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quinta-feira, 23 de junho de 2016

Quando nasce uma mãe, nasce uma culpa...

"É normal sentir raiva do seu filho" 

Dizem que quando nasce uma mãe, nasce a culpa. Consegui compreender essa expressão em profundidade quando me tornei mãe. Ser mãe e sentir-se culpada caminham de mãos dadas. A culpa consegue encontrar as mais diversas frestas para se instalar.


Para algumas mães aparece por não ter conseguido amamentar o quanto queria, para outras a culpa é por ter feito cesárea, a culpa também vem por que o bebê caiu do berço ou por que a criança caiu da cama que ainda estava sem grade; culpa por ter se trancado no banheiro por um minuto para ter um pouco de sossego e conseguir fazer um xixi sem alguém grudado na perna, também por ter gritado ou por ter colocado de castigo ou ainda por ter dado algumas batatas fritas no restaurante só pra conseguir engolir a comida com um pouco mais de tranquilidade. Enfim, a culpa ronda o tempo todo e parece que não há como se livrar dela.

Por mais que nos esforcemos e nos desdobremos para fazermos o nosso melhor, ainda assim sempre há algo que na nossa percepção não saiu como deveria.

Recentemente uma mãe escreveu um texto no Facebook expondo como se sentia com relação à maternidade e o quanto para ela estava muito distante de ser mil alegrias. Foi alvo de inúmeras críticas. Como pode então uma mãe conviver com tantas perdas, dores e dissabores que estão contidos na maternidade, se ela não pode ser verdadeira com seus sentimentos? Não é à toa que a culpa aparece a todo momento; como uma forma de calar toda e qualquer manifestação que não seja ficar o tempo todo pajeando o bebê ou a criança.

Sim! Bebês e crianças precisam de cuidado - e MUITO! - e não é à toa que são tão bonitinhos e cativantes (como uma sábia maneira que a natureza encontrou de nos "enfeitiçar"), mas é justamente pela constante e rígida atenção que eles nos exigem, que as mães PRECISAM conseguir respirar com mais leveza e viver com menos culpa.

É normal:

É normal sentir raiva do seu filho.

É normal querer fugir dele e ficar só.

É normal querer fazer coisas sem ele.

É normal não querer mais amamentar.

É normal querer ficar com o marido ou namorado sozinha.

É normal querer dormir até mais tarde sem um choro que te acorde.

É normal querer viajar sem o filho. Sim!

Tudo isso e mais outras tantas coisas são perfeitamente normais e não fazem de você uma mãe ruim, relapsa ou rejeitadora por ter esses desejos ou comportamentos.

Viramos mães, mas não deixamos de ser esposas/namoradas, profissionais, amigas, amantes, etc. No entanto, a maternidade chega como um furacão e de repente parece que nada mais passa a ter espaço em nossas vidas e aí vem o luto, a tristeza, a falta da vida de antes, associada com um pequeno ser tão maravilhoso e amado que não te deixa um só minuto.

Faz sentido agora a confusão emocional diante desse turbilhão de informações?

Para lidar melhor com esse momento (que na verdade será eterno, porque jamais deixaremos de ser mães), poder conversar e realmente se abrir em ambientes sem julgamento é uma das melhores estratégias. Desde grupos de mães (presenciais ou online), até encontrar uma psicoterapeuta na qual você confie, e que realmente seja ética, irão te auxiliar a revisitar todas essas questões que te trazem tanta culpa e poder. E finalmente, assumir que sim, você ama seu bebê/filho(a) e que junto com isso você também sente falta de tantas e tantas coisas na sua vida, principalmente da sua liberdade (de tempo, de expressão, de não ter tanta responsabilidade).


Leia este texto também em Via Estelar.


terça-feira, 22 de março de 2016

Raiva: sentimento não é causado pelo outro, mas por frustração

"... meu ego está ferido ..." 


Você já parou para pensar no que faz com que você fique com raiva? Percebe o que há em comum a todas as situações que te deixam com raiva? Pois, tire alguns minutos e reflita. Tente se lembrar do que passou na sua cabeça diante dos eventos que te deixaram bravo(a) ou irritado(a). Agora, questione-se sobre o que as suas percepções apresentam de semelhante.
Pois bem, se buscar um ponto em comum a todas as situações que nos deixam com raiva, teremos o seguinte denominador: alguém não fez algo do modo como desejaríamos que tivesse sido feito. Ou seja, fomos contrariados na nossa vontade.

Todas as situações que filtradas através da nossa percepção resultam em um sentimento de raiva, têm como ponto de interseção a questão de não termos sido atendidos em nossa expectativa, planejamento ou desejo; ou seja, algo saiu diferente do que gostaríamos.

Quando compreendemos isso, podemos dar uma passo além de somente ficarmos bravos, ofendidos ou brigarmos; podemos aprender sobre nós mesmos e sobre a situação e lidar com a mesma de outro modo.

Se compreendo que minha raiva não é do outro, mas de ele ter frustrado minhas expectativas, posso por exemplo, não sair atuando minha agressividade e causar uma briga, discussão ou ainda ofender. Posso também compreender que meu ego está ferido por conta de minha vontade não ter sido atendida ou de eu ter sido contrariado de alguma maneira e resolver o ocorrido de uma maneira menos infantil e mais madura. 

Somente o fato de perceber, nos diferentes contextos do dia a dia, o real motivo de minha raiva, já me empodera a me comportar de outra maneira, já que geralmente ter essa constatação diminui instantemente a raiva, e assim, abre espaço para uma reflexão mais acurada.

Essa é uma estratégia simples, mas bastante poderosa para nos auxiliar a sermos pessoas melhores e construirmos relações mais saudáveis mediadas por muito menos conflitos desnecessários. 

Pratique e perceba o resultado. 




Leia esse texto também em Via Estelar.



domingo, 22 de novembro de 2015

Transtorno Desafiador de Oposição

Dez estratégias para educar as crianças em inteligência emocional

As emoções vestem cada aspecto das nossas vidas e do nosso cotidiano. Saber controlá-las, gerenciá-las e utilizá-las com habilidade adequada, nos permitirá,
sem dúvida, enfrentar o nosso dia a dia de um modo mais eficiente. Neste artigo você aprenderá dicas de como utilizar de forma mais efetiva sua inteligência emocional.
Emoção, pensamento e ação são os três pilares que sustentam cada parte do nosso ser, daí a importância de nos aprofundarmos nesse tipo de conhecimento para enfrentar determinadas situações, para nos desenvolver em nossa sociedade de um modo eficiente. Então, não é imprescindível que as crianças comecem cedo o aprendizado da Inteligência Emocional?
Vamos pensar, por exemplo, nas crianças com uma baixa capacidade para lidar com a frustração e inclusive para obedecer uma ordem negativa. Crianças que não respeitam seus pares e que, no futuro, estarão condenadas a uma realidade onde a infelicidade será com o que terão que viver, ao serem incapazes de compreender os demais. O conhecimento, a compreensão e o controle das emoções são básicos para que nossos filhos se desenvolvam adequadamente em sociedade, por isso sugerimos esses princípios para que sejam introduzidos no sempre interessante campo da Inteligência Emocional. 

Utilize a inteligência emocional para:

1. Controle a sua raiva





Até os 18 meses, as crianças precisam basicamente do afeto e do cuidado dos seus pais, pois tudo isso traz a segurança suficiente para se adaptar em seu meio, para explorar e dominar seus medos. Mas temos que considerar que, a partir dos 6 meses, vão começar a desenvolver a raiva e por isso a importância de saber canalizar suas reações e corrigir qualquer ação negativa. 
Há bebês que podem bater em seus pais ou irmãos, gritar com raiva quando se oferece alguma coisa, ações que, para os pais, pode ser engraçada, mas lembramos que é importante estabelecer limites desde que nascem e, principalmente, conversar com as crianças continuamente e em cada momento; as crianças entendem muito mais do que expressam, por isso a necessidade de ensinar-lhes e de controlar esses ataques de raiva.

2. Reconhecer emoções básicas




A partir dos dois anos, chegamos a uma idade perfeita para incluir as crianças no campo de reconhecimento das emoções. É quando eles começam a interagir com os adultos e com outras crianças de modo mais aberto, assim podemos realizar vários exercícios com eles, como introduzi-los as emoções básicas: alegria, tristeza, medo e raiva. Como? Mediante fotografias de rostos, desenhos, perguntando-lhes questões como “O que acontece com essa criança?” “Ele está triste?” “Por que acha que ele está triste?”. É uma maneira perfeita para que aprendam a reconhecer não só suas emoções pouco a pouco, como também as emoções dos demais e, sobretudo, desenvolver sua empatia.

3. Saber nomear as emoções




A partir dos 5 anos seria perfeito se as crianças soubessem nomear as emoções de modo habitual: “estou irritado porque você não me levou no parque”, “estou feliz porque amanhã vamos na excursão”, “Tenho medo que apaguem a luz porque me sinto sozinho”.

4. Saber enfrentar as emoções com exemplos




É habitual que as crianças, algumas vezes,  vejam-se superadas pelas emoções, pela raiva que lhes faz gritar ou bater nas coisas. É preciso que não reforcemos essas situações. Uma vez que a raiva tenha passado, podemos, por exemplo, ensinar-lhes que antes de gritar ou bater, é melhor expressar em voz alta o que está irritando. Que aprendam a expressar seus sentimentos desde bem pequenos.

5. Desenvolver a sua empatia



Para desenvolver uma dimensão tão importante quanto essa, é necessário raciocinar com eles continuamente fazendo perguntas. “Como você acha que seu avô se sente depois do que você disse?”, “Por que você acha que a sua irmã está chorando?”, “Você acha que seu pai está feliz hoje?”

6. Desenvolver a sua comunicação




Falar com as crianças, fazer perguntas, raciocinar, julgar, dar exemplos… são coisas imprescindíveis para a sua educação. Devemos favorecer continuamente que possam se expressar, colocar em voz alta a sua opinião e os seus sentimentos, que aprendam a dialogar.

7. A importância de saber escutar

Imprescindível. Desde muito pequenos devem saber manter silêncio enquanto os outros falam, mas não só isso, deve ser uma escuta ativa. Por isso, recomenda-se falar com eles devagar, frente a frente, e terminando as frases com “você entendeu?”, “concorda?”.

8. Iniciá-los nas emoções secundárias




A partir dos 10 ou 11 anos vão surgir nas suas vidas emoções secundárias que vão pesar mais em suas vidas, tais como o amor, a vergonha, a ansiedade… é sempre adequado que uma boa comunicação com eles nos permita falar desses assuntos abertamente, eles devem se sentir seguros diante dessas novas emoções que surgem em seu dia a dia. Haverá situações que causarão muita ansiedade, como por exemplo uma prova, realidades que vão ser constantes nas suas vidas e que devem aprender a gerenciar.

9. Fomentar um diálogo democrático



À medida que as crianças vão crescendo, aparecerão mais demandas, e desde pequenos devemos ensinar-lhes a importância de compartilhar, dialogar, negociar de modo democrático. A família é um exemplo da sociedade e o melhor campo de aprendizagem.

10. Abertura à expressão de emoções




É essencial que possamos proporcionar aos nossos filhos a confiança apropriada para que ponham em voz alta aquilo que lhes preocupa, que lhes faz infelizes e também felizes. O lar e a escola serão os primeiros cenários onde sua vida se desenvolverá; se lhes oferecemos comodidade para que possam se expressar e se comunicar, também o farão à medida em que crescerem em outros contextos.
O saber se comunicar e o reconhecer emoções próprias e alheias são, sem dúvida, imprescindíveis para que possam amadurecer pouco a pouco e alcançar uma solvência adequada para se integrarem à sociedade e serem felizes nela. Nós podemos lhes dar essa oportunidade…



segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Raiva, introspecção e agressividade estão interligadas

"... quanto mais entramos em contato com nossa essência amorosa, mais estamos vulneráveis a sentir as dores emocionais..." 

Na essência somos todos amor. 

Como então passamos a ter problemas em demonstrá-lo e também entrar em contato com essa nossa parte? 

Que experiências podem ter influenciado essas questões? 

Como se dá nosso funcionamento interno para explicar nossa maneira de perceber, processar e demonstrar as emoções?

Há algo a ser feito que possa modificar nossas atitudes: maneira de perceber, sentir e se comportar?



Buscarei de modo breve e objetivo esclarecer esses pontos.

Um bebê é só amorosidade, no entanto, dependendo das experiências que tem, de como está essa mãe com ele (principalmente até os dois anos, pois é com quem ele tem mais ligação; (posteriormente a relação com o pai e outros seres que o circundam), ele poderá experienciar dor (toda criança irá vivenciar alguma dor), mas, se essa dor se tornar constante, ele poderá começar a se afastar em demasia de sua essência (que o torna vulnerável à dor) e, por instinto de sobrevivência psíquica, se refugiar usando como defesa a raiva.

Raiva: introspecção e proteção

Pessoas raivosas são aquelas que precisaram por algum motivo se fechar para se proteger e, lutando para isso, adquiriram como modus operandi se defender sendo agressivas. Há ainda aquelas que também sofreram dores mas, acabaram se rendendo, por vezes anestesiando suas dores e consequentemente, sua amorosidade, para se proteger de maus tratos; outros se resignam aceitando as dores que lhe são causadas mantendo sua amorosidade e se tornando pessoas muito sensíveis às dores emocionais.

Um bebê é "poroso"; chega-se fácil ao seu amor, do mesmo modo que é fácil lhe causar dor emocional. Portanto, necessariamente, quanto mais entramos em contato com nossa essência amorosa, mais estamos vulneráveis a sentir as dores emocionais e vice-versa.

Carência e compulsão

Quando somos crianças precisamos imensamente do amor e aprovação principalmente de nossa mãe. Como ficam "buracos emocionais", continuamos buscando esse amor de mãe até o fim da vida, demonstrando carência ou adentrando em comportamentos compulsivos com por exemplo: comida, jogo, sexo, cigarro, álcool etc. No entanto, esses "buracos" não poderão nunca mais serem tampados, pois foram formados junto com nossa estrutura de personalidade (são parte intrínseca de quem somos). Somente através da conscientização e reconhecimento de nosso estado e nossas questões, é que se faz possível sair de um modus operandi automatizado e, inúmeras vezes disfuncional, para um em que tenhamos comportamentos mais saudáveis e com resultados mais benéficos para nós.

O caminho é aceitar que não precisamos mais daquela mesma forma de amor e aprovação do passado, pois agora não somos mais aquela criança que precisa da validação dos pais. E assim podemos lidar com as situações de modo menos reativo (fazer algo automaticamente pela maneira como nós sentimos) e mais focado no que é bom para nós (não em agradar os outros ou ficar evitando comportarmos que possam desagradá-los).


Leia este texto também em Via Estelar.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Energia da raiva pode ser utilizada para construir

"A raiva por si só não é ruim e nem boa, assim como qualquer outra emoção. Bom ou ruim é o que fazemos com ela"


As emoções são importantes atributos que temos e que, além de nos permitirem nos relacionarmos com coisas, pessoas e situações (são elas que motivam nossos comportamentos) também são termômetros de como as percebemos. Sem as emoções, nosso funcionamento e respostas seriam muito diferentes.

Uma das emoções muito mal "compreendida" é a raiva. Ela é vista por muitos como algo ruim e prejudicial.

A raiva por si só não é ruim e nem boa, assim como qualquer outra emoção. Bom ou ruim é o que fazemos com ela. Podemos utilizar a energia que ela gera (que é muita) para destruir ou construir. Por exemplo, para praticar uma atividade física, fazer uma faxina ou sovar uma massa de pão. Enfim, qualquer atividade que requeira mais energia, que seja mais vigorosa, assim como é com a raiva.

Quando se tem consciência do que gerou uma determinada emoção e se relaciona melhor com esse conteúdo, passa-se então a não sofrer tanto pela emoção resultante, seja ela de tristeza, medo ou raiva, porque aceita-se essa emoção ao invés de brigar com ela.

Meu conhecimento e experiência me mostram que muitas vezes a raiva pode ser uma forma de defesa contra o medo que se sente frente a uma situação, mas que não se percebe. O que acaba se percebendo é somente o que se vê diante disso: uma reação de agressividade. Isso abre uma oportunidade de perceber a raiva de outra maneira: uma tentativa de se proteger (bem como as reações instintivas dos animais quando percebem perigo - fogem ou atacam).

O que devemos nos perguntar é: "O que estamos temendo?", "Há realmente uma ameaça ou nós que interpretamos a intenção da pessoa desse modo?"

É possível que através desses questionamentos percebamos que fazemos diversas distorções cognitivas (veja aqui) em contextos que não necessariamente há uma ameaça mas, por percebermos desse modo, sofremos.

Reveja suas reações agressivas, perceba quando a raiva aparece, reflita se há a percepção de ameaça e você está respondendo "eriçando os pelos e colocando as garras de fora"; veja se há realmente necessidade disso contra essa pessoa ou se há o medo da vulnerabilidade e, para evitar isso, ataca.


Aproveite as situações para se conhecer e poder trabalhar sobre elas.


Leia este texto também em Via Estelar.

terça-feira, 12 de março de 2013

COMO LIDAR COM A RAIVA?


A raiva em si não é nem boa nem ruim. Ela precisa ser reconhecida e aceita. E precisa ser processada. O fato de eu ter raiva não me torna especial. Todo o mundo tem raiva.
Porém, você não deve justificar suas ações sob o domínio da raiva vitimizando pessoas à sua volta. Eu posso aceitar a sua raiva, mas tenho o direito de não me tornar vítima dela. Não vitimizar os demais com a sua raiva implica dama, auto-controle.
Você pode falar para sua familia que dentro da sua casa, ninguém mais irá vitimizar os demais por causa da raiva. Você pode dizer 'eu estou com raiva, vou falar com você depois'. Ou, os outros poderão dizer 'você esté com raiva, vou falar depois contigo'.
Você deve dar para às suas crianças e cónjuge o poder de lhe apontar quando você está se deixando dominar pela raiva. Este é o ponto em que o lar torna-se funcional, em que há comunicação honesta. O lar é a melhor academia emocional. A raiva está dentro de todos.
Quando você está dominado pela raiva, poderia dizer então 'eu estou com raiva, vou falar com você depois'. É importante ensinar para as crianças que a raiva não é essencialmente ruim, mas que tampouco é essencialmente má. É como a dor de cabeça. Você quer se livrar dela, mas ela não é nem boa nem ruim em si mesma.
Todos deveríamos compreender que é normal termos raiva. Não é nada anormal se isso acontece conosco. Sejamos honestos. Se é normal ter raiva, também é totalmente equivocado vitimizar os demais por conta da raiva que estamos sentindo.
Controle da raiva significa não tentar fugir dela, mas procurar gerenciá-la da melhor maneira possível. Ocorrências de raiva são normais. Manipulá-la requer muita presença de espírito. Existem varias formas de fazer isso.
Uma delas é escrever o que está acontecendo na hora em que essa emoção estiver se manifestando. Escrever é melhor que digitar. Escreva e depois destrua o papel. Não o guarde. Não é um documento do qual você irá se orgulhar. Escreva a sua raiva.
Assim, se você se dirigir à sua raiva, e escrever sobre ela e para ela, ela estará sendo processada, digerida e neutralizada. Assim, ela perde o poder sobre você. Se for preciso, fale com alguém que possa escutar você. Ou torne-se seu próprio terapeuta e escreva. Isso irá lhe ajudar.
O primeiro processo é dama, controle sobre si mesmo. O segundo processo, escrever, é shama, cultivar a paciência. Não fique se perguntando onde a raiva irá parar. Apenas escreva. Essa é a maneira de lidar com esta emoção: inteligentemente, compassivamente. Seja cuidadoso consigo próprio. Seja compassivo consigo próprio. Seja compreensivo quando a raiva começar a se manifestar.

Texto anotado e traduzido por Pedro Kupfer a partir de uma palestra de Swamiji proferida no Ashram de Rishikesh, em abril de 2007.

Leia este texto também em YogaPro.

terça-feira, 5 de junho de 2012

O que está por trás da sua raiva?


Por Rosemeire Zago

Qual sua reação quando algo não acontece como gostaria? Ou diante de uma injustiça? Você consegue identificar as situações que o faz sentir raiva? Quando a sente, em geral você a expressa de alguma maneira ou a reprime? Como foi a última vez que teve um acesso de raiva? Caso tenha consciência do que gerou seu último acesso de raiva, será que era mesmo esse o motivo?

Sabemos que a "raiva" deseja o que quer, quando quer e nas condições que quer, como se não houvesse o menor controle sobre ela.

Descobrir a raiva em si pode indicar descobertas muito maiores e que devem ser reveladas, mas se não for explorada pode se tornar um grande obstáculo para investigar outras emoções mais profundas. A maioria das pessoas que fica zangada com freqüência pensa que conhece bem suas emoções, principalmente por causa de seus acessos.

Quem sente raiva quase sempre acredita que a raiva em si seja um sentimento genuíno, o que nem sempre corresponde à verdade. Nem sempre sabem o que estão realmente sentindo além da raiva facilmente perceptível, que em geral devasta tudo que está no caminho, como se fosse um furacão, deixando apenas como conseqüência os prejuízos. Os acessos de raiva são experiências muito dolorosas, tanto para quem as sente, como para quem é alvo dela. Porém, em muitos casos, a raiva acaba por ser tornar uma fortaleza de defesa para quem se sente sem poder e faz o possível para enfrentar um mundo que para ela é assustador.
Algumas situações de frustração podem fazê-lo querer provar de quem foi a culpa ou jurar vingança, quando na verdade podem ser expressões de desespero e desamparo. Lembre-se de alguma situação em que alguém o tratou assim, jurando que você iria pagar pelo que fez. Será que essa pessoa não estava se sentindo desamparada?

Uma pessoa muito zangada, na verdade, está amedrontada e assim, ataca. Toda hostilidade tem origem no medo, no desespero, em não saber como agir e como defesa, acaba por atacar. A raiva parece gerar uma coragem além do que acredita ter, podendo se tornar tão compulsiva que resulta quase sempre em violência. A pessoa irada parece estar sentindo qualquer sentimento, menos medo, mas não só está com medo, como apavorada. Pavor de perceber que não é capaz de controlar tudo. E sentindo-se assim, também deve sentir muita dor, porém essa dor é negada. Ou seja, sob a raiva há a dor e sob essa dor há o medo.

A dor pode ter sido causada por diversos motivos, a morte de alguém querido, a perda de um emprego, a falta de dinheiro para pagar as contas, um processo perdido, uma injustiça contra sua pessoa, o diagnóstico de uma doença, ter sido maltratado e quem o tratou assim não sentiu arrependimento, ou outros tantos fatores.

Como essa dor foi desprezada e negada, acaba por ficar reprimida e necessita ser manifestada de alguma forma, sendo muitas vezes expressa em forma de raiva. A raiva pode ser uma dor que foi reprimida e, por ser tão intensa, se torna mais fácil ficar irado do que entrar em contato com a dor.
Mas é preciso lembrar-se que a dor não desaparece com um acesso de raiva, muito pelo contrário, pode gerar mais dor pelas conseqüências que essa expressão pode causar. Quanto mais a dor é negada, maior e mais freqüente será a raiva, que é duplamente dolorosa. A dinâmica interior não é sua raiva, mas a causa da sua raiva. Essa é sua dor. Buscar essa causa é o que diminuirá de senti-la. Nem sempre quem o faz sentir raiva coincide com a causa da sua dor. A raiva é muito mais uma fuga dos próprios sentimentos.

A raiva também se manifesta em situações de impotência, a qual faz com que você se considere sem valor, incapaz de fazer diferença para alguém. Se a dor perante os fatos for profunda, poderá ser encoberta pela raiva, que o faz agredir por não se sentir capaz de amar e assim rejeita o amor dos outros - e que tanto necessita - por não acreditar ser merecedor desse amor.

A raiva impede o amor e isola a pessoa que a sente. É uma tentativa de afastar o que mais deseja: companhia e compreensão. No fundo acredita não ser capaz de ser entendido ou que não merece tal compreensão, tornando-se o primeiro a rejeitar qualquer possibilidade disso acontecer. O amor não ameaça forma alguma de vida, mas alimenta, apóia, busca acima de tudo a harmonia.

Como lidar com a raiva

Na próxima vez que sentir raiva, procure identificar se há medo ou dor por algo que aconteceu. Entre em contato com seus sentimentos, sem negar ou fazer que não os sente. Use sua raiva para descobrir mais sobre si mesmo. Ao se sentir com raiva, zangado por algo que ocorreu, pare o que estiver fazendo, falando ou pensando, opte por não gritar, atirar um objeto ou reagir com violência impulsiva, e volte sua atenção para o que estiver sentindo.

Isso não será fácil, mas valerá o esforço. Canalize sua energia em sua consciência, que o impedirá de agir por impulso e busque explorar seus sentimentos, incluindo a dor que está sentindo. Nesse momento perceberá que ter um acesso de raiva irá desviar sua atenção da verdadeira causa: sua dor. Mas ao se confrontar com sua dor perceberá ser o caminho mais seguro para deixar de senti-la.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Processo de perda e luto

Todas as pessoas que têm algum tipo de perda ou que têm a possibilidade de sofrer (morte de ente querido, diagnóstico de doença, falência, traição, punição criminal, etc.) passam por um processo de luto, para poder elaborar e lidar com essa situação. A falecida psiquiatra suíça, Elisabeth Kubler-Ross pesquisou e trabalhou com esse tema e descreveu cinco fases desse processo de luto.

Dentro da abordagem da TCC, é possível perceber que existem pensamentos e comportamentos comuns às pessoas que se encontram vivenciando cada uma dessas fases. Essa descrição pode facilitar a compreensão e a percepção sobre o que ocorre com pessoas que vivenciam alguma forma de perda ou luto.

  Primeira fase: negação
Nessa fase a pessoa nega a existência do problema ou situação. Pode não acreditar na informação que está recebendo, tentar esquecê-la, não pensar nela ou ainda buscar provas ou argumentos de que ela não é a realidade.

 Pensamentos
 • “Isso não é verdade!”
• “Vai passar.”
• “Sempre dou um jeito em tudo, vou resolver isso também.”

Comportamentos
 • Buscar uma segunda opinião ou outras explicações para a questão.
 • Continuar se comportando como antes (ignorando a situação).
 • Não aderir ao tratamento (no caso de doença) ou não falar sobre o assunto (no caso de morte, desemprego ou traição).

  Segunda fase: raiva
Nessa fase a pessoa expressa raiva por aquilo que ocorre. É comum o aparecimento de emoções como revolta, inveja e ressentimento. Geralmente essas emoções são projetadas no ambiente externo; percebendo o mundo, os outros, Deus, etc. como causadores de seu sofrimento. A pessoa sente-se inconformada e vê situação como uma injustiça.

 Pensamentos
• “Por que eu?”
• “Isso não é justo!”
• “Por que fizeram isso comigo?”

 Comportamentos
• Perde a calma quando fala sobre o assunto.
• Recusa-se a ouvir conselhos.
• Evita falar sobre o assunto.

  Terceira Fase: negociação
Nessa fase busca-se fazer algum tipo de acordo de maneira que as coisas possam voltar a ser como antes. Essa negociação geralmente acontece dentro do próprio indivíduo ou às vezes voltada para à religiosidade. Promessas, pactos e outros similares são muito comuns e muitas vezes ocorrem em segredo.

 Pensamentos
• “Vou acordar cedo todos os dias, tratar bem as pessoas, parar de beber, procurar um emprego e tudo ficará bem.”
• “Vou pensar mais positivamente e tudo se resolverá.”
• “Deus, deixe-me ficar bem de saúde, só até meu filho crescer.” (pessoa ao saber que está doente. 

Comportamentos
• Rezar e fazer um acordo com Deus.
• Buscar agradar (no caso de uma traição).
• Se alimentar com produtos lights e diets para compensar os outros alimentos.

  Quarta fase: depressão
Nessa fase ocorre um sofrimento profundo. Tristeza, desolamento, culpa, desesperança e medo são emoções bastante comuns. É um momento e que acontece uma grande introspecção e necessidade de isolamento.

 Pensamentos
• “Não tenho capacidade para lidar com isso.”
• “Nunca mais as coisas ficarão bem.”
• “Eu me odeio.”

 Comportamentos
• Chorar.
• Afastar-se das pessoas.
• Comportar-se de maneira autodestrutiva.

  Quinta fase: aceitação
Nessa fase percebe-se e vivencia-se uma aceitação do rumo das coisas. As emoções não estão mais tão à flor da pele e a pessoa se prontifica a enfrentar a situação com consciência das suas possibilidades e limitações.

 Pensamentos
• “Não é o fim do mundo.”
• “Posso superar isto.”
• “Posso aprender com isto e melhorar.”

 Comportamentos
• Buscar ajuda para resolver a situação.
• Conversar com outros sobre o assunto.
• Planejar estratégias para lidar com a questão.

 As pessoas não passam por essas fases de maneira linear, ou seja, elas podem superar uma fase, mas depois retornar a ela (ir e vir), estacionar em uma delas, sem ter avanços por longo período ou ainda suplantar todas as fases rapidamente até a aceitação. Não há regra. Tudo depende do histórico de experiências da pessoa e crenças que ela tem sobre si mesma e sobre a situação em questão. Tem pessoas que podem passar meses ou anos num vai e vem e não chegar a aceitação nunca. Tem pessoas que em poucas horas ou dias fazem todo o processo, isso varia também em função da perda sofrida pela pessoa.

 O terapeuta de TCC trabalha desafiando os pensamentos automáticos negativos (PANs), fornecendo suporte emocional e planejando conjuntamente com a pessoa comportamentos alternativos mais saudáveis e produtivos.

 Leia este texto também em Via Estelar.