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domingo, 22 de novembro de 2015

Dez estratégias para educar as crianças em inteligência emocional

As emoções vestem cada aspecto das nossas vidas e do nosso cotidiano. Saber controlá-las, gerenciá-las e utilizá-las com habilidade adequada, nos permitirá,
sem dúvida, enfrentar o nosso dia a dia de um modo mais eficiente. Neste artigo você aprenderá dicas de como utilizar de forma mais efetiva sua inteligência emocional.
Emoção, pensamento e ação são os três pilares que sustentam cada parte do nosso ser, daí a importância de nos aprofundarmos nesse tipo de conhecimento para enfrentar determinadas situações, para nos desenvolver em nossa sociedade de um modo eficiente. Então, não é imprescindível que as crianças comecem cedo o aprendizado da Inteligência Emocional?
Vamos pensar, por exemplo, nas crianças com uma baixa capacidade para lidar com a frustração e inclusive para obedecer uma ordem negativa. Crianças que não respeitam seus pares e que, no futuro, estarão condenadas a uma realidade onde a infelicidade será com o que terão que viver, ao serem incapazes de compreender os demais. O conhecimento, a compreensão e o controle das emoções são básicos para que nossos filhos se desenvolvam adequadamente em sociedade, por isso sugerimos esses princípios para que sejam introduzidos no sempre interessante campo da Inteligência Emocional. 

Utilize a inteligência emocional para:

1. Controle a sua raiva





Até os 18 meses, as crianças precisam basicamente do afeto e do cuidado dos seus pais, pois tudo isso traz a segurança suficiente para se adaptar em seu meio, para explorar e dominar seus medos. Mas temos que considerar que, a partir dos 6 meses, vão começar a desenvolver a raiva e por isso a importância de saber canalizar suas reações e corrigir qualquer ação negativa. 
Há bebês que podem bater em seus pais ou irmãos, gritar com raiva quando se oferece alguma coisa, ações que, para os pais, pode ser engraçada, mas lembramos que é importante estabelecer limites desde que nascem e, principalmente, conversar com as crianças continuamente e em cada momento; as crianças entendem muito mais do que expressam, por isso a necessidade de ensinar-lhes e de controlar esses ataques de raiva.

2. Reconhecer emoções básicas




A partir dos dois anos, chegamos a uma idade perfeita para incluir as crianças no campo de reconhecimento das emoções. É quando eles começam a interagir com os adultos e com outras crianças de modo mais aberto, assim podemos realizar vários exercícios com eles, como introduzi-los as emoções básicas: alegria, tristeza, medo e raiva. Como? Mediante fotografias de rostos, desenhos, perguntando-lhes questões como “O que acontece com essa criança?” “Ele está triste?” “Por que acha que ele está triste?”. É uma maneira perfeita para que aprendam a reconhecer não só suas emoções pouco a pouco, como também as emoções dos demais e, sobretudo, desenvolver sua empatia.

3. Saber nomear as emoções




A partir dos 5 anos seria perfeito se as crianças soubessem nomear as emoções de modo habitual: “estou irritado porque você não me levou no parque”, “estou feliz porque amanhã vamos na excursão”, “Tenho medo que apaguem a luz porque me sinto sozinho”.

4. Saber enfrentar as emoções com exemplos




É habitual que as crianças, algumas vezes,  vejam-se superadas pelas emoções, pela raiva que lhes faz gritar ou bater nas coisas. É preciso que não reforcemos essas situações. Uma vez que a raiva tenha passado, podemos, por exemplo, ensinar-lhes que antes de gritar ou bater, é melhor expressar em voz alta o que está irritando. Que aprendam a expressar seus sentimentos desde bem pequenos.

5. Desenvolver a sua empatia



Para desenvolver uma dimensão tão importante quanto essa, é necessário raciocinar com eles continuamente fazendo perguntas. “Como você acha que seu avô se sente depois do que você disse?”, “Por que você acha que a sua irmã está chorando?”, “Você acha que seu pai está feliz hoje?”

6. Desenvolver a sua comunicação




Falar com as crianças, fazer perguntas, raciocinar, julgar, dar exemplos… são coisas imprescindíveis para a sua educação. Devemos favorecer continuamente que possam se expressar, colocar em voz alta a sua opinião e os seus sentimentos, que aprendam a dialogar.

7. A importância de saber escutar

Imprescindível. Desde muito pequenos devem saber manter silêncio enquanto os outros falam, mas não só isso, deve ser uma escuta ativa. Por isso, recomenda-se falar com eles devagar, frente a frente, e terminando as frases com “você entendeu?”, “concorda?”.

8. Iniciá-los nas emoções secundárias




A partir dos 10 ou 11 anos vão surgir nas suas vidas emoções secundárias que vão pesar mais em suas vidas, tais como o amor, a vergonha, a ansiedade… é sempre adequado que uma boa comunicação com eles nos permita falar desses assuntos abertamente, eles devem se sentir seguros diante dessas novas emoções que surgem em seu dia a dia. Haverá situações que causarão muita ansiedade, como por exemplo uma prova, realidades que vão ser constantes nas suas vidas e que devem aprender a gerenciar.

9. Fomentar um diálogo democrático



À medida que as crianças vão crescendo, aparecerão mais demandas, e desde pequenos devemos ensinar-lhes a importância de compartilhar, dialogar, negociar de modo democrático. A família é um exemplo da sociedade e o melhor campo de aprendizagem.

10. Abertura à expressão de emoções




É essencial que possamos proporcionar aos nossos filhos a confiança apropriada para que ponham em voz alta aquilo que lhes preocupa, que lhes faz infelizes e também felizes. O lar e a escola serão os primeiros cenários onde sua vida se desenvolverá; se lhes oferecemos comodidade para que possam se expressar e se comunicar, também o farão à medida em que crescerem em outros contextos.
O saber se comunicar e o reconhecer emoções próprias e alheias são, sem dúvida, imprescindíveis para que possam amadurecer pouco a pouco e alcançar uma solvência adequada para se integrarem à sociedade e serem felizes nela. Nós podemos lhes dar essa oportunidade…



segunda-feira, 28 de julho de 2014

Energia da raiva pode ser utilizada para construir

"A raiva por si só não é ruim e nem boa, assim como qualquer outra emoção. Bom ou ruim é o que fazemos com ela"


As emoções são importantes atributos que temos e que, além de nos permitirem nos relacionarmos com coisas, pessoas e situações (são elas que motivam nossos comportamentos) também são termômetros de como as percebemos. Sem as emoções, nosso funcionamento e respostas seriam muito diferentes.

Uma das emoções muito mal "compreendida" é a raiva. Ela é vista por muitos como algo ruim e prejudicial.

A raiva por si só não é ruim e nem boa, assim como qualquer outra emoção. Bom ou ruim é o que fazemos com ela. Podemos utilizar a energia que ela gera (que é muita) para destruir ou construir. Por exemplo, para praticar uma atividade física, fazer uma faxina ou sovar uma massa de pão. Enfim, qualquer atividade que requeira mais energia, que seja mais vigorosa, assim como é com a raiva.

Quando se tem consciência do que gerou uma determinada emoção e se relaciona melhor com esse conteúdo, passa-se então a não sofrer tanto pela emoção resultante, seja ela de tristeza, medo ou raiva, porque aceita-se essa emoção ao invés de brigar com ela.

Meu conhecimento e experiência me mostram que muitas vezes a raiva pode ser uma forma de defesa contra o medo que se sente frente a uma situação, mas que não se percebe. O que acaba se percebendo é somente o que se vê diante disso: uma reação de agressividade. Isso abre uma oportunidade de perceber a raiva de outra maneira: uma tentativa de se proteger (bem como as reações instintivas dos animais quando percebem perigo - fogem ou atacam).

O que devemos nos perguntar é: "O que estamos temendo?", "Há realmente uma ameaça ou nós que interpretamos a intenção da pessoa desse modo?"

É possível que através desses questionamentos percebamos que fazemos diversas distorções cognitivas (veja aqui) em contextos que não necessariamente há uma ameaça mas, por percebermos desse modo, sofremos.

Reveja suas reações agressivas, perceba quando a raiva aparece, reflita se há a percepção de ameaça e você está respondendo "eriçando os pelos e colocando as garras de fora"; veja se há realmente necessidade disso contra essa pessoa ou se há o medo da vulnerabilidade e, para evitar isso, ataca.


Aproveite as situações para se conhecer e poder trabalhar sobre elas.


Leia este texto também em Via Estelar.

terça-feira, 18 de março de 2014

Frente às incertezas da vida, modificar-se, é um grande passo




Muitas pessoas procuram psicoterapia com o intuito de serem mais equilibradas. Trazem queixas de que não sabem lidar com determinadas situações, que acabam ficando muito ansiosas ou controladoras, ou ainda que explodem ou irrompem em lágrimas.

Todas essas são respostas comportamentais sobre como se sentem nesses contextos e, portanto, consequências de como elas percebem esses momentos.

SUBESTIMAR/SUPERESTIMAR: diante de uma situação difícil, é preciso dosar o quanto se pode agir

Todos nós passamos com alguma frequência por situações difíceis, estressantes ou ainda com resultados incertos mas, nem por isso, precisamos necessariamente ter comportamentos extremos; tudo dependerá de como nos colocamos diante dessa situações. Precisamos dosar o quanto podemos ou não agir diante de cada contexto, nem superestimando a nós mesmos e nem subestimando.

É fácil ver o sofrimento que há quando queremos controlar demais as coisas, buscando determinar como os outros se comportarão, desejando prever os resultados futuros, demonstrando uma grande dificuldade em lidar com a incerteza.

Incerteza sempre haverá e aí faz parte conseguirmos nos manter centrados, equilibrados e aceitarmos que ela esteja presente em algum aspecto de nossa vida. Assim em diversas vezes não poderemos fazer nada ou muito pouco para garantir resultados. Desse modo, aceitar nossos limites e não querer controlar o incontrolável (ansiando predizer respostas) é um grande treino adaptativo para manter-se mais sereno.

Por outro lado, não podemos também nos isentar de nossas responsabilidades e, consequentemente, do poder que temos nas mãos diante de inúmeras situações em que podemos mudar ou construir desfechos.

Ponto de equilíbrio saudável

Se acreditarmos que não podemos fazer nada e, que a decisão é sempre dos outros ou que as situações terão com certeza esse ou aquele final, então ficamos totalmente ausentes da capacidade de transformação e de atuação sobre o mundo. Precisamos nos empoderar, tomando as rédeas de nossas vidas em nossas mãos e percebendo o que podemos fazer diante de cada situação que nos apresenta, já que no mínimo, poderemos pelo menos trabalhar em modificar nossa maneira de enxergar os eventos; o que já fará bastante diferença para nós.

Para ter mais tranquilidade nas emoções
Dessa maneira o segredo para termos mais tranquilidade e equilíbrio nas emoções e, principalmente na maneira como lidamos com elas e as externalizamos, é não ir para os extremos no sentido de superestimarmos nosso poder de controle sobre as outras pessoas e situações, aprendendo a lidar com as incertezas; bem como também não nos enfraquecermos diante dos eventos nos quais nossas atitudes podem influenciar e até determinar os resultados. Sendo assim, equilíbrio gera equilíbrio.

Leia este texto também em Via Estelar. 

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Nomes que damos às emoções dependem de vivências da infância



O nome que damos ao que sentimos corresponde de fato à emoção vivida? 

"... desde que nascemos e passamos a interagir com outros seres humanos, passamos a ser educados sobre o que estamos sentindo..."
É possível dizer que as emoções sempre estiveram presentes em nós desde nosso nascimento?

Ou então, a partir de quando passamos a ter emoções ou sentimentos? Essa é uma reflexão interessante de se fazer.

Como sabemos se estamos tristes, com raiva, com medo ou ainda alegres?

No que você se baseia para nomear aquilo que sente em um determinado momento?

O que utilizamos como parâmetro são nossas reações físicas e fisiológicas.

É através de algumas mudanças no nosso organismo (sinais – percebidos ou medidos por outros - e sintomas – perceptíveis somente para a própria pessoa) que nos baseamos para dizer o que estamos sentindo.

Desse modo, as emoções, sentimentos e humores, estão diretamente ligadas à propriocepção, ou seja, a capacidade que cada um tem de perceber seu próprio corpo.

Se eu me atento mais às minhas reações corporais, tanto mais eu perceberei qualquer oscilação, podendo ou não atribuir essas alterações a uma mudança de humor ou ainda a alguma emoção.

O que determina então se eu atribuirei ou não alguma mudança em meu organismo a uma emoção, sentimento ou humor?

Isso dependerá muito da educação que tive na minha infância. Você pode-se perguntar o que ou como a educação influencia as emoções ou humor de uma pessoa. O que ocorre é que desde que nascemos e passamos a interagir com outros seres humanos, passamos a ser educados sobre o que estamos sentindo.

Quando o bebê abre a boca e mostra as gengivas, esboçando um sorriso, a mãe pode-lhe dizer: “Você está feliz porque viu a mamãe!” ou ainda, quando o bebê está no berço e chora, a mãe pode pegá-lo no colo e dizer: “Você estava triste por que mamãe te deixou aqui sozinho?”

Dessa maneira, passamos desde cedo a ter uma instrução sobre o que estamos sentindo com base nos feedbacks recebidos de quem está à nossa volta. Dessa forma, associamos o nome que outros dão a algumas reações que temos, ao que percebemos sentir naquele momento. Aos poucos nos apropriamos dessas alterações que percebemos em nosso organismo e sozinhos passamos a nomear um conjunto de reações físicas e fisiológicas, fornecendo-lhes um rótulo: alegria, ansiedade, irritação, mau humor, amor, etc.
Reações corporais e emoções 

Dentro desse processo há também uma percepção das diferentes nuances das mudanças que percebemos em nosso corpo, acarretando assim em nomes diferentes para diversas reações. Por exemplo: podemos dizer que ficamos com raiva em um determinado momento, sendo isso mais sutil do que se disséssemos (ou reconhecêssemos) que sentimos ódio.

Desse modo o reconhecimento e nomeação das emoções e estados de humor depende muitíssimo do estímulo que tivemos em nossa infância. Cada família e/ou cultura dá mais ou menos foco (atenção) para as emoções, bem como às emoções positivas ou negativas. Há famílias mais ansiosas, famílias mais alegres e portanto dão mais atenção a esses sentimentos.

Não é difícil perceber diferenças no modo como as pessoas vivenciam suas emoções nas diferentes famílias e culturas.

Leia este texto também em Via Estelar.