam os celulares e tablets para brincarem por si sós.

Sendo hiperestimulados desde muito novos com conteúdos que mudam rapidamente, acabam tendo mais dificuldade em se concentrarem em uma coisa "parada" (como por exemplo um livro) por algum tempo. Fora isso, crianças saudáveis tem mesmo muita energia, mas se não aprendem a correr e brincar como maneira de utilizar seu excesso de energia, podem acabar ficando inquietadas e irritadiças. Isso unido ao vício desenvolvido pelos eletrônicos pode resultar no que vemos hoje muitas vezes: um adolescente que vai mal na escola, tem problemas de comportamento e não sai do celular, do videogame ou do computador.

Assim, compreende-se por que o TDAH parece ser muito mais um transtorno, construído e frio, do meio, do que algo inato à criança?



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A vida não é assim mesmo, mude você!

"A vida é muito importante para ser levada a sério"
 Oscar Wilde 

Recentemente, uma pessoa que atendo, e em recuperação de uma síndrome de burnout (estresse causado pelo trabalho), me disse após retornar de suas férias:

- Não adianta ir para um lugar tranquilo se você leva sua cabeça intranquila.


Ela tem toda a razão! Viajar ou ir para onde for irá modificar o ambiente externo e pode até auxiliar retirando a pessoa dos estímulos incômodos, mas se não houver também um trabalho de mudança interna, "o inferno" irá junto com você para onde você for.
Quantas e quantas pessoas atualmente apresentam sintomas de ansiedade: estão com a cabeça cheia de pensamentos em boa parte do tempo; apresentam taquicardia e inquietude física e mental; têm dificuldade em se focar; têm cansaço constante; sentem-se angustiadas etc. Tudo isso é fruto da "pré-ocupação".

Não adianta tentar fugir dos problemas indo para longe, se você não rever seu modus operandi. Sem isso ser feito, você continuará na companhia das mesmas percepções e sentimentos, já que os levará com você. Faz-se necessário desapegar-se da maneira de "interpretar" e fazer as coisas que te fazem mal. Enquanto o olhar interno for o mesmo, pouco mudará.

Um novo olhar para sua mudança interna

- rever o grau de importância que você dá para o trabalho, família, relacionamento amoroso ou filhos;

- rever a urgência com que você acha que precisa resolver as coisas;

- rever o peso que acontecimentos passados ainda têm sobre você;

- rever sua rotina e hábitos diários;

- rever se suas escolhas sobre a maneira de enxergar a vida estão sendo úteis e saudáveis para você.

Se há sofrimento, há algo errado ou pelo menos algo que precisa ser aprendido.

Às vezes precisamos de ajuda de outros para podermos ter insights sobre como ver as coisas de outra maneira, para poder modificar uma crença quem nos acompanha há tempos; para podermos nos "des culpar" (tirar a culpa) sobre algo...
Não permita se acomodar no "a vida é assim mesmo". Temos a opção e a possibilidade de sermos felizes mas, para isso, mais do que mudarmos as circunstâncias externas, precisamos modificar a nós mesmos. As mudanças externas acontecerão como consequência de estarmos diferentes e não permitirmos ou escolhermos mais determinadas coisas. Acredite em você e desapegue-se do que te faz mal!
Portanto, não busques mudar o mundo, mas escolhe mudar a tua mente sobre o mundo.

A percepção é um resultado e não uma causa."


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Tentar levar a vida como era antes do bebê nascer é um erro

"Quanto mais rápido for possível aceitar isso e se adequar, tanto menos sofrimento haverá.

A grande maioria das mães de primeira viagem (se não todas), quando descobre que está grávida, começa a se organizar com o enxoval do bebê e a pensar no parto. O mais longe que os pensamentos e o planejamento conseguem ir é até o momento do parto, mas, dificilmente passam muito disso. Sim, é lógico, como a futura mamãe não tem nenhuma vivência ainda de um dia a dia com o bebê não tem como entrar em contato com esse futuro. No entanto, saber de algumas coisas com antecedência e já preparar a cabeça pode evitar muito sofrimento.

O que percebo é um choque de realidade muito grande após a chegada do bebê. A mídia vende uma ideia muitocor-de-rosa em relação à maternidade. Ser mãe de filho pequeno é como se passasse um furacão e deixasse tudo ou quase tudo de pernas para o ar para que você tenha que rever cada uma das coisas, escolher um novo lugar para elas, se ainda quer ficar com elas ou não. Não dá para as coisas serem como eram antes. Quanto mais rápido for possível aceitar isso e se adequar, tanto menos sofrimento haverá. Sou mãe, atendo mães, tenho amigas mães e tentar levar a vida como era antes do bebê nascer, é certeza de frustração, irritação, angústia, tristeza e percepção de fracasso.

Tornar-se mãe vai muito além do parir um bebê ou adotar um: é todo um processo de se remodelar internamente para se adaptar à nova situação.

Tempo materno

Você se julgava uma pessoa bastante eficiente. Seus colegas de trabalho e amigos te elogiavam pela sua proatividade e agilidade em fazer as coisas. Você conseguia fazer várias coisas ao mesmo tempo e ao final do dia finalizava uma lista grande de tarefas. E, depois de tudo, ainda tinha energia disponível para sair à noite.

Se você se identifica com esse modus operandi e quer ser uma mãe presente, necessariamente terá que rever essa atitude. Bebês e crianças pequenas demandam atenção, MUITA atenção. Eles precisam de você e, na maior parte das vezes as coisas precisam ser feitas naquele momento, não dá para deixar para depois: o bebê está com fome, fez cocô e a fralda está suja, caiu e se machucou, quer companhia para brincar etc Seu tempo ficará escasso, pois será direcionado a atender as necessidades do seu bebê. De fato são necessidades sim! Diferente de desejos que podem ser procrastinados.

Dizer a todo momento a seu filho de dois anos que agora você está ocupada, além de, a curtíssimo prazo gerar irritação nele e em você, (pois, ele continuará insistindo), a médio e longo prazo gerará nele a percepção de uma mãe indisponível, um sentimento de desamor e de desamparo. Ocupá-lo, deixando-o na frente da TV para distraí-lo terá um resultado muito parecido, além de outros possíveis problemas de aprendizagem no futuro. Por isso, é difícil, mas vale mais diminuir a lista de afazeres do seu dia e baixar sua expectativa na quantidade de coisas que você pode resolver por dia e acompanhar o tempo dele. Sim, se você estiver presente com ele (brincar com ele, passear com ele), ele irá dormir e, nesse tempo, você poderá se dedicar a fazer o almoço, responder e-mails, ligar para alguém etc. Quanto mais lutar em ter que fazer as coisas no momento em que você quer (como acontecia antes do bebê nascer) maior a sensação de frustração, irritação e fracasso. Sempre há a possibilidade de quando tiver algo realmente urgente e importante para fazer, pedir a alguém que fique um pouco com o bebê até que você finalize sua atividade.

Tempo de mãe precisa ser diferente 

A questão a ser revista é que o tempo das coisas muda, enquanto tentarmos manter a mesma cobrança de eficiência de antes, certamente os resultados serão desastrosos. Tempo de mãe é e precisa ser diferente. Ser mãe não combina com tempo acelerado, competitividade, eficácia em entrega de resultados. Se cobrar isso é uma autoviolência e também ao bebê.

É por isso que se você sempre foi uma pessoa muito autônoma e independente, precisará compreender que agora necessita de apoio e auxílio. Sem isso terá que abrir mão de tempo e energia que deveriam ser direcionados ao bebê (e que ele certamente irá reclamar) para fazer outra coisa; além do mais, sem pedir ou receber ajuda, você irá perceber que o tempo para você mesma inexistirá. Esse é um dos piores quadros, pois você ficará exausta e muito triste por não poder fazer mais nada para si mesma e, possivelmente, se frustrará e se irritará com o bebê que continuará a demandar sua atenção.

Não preciso nem dizer que sua energia que antes estava a mil e na maior parte das vezes havia de sobra, agora passará a estar em falta.

Padecer no paraíso 

Quer dizer então que ser mãe é "padecer no paraíso"? Dependendo de como você perceber e lidar com a situação, sim! Poderá ser um processo deveras dolorido e sofrido. Entretanto, como algumas mudanças de perspectiva será possível vivenciar esse processo de um modo muito mais saudável, funcional e alegre.

Tornar-se mãe é um processo transformador. Não é à toa que temos 9 meses para nos preparar para o que há por vir. Não se trata somente de transformações no corpo da mãe (que passa justamente de um corpo de mulher para um corpo de mãe; onde mudam as formas, os seios começam a gerar leite etc) mas também transformações na cabeça e percepções dessa pessoa que agora se tornará responsável por outro ser, além de si mesma.

Ser mãe é acolher um outro em seu ventre e posteriormente em sua vida. Dessa maneira, é necessário abrir espaço para que esse outro ser possa caber. Em uma vida tão corrida ou comprometida com "n" compromissos e atividades não há espaço ou lugar para esse que está por vir. Se faz preciso abrir mão de coisas. A melhor maneira para fazer isso é rever as prioridades. Sim, haverá luto, pois a vida de antes terá que morrer para uma nova nascer. Nada mais será como era antes, no entanto, tantas coisas novas surgirão. Se não desapegarmos, ficaremos continuamente comparando passado com presente e sofrendo com isso.

Um excelente chamamento para a reflexão e reorganização das prioridades nesse momento é assistir ao desenho (que não é para crianças, mas sim para adultos) recém-lançado do "Pequeno Príncipe", no qual este, com muita sapiência, nos leva a rever nossas crenças e valores com relação ao que é realmente importante, nos questionando o quanto as coisas "do mundo dos adultos" precisam de tanto foco, rigidez ou são tão "essenciais".

Não pretendo com esse texto esgotar a questão da autorreflexão e transformação que a maternidade nos convida a fazer, mas sim apontar o quanto, se não olharmos para as demandas que se desvelam e não nos reciclarmos, perderemos a oportunidade de grandes aprendizados e transformações. Dessa forma, poderemos aflorar uma grande vivência de incapacidade e através desta muito sofrimento.


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Quando você se perde no relacionamento, você se perde de você

"Se faz necessário você se questionar o que faz com que sua vida gire em torno de outra pessoa"


A maior parte das pessoas prefere estar em relacionamento do que estar só.

Através de um relacionamento amoroso temos a possibilidade de ter companhia para fazer as coisas, carinho, conversa etc. Todas essas coisas são benéficas e construtivas. Mas precisamos ter em conta que um relacionamento amoroso é mais uma das áreas importantes de nossa vida como: trabalho, vida social, família, hobbies... E por isso não pode ser a única coisa que nos importa ou para a qual direcionamos a nossa energia

Se o relacionamento nos consome a ponto de nossa vida girar em torno dele, então há algo errado.

Quando você se perde no relacionamento, você se perde de você!

Essa é uma afirmação muito importante que denota o quanto precisamos ser parceiros e presentes um na vida do outro, mas ainda assim termos outros interesses, encontrarmos com outras pessoas e termos espaço somente para nós individualmente também.

Alerta vermelho

Se você percebe que:

- vive em função do seu companheiro ou companheira;

- que as coisas só têm graça quando o outro está presente;

- se você se desdobra com frequência para atender as vontades do seu par com medo de que esse se vá; então você precisa ligar um alerta vermelho, pois isso não está saudável para você.

Se faz necessário você se questionar o que faz com que sua vida gire em torno de outra pessoa.

O que faz com que você não dê espaço também para outras áreas de sua vida?

O que impede você de se divertir sem a presença do outro?

Estar em equilíbrio é um dos grandes desafios da vida e por isso precisamos estar conscientes de nós mesmos para perceber quando o perdemos. E, quando isso ocorrer, pensarmos em como reencontrar esse equilíbrio, pois do contrário, diante de excessos, certamente problemas ocorrerão. Cabe a nós nos anteciparmos a eles.


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