Mostrando postagens com marcador depressão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador depressão. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 10 de março de 2016

Antidepressivos sem terapia não têm efeito, aponta pesquisa

Os estudos mais recentes vêm mostrando que os antidepressivos restauram a capacidade de determinadas áreas do cérebro a fim de contornar rotas neurais cujo funcionamento não está normal, mas essa mudança só trará benefícios se acompanhada de uma mudança do paciente – mudança esta obtida através da psicoterapia.
Essa mudança no “hardware” do cérebro só trará benefícios se houver uma mudança no “software” – o comportamento do paciente – algo que não é suprido pelos antidepressivos, só podendo ser alcançado mediante a psicoterapia ou terapias de reabilitação; O alerta está sendo feito pelo neurocientista Eero Castrén, da Universidade de Helsinque (Finlândia).
Plasticidade cerebral
Milhões de pessoas em todo o mundo tomam antidepressivos seguindo receitas de seus médicos, e as empresas farmacêuticas têm faturado bilhões de dólares vendendo essas drogas.
Pesquisas em modelos animais demonstram que os antidepressivos não são uma cura por si só; Em vez disso, o seu papel é o de restaurar a plasticidade no cérebro adulto.
Os antidepressivos reabrem uma janela da plasticidade cerebral, que permite a formação e a adaptação de conexões cerebrais através de atividades específicas e observações do próprio paciente, de forma semelhante a uma criança cujo cérebro se desenvolve em resposta a estímulos ambientais. Quando a plasticidade cerebral é reaberta, problemas causados por “falsas conexões” no cérebro podem ser tratadas – por exemplo, fobias, ansiedade, depressão etc.
A equipe do Dr. Castrén mostrou que os antidepressivos sozinhos não surtem efeitos para esses problemas. Quando antidepressivos e psicoterapia são combinados, por outro lado, obtém-se resultados de longa duração.
“Simplesmente tomar antidepressivos não é o bastante. Nós precisamos também mostrar ao cérebro quais são as conexões desejadas,” disse o pesquisador. A necessidade de terapia e tratamento medicamentoso também pode explicar porque os antidepressivos às vezes não têm efeito. Se o ambiente e a situação do paciente permanecerem inalterados, a droga não tem capacidade para induzir mudanças no cérebro, e o paciente não se sente melhor.


sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Sensação de vazio existencial é comum

"Viver para si mesmo é deixar um espaço entre todas essas tarefas para você fazer as coisas que faz por prazer..."

É comum encontrar pessoas que têm uma sensação bastante desconfortável de vazio interno, mas inúmeras vezes elas não têm muita consciência disso ou não sabem o que fazer para resolver essa questão.

Muitos quando entram em contato com esse desconforto acabam tentando preenchê-lo com sexo, drogas ou aventuras ou ainda apegando-se a um relacionamento ou religião. Desse modo a busca se dá externamente e, logicamente acaba sendo falha, já que nada externo poderá preenchê-lo plenamente.


Esse vazio provém da combinação de dois fatores:

- A falta de você mesmo;

- A supressão de seu impulso interior.

Se você se empenhar em trabalhar esse dois pontos (sozinho ou em um processo terapêutico), se sentirá livre dessa angústia e de todo mal-estar relacionado a ela.

A falta de você mesmo = vazio existencial

A falta de si gera uma sensação de que falta algo na vida. Isso pode levar à compulsão pela busca de alguma coisa que o preencha ou achar que a solução será quando fizer determinada coisa como: ganhar mais dinheiro ou ter mais status, estudar mais, ter mais amigos, casar-se, emagrecer etc. Alcançar esses objetivos pode momentaneamente trazer bem-estar e alguma tranquilidade, mas será por pouco tempo, já que a inquietação da falta e a angústia logo retornarão. A única maneira de preencher esse vazio existencial é preenchendo-se de si mesmo, vivendo para si mesmo.

Mas o que exatamente significa "viver para si mesmo"?

Evidentemente, não significa ser egoísta ou se isolar do mundo. Há inúmeras coisas que precisamos fazer no dia a dia para sobrevivermos tais como: ganhar dinheiro para pagar as contas, ser agradável com pessoas as quais você não tem muita afinidade ou não gosta, resolver problemas de diversas ordens, comer, dormir etc. Todas essas coisas são importantes, mas não são estas que trazem sentido para nossa vida. Elas são obrigações e, se ficarmos somente nelas, nos sentiremos cada vez mais esvaziados de nós mesmos.

Viver para si mesmo é deixar um espaço entre todas essas tarefas para você fazer as coisas que faz por prazer, aquelas coisas que te trazem bem-estar, aquilo que que você se sente pleno quando está fazendo, onde perde muitas vezes a noção do tempo e das coisas à sua volta. Nesses momentos você está realmente em contato consigo mesmo, não no automático do dia a dia que trata-se de distração, de sobrevivência já que você está distante de si.
Podemos nos sentir em contato com nossa essência pintando, escrevendo, correndo no parque, ensinando, cozinhando, compondo uma música ou tocando algum instrumento etc.

Com um mínimo de autoconhecimento cada um pode procurar em sua vida quais são as coisas que faz, porque realmente deseja e não por que alguém mandou ou por que irá agradar alguém ou ainda porque isso trará mais dinheiro.
Sêneca, um pensador romano que viveu há cerca de dois mil anos, certa vez disse:

"Não temos exatamente uma vida curta, mas deperdiçamos uma grande parte dela. A vida se bem empregada, é suficientemente longa e nos foi dada com muita generosidade para a realização de importantes tarefas. Ao contrário, se desperdiçada no luxo e na indiferença, se nenhuma obra é concretizada, por fim, se não se respeita nenhum valor, não realizamos aquilo que deveríamos realizar, sentimos que ela realmente se esvai."

E se você sente que não encontra nada que te agrade e te faça sentir-se em paz? O que fazer?

Eis que chegamos ao segundo item gerador de angústia: a supressão de seu impulso interior.
Diga-me, com sinceridade:

Como seria a sua vida se você não tivesse essa inquietação no coração?

É justamente esse desconforto que você sente que faz com que você se mova em direção a algo e não se acomode. É possível que se não houvesse essa inquietação, você aceitasse o que a sociedade impõe e vivesse quietinho com isso. O sofrimento vem justamente por conta disso, de tentar se encaixar em algo que não lhe serve, de procurar se adequar a realidades que não lhe satisfazem realmente ou de estar buscando em situações que não vão ao encontro de sua verdade.

Se tentamos "enjaular" essa inquietação tentando viver como "todos" podemos nos deprimir, pois estamos negando um impulso vital que está justamente nos obrigando a nos mexermos em direção a algo. Por outro lado, se o aceitamos e utilizamos essa força para empreender uma jornada em direção à nossa verdade, à nossa essência, teremos a oportunidade de encontrar tesouros dentro de nós, já que as respostas sempre estão em nosso interior, mesmo que ainda não saibamos quais são.


Leia este texto também em Via Estelar.

Sintomas de depressão pós-parto podem ser negligenciados por conta de correria com o bebê

"Por isso cabe ao companheiro, à família e amigos darem suporte a essa mãe para que possa sentir-se mais segura..." 

Quando uma mulher tem um filho, sua vida muda completamente. Ela deixa de ser uma pessoa independente e passa a ter alguém dependendo dela para tudo. Com isso, coisas simples para ela, como tomar banho, ir ao banheiro ou comer... tornam-se mais difíceis de serem feitas e, dependendo da organização e do suporte que ela tem, podem acabar influenciando seu humor.


Tornar-se mãe é o sonho de muitas mulheres mas, dependendo do contexto, essa situação, pode se tornar quase um pesadelo.

Quando a mulher engravida, há uma grande alteração em seus níveis hormonais, sendo que a taxa de alguns sobe vertiginosamente. Após o parto, essas taxas caem muito, fazendo com que de um momento para outro haja uma grande variação. Isso pode afetar o humor fazendo com que ela sinta-se triste por um período que vai de aproximadamente de três dias após o parto e até duas a três semanas. Esse evento se dá tanto por essa grande alteração hormonal, quanto pela mudança abrupta de rotina.

Passado esse período... tristeza, irritabilidade, angústia, entre outros sintomas, podem se manter, há o risco, tanto da mulher, quanto das pessoas à sua volta, acharem que isso é normal pelo estresse e correria do dia a dia ; e não darem a devida atenção. Nesse caso, pode ser uma depressão pós-parto que tenha aparecido e que pode cronificar-se pela ausência de tratamento.

Sim, as mães ficam cansadas, irritadas em alguns momentos, com menos disposição para fazer as coisas que gostavam de fazer anteriormente mas, se isso for rotina, já estamos falando de um problema psíquico que se instaurou e não mais somente de emoções pontuais e passageiras. Como o dia a dia é muito atarefado, as coisas podem se confundir e essa mãe pode estar em sofrimento sem bem ela mesmo se dar conta disso.

Por isso cabe ao companheiro, à família e amigos darem suporte a ela para que possa sentir-se mais segura nas suas funções maternas, bem como poder descansar e ter momentos de lazer. Se ainda assim, ela perceber essas alterações, cabe a ela relatar isso e buscar auxílio tanto psicoterapêutico quanto possivelmente de um psiquiatra.

Sintomas de depressão pós-parto:

- Tristeza constante, especialmente na parte da manhã e/ou à noite;
- Sensação de que não vale a pena viver e de que nada de bom vem pela frente;
- Sensação de culpa e de responsabilidade por tudo;
- Irritabilidade e falta de paciência com parceiro e filhos;
- Choro constante;
- Exaustão permanente acompanhada de insônia;
- Incapacidade de se divertir;
- Perda do bom humor;
- Sensação de não conseguir lidar com as circunstâncias da vida;
- Enorme ansiedade em relação ao bebê e busca constante por garantias, por parte de profissionais de saúde, de que ele está bem;
- Preocupação com a própria saúde, possivelmente acompanhada pelo temor de ter alguma doença grave;
- Falta de concentração;
- Sensação de que o bebê é um estranho e não seu próprio filho.

Além dos sintomas mencionados acima, é possível também vivenciar:

- Perda de libido;
- Falta de energia;
- Problemas de memória;
- Dificuldade para tomar decisões;
- Falta ou excesso de apetite;
- Noites de sono interrompido.

Se você é mãe com bebê até aproximadamente dois anos e se identifica com diversos itens, procure ajuda. É importante para você e seu bebê.


Leia este texto também em Via Estelar.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Hipocondria pode gerar depressão e ansiedade



"A hipocondria se caracteriza por uma interpretação errônea das sensações corporais corriqueiras, que acaba sendo percebida como anormal, levando ao medo e mantendo a crença de se estar gravemente doente"

Muita gente conhece alguém que sofre com “mania de doenças”. Há sempre a verbalização de que algo está doendo ou que há uma mancha nova no corpo ou algum sintoma não visto antes.

Essas pessoas recorrem constantemente a hospitais, consultórios e prontos-socorros, sempre reclamando de alguma doença. Há o inconformismo com os médicos e exames que indicam a inexistência de qualquer problema de saúde, mas que não convencem, e por isso buscam em seguida a avaliação de outro profissional na expectativa de encontrar o diagnóstico sobre um suposto mal.

Esse quadro poderia até parecer engraçado, se não fosse tão sério e causasse tanto sofrimento às pessoas que têm hipocondria e aos seus familiares.

O que é hipocondria?

Segundo a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID), a característica essencial desse transtorno é uma preocupação persistente com a presença eventual de um ou de vários transtornos somáticos graves e progressivos.

Os pacientes manifestam queixas somáticas persistentes. Sensações e sinais físicos normais ou triviais são frequentemente interpretados pelo sujeito como anormais ou perturbadores. A atenção da pessoa se concentra em geral em um ou dois órgãos ou sistemas. Existe a  frequência de depressão e ansiedade; essas podem justificar um diagnóstico suplementar. Dessa maneira, a hipocondria se caracteriza por uma interpretação errônea das sensações corporais corriqueiras, que acaba sendo percebida como anormal, levando ao medo e mantendo a crença de se estar gravemente doente.

Quais são as causas?

É muito difícil falar em causas da hipocondria, uma vez que são diversos fatores que podem contribuir para o desenvolvimento desse transtorno, sendo então mais adequado falar em mecanismos de formação de sintomas do que propriamente em causas específicas.

Dentro dessa complexidade, estudos sugerem uma etiologia (causa/origem) multifatorial, sendo esses os principais fatores: a amplificação das sensações corporais resultante da atenção exacerbada sobre as mesmas (respostas fisiológicas do corpo); um apego à “necessidade de ser doente” conferindo certa identidade (a de doente), para obter possíveis vantagens por estar doente (ganho secundário: "Se eu estou doente, se não me sinto bem, então o outro pode me solicitar menos, exigir menos de mim"); * mecanismos masoquistas ligados a sentimentos de culpa; além de fatores biológicos (como por exemplo, genéticos, apesar de não se ter dados preciso sobre isso ainda), que predisporiam a pessoa a desenvolver esse quadro.

Sintomas:

1º) Medo e preocupação constantes com a possibilidade de ter determinada doença orgânica ou psíquica grave são os principais sintomas;

2º) Há o pensamento constante de que há alguma coisa errada; o que lhes confere um grande sofrimento;

3º) Busca frequente de serviços médicos e de saúde com consulta a inúmeros especialistas, sempre à procura de uma resposta (diagnóstico) para explicar o que é percebido de anormal no seu organismo. No entanto, não há um convencimento em relação às explicações fornecidas, e assim se mantém um círculo vicioso de procurar outro profissional ou serviço médico na esperança de que se confirme o que há de errado;

4º) Procuram fazer exames, acreditando que algum deles revelará finalmente o seu mal.

5º) O uso habitual de remédios, os quais conhecem a fundo, no entanto, muitos hipocondríacos têm receio em utilizá-los.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é clínico, ou seja, é feito através do relato da história do paciente, de seus sintomas e comportamentos, não existindo exames laboratoriais específicos que confirmem o diagnóstico.

Um fator central para a confirmação desse diagnóstico é que a preocupação com doenças deva ocupar os pensamentos da pessoa frequentemente, bem como trazer sofrimento e limitações consideráveis. Autocuidado é importante, mas quando isso vira quase o centro da vida de alguém, um excesso, torna-se um desvio psíquico.

Há prevenção?

É difícil apontar uma prevenção específica. No entanto, sabemos que a história de vida das pessoas contribui para o surgimento de crenças e, portanto, da crença de que há algo de errado em seu organismo.

Se a família onde se cresce valoriza muito questões ligadas a doenças, falando muito sobre isso, tendo uma frequência de visitas a hospitais ou médicos, ou ainda há a  presença de alguém com doença crônica, tudo isso pode facilitar o desenvolvimento desse quadro.

Há tratamento?

Sim, no entanto inúmeras vezes as pessoas demoram muito para chegar a um serviço psiquiátrico ou psicológico, pois não têm conhecimento de que se trata de um problema psíquico.

Desse modo muitas vezes vivem por muitos anos sofrendo, sendo mal tratadas em serviços de saúde (pois, alguns profissionais percebem essa busca constante, mas sabem que não há nada de errado com elas) ou ainda, para evitar o preconceito, mudam constantemente os profissionais ou serviços, dificultando desse modo que possam ser encaminhados para um especialista da área da saúde mental.

A TCC é muito indicada por ser bem focal e trabalhar os sintomas e causas objetivamente, bem como dessa forma permitir resultados mais otimizados.

Quanto à medicação, não há medicação específica para a hipocondria, mas sim para alguns sintomas associados. Os antidepressivos são úteis em alguns casos, assim como os ansiolíticos.

* A culpa traz mal-estar para às pessoas. Elas sofrem com isso e pessoas com traços masoquistas sentem prazer na dor, no sofrimento. Desse modo, há pessoas que têm um certo prazer em sentirem-se culpadas. É provável que a culpa seja percebida como um comportamento de segurança para lidar com alguma crença negativa: ex. se eu tenho a crença de que sou ruim, má e eu me culpo por isso, estou me punindo e sinto um prazer em estar me castigando.

Leia este texto também em Via Estelar.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Como percebo os acontecimentos? (Estilos de atribuição)

“Tudo o que vês é o resultado dos teus pensamentos. Não há nenhuma exceção para esse fato... Como um homem pensa, assim ele percebe. Portanto, não busques mudar o mundo, mas escolhe mudar a tua mente sobre o mundo. A percepção é um resultado e não uma causa”

Três pesquisadores da linha cognitivo-comportamental (Abramson, Seligman, e Teasdale) formularam três dimensões do modo como as pessoas percebem e registram as informações.

Eles identificaram que existia uma tendência de cada sujeito fazer tipos particulares de inferências causais aos eventos que o rodeiam. Chamaram essas dimensões de estilos atribucionais (ou Estilos de Atribuição).

Os estilos de atribuição são o modo como cada pessoa atribui causas aos eventos percebidos. Ou seja, a maneira pela qual a pessoa explica para si mesma a razão das situações vivenciadas, o que reflete na sua maneira de enxergar a si, aos outros e seu futuro. As três dimensões formuladas são: internalidade/externalidade, estabilidade/instabilidade e globalidade/especificidade. Elas estão relacionadas às causas: internas (devido à própria pessoa) e externas (devido aos outros, sorte, destino); estável (persiste ao longo do tempo) e instável (transitória); global (afeta diversos aspectos da vida) e específica (limitada ao evento em si).

Os efeitos dos estilos atribucionais

Internalidade
A internalidade excessiva (muito intensa) pode influenciar negativamente a autoestima e gerar culpa e paralisação. Por outro lado, a internalidade pode permitir a sensação de controle sobre a situação, visto que a pessoa se percebe como ator principal, possibilitando mais autonomia e poder frente à situação.

Estabilidade
A estabilidade afeta a desesperança (ou esperança) e influencia na cronicidade da depressão, uma vez que pode-se perceber os eventos ruins como constantes ou como transitórios.

Globalidade
A globalidade influencia a percepção negativa ou positiva dos eventos subsequentes (ex. Se eu perco o emprego e penso que meu marido irá me deixar e nada mais na minha vida dará certo, ou se percebo isso como um evento isolado.

Pesquisas sobre os estilos de atribuição

Diversas pesquisas têm sido desenvolvidas com relação aos estilos atribucionais e suas implicações no sofrimento psíquico, em especial em quadros depressivos. Identificaram a autoestima como um importante preditor na depressão, sendo que o estilo de atribuição considerado interno, estável e global estaria relacionado a maiores níveis de depressão. Já externalidade, estabilidade e especificidade estariam associadas a uma maior saúde mental.

Leia este texto também em Via Estelar.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Processo de perda e luto

Todas as pessoas que têm algum tipo de perda ou que têm a possibilidade de sofrer (morte de ente querido, diagnóstico de doença, falência, traição, punição criminal, etc.) passam por um processo de luto, para poder elaborar e lidar com essa situação. A falecida psiquiatra suíça, Elisabeth Kubler-Ross pesquisou e trabalhou com esse tema e descreveu cinco fases desse processo de luto.

Dentro da abordagem da TCC, é possível perceber que existem pensamentos e comportamentos comuns às pessoas que se encontram vivenciando cada uma dessas fases. Essa descrição pode facilitar a compreensão e a percepção sobre o que ocorre com pessoas que vivenciam alguma forma de perda ou luto.

  Primeira fase: negação
Nessa fase a pessoa nega a existência do problema ou situação. Pode não acreditar na informação que está recebendo, tentar esquecê-la, não pensar nela ou ainda buscar provas ou argumentos de que ela não é a realidade.

 Pensamentos
 • “Isso não é verdade!”
• “Vai passar.”
• “Sempre dou um jeito em tudo, vou resolver isso também.”

Comportamentos
 • Buscar uma segunda opinião ou outras explicações para a questão.
 • Continuar se comportando como antes (ignorando a situação).
 • Não aderir ao tratamento (no caso de doença) ou não falar sobre o assunto (no caso de morte, desemprego ou traição).

  Segunda fase: raiva
Nessa fase a pessoa expressa raiva por aquilo que ocorre. É comum o aparecimento de emoções como revolta, inveja e ressentimento. Geralmente essas emoções são projetadas no ambiente externo; percebendo o mundo, os outros, Deus, etc. como causadores de seu sofrimento. A pessoa sente-se inconformada e vê situação como uma injustiça.

 Pensamentos
• “Por que eu?”
• “Isso não é justo!”
• “Por que fizeram isso comigo?”

 Comportamentos
• Perde a calma quando fala sobre o assunto.
• Recusa-se a ouvir conselhos.
• Evita falar sobre o assunto.

  Terceira Fase: negociação
Nessa fase busca-se fazer algum tipo de acordo de maneira que as coisas possam voltar a ser como antes. Essa negociação geralmente acontece dentro do próprio indivíduo ou às vezes voltada para à religiosidade. Promessas, pactos e outros similares são muito comuns e muitas vezes ocorrem em segredo.

 Pensamentos
• “Vou acordar cedo todos os dias, tratar bem as pessoas, parar de beber, procurar um emprego e tudo ficará bem.”
• “Vou pensar mais positivamente e tudo se resolverá.”
• “Deus, deixe-me ficar bem de saúde, só até meu filho crescer.” (pessoa ao saber que está doente. 

Comportamentos
• Rezar e fazer um acordo com Deus.
• Buscar agradar (no caso de uma traição).
• Se alimentar com produtos lights e diets para compensar os outros alimentos.

  Quarta fase: depressão
Nessa fase ocorre um sofrimento profundo. Tristeza, desolamento, culpa, desesperança e medo são emoções bastante comuns. É um momento e que acontece uma grande introspecção e necessidade de isolamento.

 Pensamentos
• “Não tenho capacidade para lidar com isso.”
• “Nunca mais as coisas ficarão bem.”
• “Eu me odeio.”

 Comportamentos
• Chorar.
• Afastar-se das pessoas.
• Comportar-se de maneira autodestrutiva.

  Quinta fase: aceitação
Nessa fase percebe-se e vivencia-se uma aceitação do rumo das coisas. As emoções não estão mais tão à flor da pele e a pessoa se prontifica a enfrentar a situação com consciência das suas possibilidades e limitações.

 Pensamentos
• “Não é o fim do mundo.”
• “Posso superar isto.”
• “Posso aprender com isto e melhorar.”

 Comportamentos
• Buscar ajuda para resolver a situação.
• Conversar com outros sobre o assunto.
• Planejar estratégias para lidar com a questão.

 As pessoas não passam por essas fases de maneira linear, ou seja, elas podem superar uma fase, mas depois retornar a ela (ir e vir), estacionar em uma delas, sem ter avanços por longo período ou ainda suplantar todas as fases rapidamente até a aceitação. Não há regra. Tudo depende do histórico de experiências da pessoa e crenças que ela tem sobre si mesma e sobre a situação em questão. Tem pessoas que podem passar meses ou anos num vai e vem e não chegar a aceitação nunca. Tem pessoas que em poucas horas ou dias fazem todo o processo, isso varia também em função da perda sofrida pela pessoa.

 O terapeuta de TCC trabalha desafiando os pensamentos automáticos negativos (PANs), fornecendo suporte emocional e planejando conjuntamente com a pessoa comportamentos alternativos mais saudáveis e produtivos.

 Leia este texto também em Via Estelar.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Psicoterapia cognitiva no tratamento da depressão e do transtorno bipolar.

Texto do meu orientador de Mestrado Dr. Francisco Lotufo Neto, Professor Associado do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Objetivos e características

A terapia cognitiva tem como função ajudar o paciente a aprender métodos mais efetivos de lidar com pensamentos, sentimentos e comportamentos que lhe trazem desconforto. Além disso, aborda a situação causadora da ansiedade ou depressão e os problemas cognitivos que estão relacionados à origem da perturbação emocional.

O modelo cognitivo propõe que as emoções e comportamentos das pessoas são relacionados a como percebem ou interpretam os eventos. Isto pode ser identificado através de um primeiro nível de pensamento denominado "Pensamento Automático" (PA).

Os pensamentos automáticos podem não ser realistas e muitas vezes contem erros de lógica. Surgem a partir de crenças acerca de si próprio e do mundo, que são desenvolvidas ao longo da vida, geralmente desde a infância. Algumas dessas crenças são centrais, fundamentais para o indivíduo. Elas determinam o entendimento sobre como eu e as coisas "são" e são consideradas verdades absolutas. As situações da vida são em geral interpretadas através de um prisma determinado por estas crenças. Esta interpretação se irreal ou distorcida pode criar ou manter ansiedade e depressão. A avaliação realista e a modificação dos Pensamentos Automáticos Negativos produzem um alívio dos sintomas, porém a melhora duradoura é resultado da modificação das crenças básicas dos pacientes.

Transtorno Bipolar


A Terapia Comportamental-Cognitiva para a pessoa portadora do Transtorno Bipolar tem os seguintes objetivos:

Educar pacientes e familiares sobre o Transtorno Bipolar, seu tratamento e suas dificuldades.

Ensinar métodos para monitorar a ocorrência, a gravidade e o curso dos sintomas maníaco-depressivos. Facilitar a aceitação e a cooperação com o tratamento. Oferecer técnicas não medicamentosas para lidar com sintomas e problemas. Ajudar a enfrentar fatores de estresse que estejam interferindo no tratamento. Estimular a aceitação da doença e diminuir o estigma associado ao diagnóstico.

A pessoa aprende a reconhecer padrões de comportamento e pensamento, a ter papel mais ativo no tratamento, a lidar com os problemas que produzem estresse e a reconhecer os sintomas que indiquem que uma recaída pode acontecer, para agir preventivamente.


terça-feira, 23 de agosto de 2011

Sua mente determina a forma de perceber os acontecimentos na sua vida


"Na TCC dizemos que o realismo exagerado é um dos fatores que pode levar à depressão. Já aquele que desenvolve o chamado realismo otimista, ou seja, ter uma visão realista, mas colocar mais peso nos pontos positivos tende a criar para si uma forte vacina antidepressão e antiansiedade; assim como uma excelente estratégia para ser mais feliz"

Todo mundo ficou boquiaberto com o terremoto e tsunami ocorrido no Japão. A catástrofe deixou inúmeras pessoas mobilizadas, tanto no próprio território japonês, quanto em outros países.

Parte das vítimas dessa tragédia pode lamentar essa triste situação, vendo-se como vítimas da natureza. No entanto, é possível encontrar em alguns relatos de sobreviventes, como de familiares e amigos, outro comportamento.

Numa perspectiva mais otimista, dentre esses há quem se veja como abençoado ou sortudo por ter sobrevivido a um acontecimento desse. Há quem diga que sua fé o salvou. Existem ainda aqueles que acreditam após essa tragédia, serem capazes de enfrentar qualquer coisa.

Essa descrição demonstra que qualquer situação pode ser vista (interpretada) sob diferentes ângulos. Há quem fale do tsunami como uma tragédia e foque-se somente em todas as perdas ocorridas. Há quem fale sobre a prontidão das pessoas em se ajudarem, até dos animais; exemplo dos elefantes que auxiliaram nos salvamentos; ou das populações de outros países se mobilizando para ajudar de diversas formas enviando mantimentos, roupas, dinheiro, médicos, psicólogos, etc..

Ou seja, o foco é na reação positiva gerada dessa situação. O fato em si é o mesmo para todos, mas a percepção sobre ele é que muda.

Isso serve para qualquer situação que ocorre na vida. Tudo pode ser interpretado (explicado) de mais de uma maneira e depende das crenças pessoais de cada um, de sua consciência (conhecimento) a respeito de si mesmo, do seu estado de alerta para seus pensamentos automáticos e também de sua decisão pessoal de explicar uma situação de uma forma ou de outra.
Se mesmo um evento como o tsunami pode ser visto sob diferentes óticas (como uma tragédia para uns ou como um exemplo de salvação para outros); por que não as situações mais cotidianas e de menor extensão?

Você pode responder que isso não seria realista. Mas, o que seria o realismo? Não seria justamente perceber o que ocorre e descrever isso de uma maneira mais próxima à realidade, sem fazer distorções?
Diante disso, explicar o tsunami somente como uma tragédia seria uma visão realista? Não levar em conta todas as variáveis e ocorrências, focando somente uma única, não seria justamente o contrário de ser realista?
Realismo exagerado X realismo otimista
Na TCC dizemos que o realismo exagerado é um dos fatores que pode levar à depressão. Já aquele que desenvolve o chamado realismo otimista, ou seja, ter uma visão realista, mas colocar mais peso nos pontos positivos, tende a criar para si uma forte vacina antidepressão e antiansiedade; assim como uma excelente estratégia para ser mais feliz.
Nenhuma das duas visões muda a situação em si (o fato), mas a maneira pela qual se percebe o mesmo faz com que o receptor sinta-se abatido ou em prontidão para lidar com o mesmo. Reflita sobre isso!

Leia este texto também em Via Estelar.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Tenho transtorno bipolar e sofro de insônia. O que eu faço?


O transtorno bipolar (antes conhecido por psicose maníaco-depressiva) é um dos subtipos de transtorno de humor caracterizado por grandes variações do mesmo. Esse humor oscila entre uma fase maníaca ou hipomaníaca (mais branda que a maníaca) e uma fase de depressão, as quais podem se alternar em curtíssimos ou mais longos espaços de tempo.

Veja no quadro abaixo os sintomas em cada uma dessas fases do transtorno bipolar:

Episódio de Mania
Episódio de Depressão
· Aumento de energia e disposição;
· Humor eufórico;
· Irritabilidade, impaciência, "pavio curto";
· Distração;
· Tomada de decisão impulsiva;
· Pensamento acelerado, tagarelice;
· Otimismo exagerado, aumento da auto-estima, “ego inflado”;
· Gastos excessivos;
· Falta de senso crítico.
Em alguns casos podem ocorrer:
· Delírios e alucinações;
· Abuso de bebidas alcóolica, drogas e sexo de risco;
· Desinibição exagerada e comportamentos inadequados.
· Dêsanimo e cansaço mental;
· Dificuldade em se concentrar, raciocínio lentificado, esquecimentos;
· Dificuldade em tomar decisões;
· Isolamento social e familiar;
· Tristeza e possivelmente ansiedade;
· Apatia, desmotivação e diminuição do prazer (em atividades que antes se tinha);
· Baixa autoestima (autodesvalorização);
· Sentimentos de medo, insegurança, desespero e vazio;
· Alteração do apetite (para mais ou para menos);
· Pessimismo, ideias de culpa;
· Diminuição da libido;
· Geralmente aumento do sono, mas pode haver insônia.
Em alguns casos podem ocorrer:
· Dores e problemas físicos (dores de cabeça, problemas gastrointestinais, refluxo, pressão no peito;
· Idéias suicidas.

Carta de paciente com Transtorno Bipolar sobre seu sono

“A primeira coisa afetada quando não estamos equilibrados é o sono. Até dias atrás a minha rotina era dormir 5 horas da manhã e acordar às 19 horas. Estava vivendo um horário invertido e isso estava me deixando deprimido. Trocar o dia pela noite é uma constante na vida do bipolar.

Antes mesmo de termos algum outro sintoma, nosso padrão de sono muda. Seja com sonhos diferentes, pesadelos, insônia, dormindo demais. Quando não estamos bem, o sono se modifica. E o inverso é verdadeiro: para ficarmos bem, temos que dormir bem.

Cada pessoa tem uma necessidade diferente de horas de sono. Uns precisam de mais horas e outros de menos. Porém, cada um precisa dormir suas horas necessárias e no horário certo, com regularidade.

A tolerância para aguentar abusos de falta de sono ou de sono de má qualidade também varia de pessoa para pessoa.

É fundamental ter um ambiente propício para o sono. Com conforto, tranquilidade, paz, silêncio e sem estímulos externos para de fato repousarmos.

Nosso período de sono deve ser respeitado tanto quanto nosso período acordado. E não visto como uma perda de tempo. O sono é importante e prepara o indivíduo para enfrentar os estímulos que se apresentam quando estiver acordado.

Aqui, como o equilíbrio, ter um bom sono também é uma opção consciente e muitas vezes envolve abrir mão de outras coisas.

Como uma dieta alimentar, temos que manter uma regularidade de sono bom, com horários, com qualidade de sono e deixar os excessos para ocasiões especiais.

Devemos também observar nosso padrão de sono para perceber qualquer alteração nele indicando um problema em outra área, visto ser ele o primeiro indicativo de desequilíbrio.

Aprendendo a conhecer nosso sono, respeitá-lo e tratar qualquer alteração em nossa vida assim que ela se apresente como alteração de padrão de sono, nos manterá muito mais facilmente em equilíbrio.”
Segundo o livro Terapia Cognitivo-Comportamental para Transtorno Bipolar “a consistência do ciclo sono/vigília pode ser uma parte crítica na manutenção da estabilidade do transtorno bipolar. Descobriu-se que a perda do sono precipita a mania (...), enquanto reestabilizar o sono é a chave para controlar os sintomas” (2009, p.136).

De acordo com pesquisadores, enquanto as pessoas sem o trantorno se recuperam facilmente após uma noite maldormida, os portadores do transtorno seriam mais vulneráveis a esse tipo de alteração. Isso ocorreria porque essa psicopatologia parece ser altamente influenciada pelo ritmo circadiano - o "relógio biológico" que regula o horário da fome e do sono - e mudanças nesse ciclo poderiam agravar os sintomas.

Quando em fase hipomaníaca ou maníaca geralmente a pessoa com TB tem muita dificuldade para dormir cedo, acaba se ocupando com algumas atividades, pois está muito agitada e quando vai ver já é quase de manhã. Pode ocorrer também de ela achar fácil pegar no sono, no entanto acorda muito mais cedo que o normal e não sente necessidade de dormir mais. É possível que o indivíduo veja isso como uma oportunidade para se dedicar mais ao trabalho, iniciar novos projetos ou atividades ou ainda realizar tarefas negligenciadas, por isso não se sente nem um pouco motivado a melhorar a duração ou qualidade de seu sono.

No entanto, o que pode parecer benéfico no início, mais hora ou menos hora, irá se tornar um grande malefício: haverá um aumento da irritabilidade, intolerância e agitação mental e motora, maior dificuldade de concentração e raciocínio claro e objetivo (dificultando, por exemplo, a tomada de decisões racionais), indisposição para fazer determinadas atividades e, consequentemente uma provável descompensação, tanto no sentido de agravar o quadro de mania, quanto aos poucos, por se estar trocando a noite pelo dia, acarretar em depressão.

Dicas para uma boa noite de sono

- Seja constante. Busque dormir e acordar mais ou menos no mesmo horário todos os dias, inclusive nos finais de semana.

- Dormir é algo para se fazer à noite. Evite dormir durante o dia e ficar acordado até tarde, isso reforça ainda mais um ciclo de sono alterado. Se o seu ciclo já está, busque estratégias (junto a seu médico, seu psicoterapeuta, ou outro profissional que lhe possa dar suporte) para fazer com que seu sono volte ao normal.

- Utilize a cama somente para dormir. Utilize outros cômodos que não o quarto de dormir e a cama para fazer suas atividades, tais como estudar, trabalhar, assistir televisão, ler, entre outras. Crie o hábito de utilizar a cama somente quando for dormir e desse modo permita que seu corpo associe esse móvel ao ato de adormecer e dormir.

- Fique confortável. Organize o ambiente de sono de maneira a ser o mais agradável possível e escolha travesseiros, colchão e roupa de cama que lhe deixem confortável.

- Desacelere no final do dia. Comece a se preparar para dormir com uma hora de antecedência, deixando de fazer atividades que o deixem agitado física e mentalmente, optando por ficar mais calado, em ambiente silencioso e buscando aquietar sua mente.

- Evite estimulantes que possam mantê-lo acordado. Busque ingerir alimentos leves no jantar e evite os que contêm cafeína e açúcar, tão bem como fumar pouco antes de dormir, uma vez que a nicotina também é uma substância estimulante. Comer alimentos gordurosos, picantes ou em grande quantidade também pode prejudicar a qualidade de seu sono.

E se eu não conseguir dormir?

Não entre em pânico. Sono e ansiedade não combinam. Se você começar a se preocupar ou entrar em pânico por não conseguir dormir, isso só irá dificultar ainda mais a situação. O sono é algo que aparece espontaneamente, você não tem como forçar seu corpo de modo que ele aconteça. Assim, quanto mais você tentar se forçar a dormir, mais tempo pode levar para que isso aconteça.

Acalme seu corpo. Para você dormir é necessário que seu corpo e mente trabalhem juntos, desse modo, se sua mente está muito agitada, você poderá utilizar seu corpo para ajudá-lo a relaxar. Há diversas técnicas de respiração e de relaxamento que podem contribuir muito nesse processo (clique aqui e leia).

Mas especialmente o relaxamento de Jacobson pode ser muito interessante nesse contexto. Esse consiste em tensionar um grupo muscular por aproximadamente 3 segundos e após os mesmos relaxar a parte do corpo tensionada, repetindo o mesmo procedimento por 3 vezes em cada grupo muscular. É aconselhável que no início do treinamento dessa técnica se comece com grupos musculares menores (ex. pés, panturrilhas, coxas, quadris, pelve, barriga) e depois com a prática vá aumentando o tamanho dos grupos musculares (ex. pernas, tronco, braços). Sempre se inicia o relaxamento pelos pés e termina na cabeça.

Muito desperto para conseguir dormir?
Saia da cama e faça algo relaxante. Se você está muito agitado ou acordado para conseguir dormir, ficar na cama rolando de um lado para outro não vai ajudá-lo nesse intento. É melhor que você saia da cama e vá fazer algo que a acalme como assistir algum programa tranquilo de televisão ou um filme (não de terror ou de ação), ler um livro (se for chato ou entediante pode ajudá-lo a pegar no sono mais rapidamente) ou ainda alguma outra atividade que lhe traga assossegamento.

O que não deve ser feito quando houver dificuldade para dormir

- Ingerir cafeína

Não prepare um cafezinho quando estiver com dificuldade para dormir, isso pode mantê-lo ainda mais desperto. Se você gosta de tomar café e admira fazê-lo em noites frias, compre um café descafeinado ou busque outra alternativa similar.

- Navegar na internet

Não saia da cama para ir navegar na internet, ao invés de lhe dar sono é mais provável que essa atividade estimule seu cérebro e que você fique mais agitado e curioso.

Programas de televisão e livros instigantes

Se você optar por assistir TV ou ler um livro, escolha uma opção que mais provavelmente não irá estimulá-lo a querer mais. Ex. assistir aquele filme que a tanto tempo você estava querendo.

Tarefas domésticas

Não levante da cama para arrumar, limpar ou organizar a casa. Por mais que essas tarefas estejam pendentes e preocupem-no, fazê-las nesse momento vai deixá-lo mais agitado. Busque anotar o que precisa ser feito (para tirar essa preocupação da cabeça) e tirar o foco disso. Fazer faxina de madrugada não ajuda ninguém a dormir.

Exercícios físicos

Não é uma boa ideia sair da cama para fazer atividades físicas, mesmo sabendo que essas o deixarão cansado. O que ocorrerá, além disso, será uma estimulação da sua mente, fora a descarga de adrenalina que seu corpo sofrerá em consequência desse comportamento. Se fazer exercícios é algo que lhe agrada, faça-os no mínimo com algum espaço de tempo antes de ir deitar-se.


*Utilização de contribuições do livro Terapia Cognitivo-Comportamental para Transtorno Bipolar, Manual do Terapeuta, de Basco e Rush, editora Artmed. Também existente na versão Manual do paciente.

Leia este texto também em Via Estelar.

domingo, 8 de maio de 2011

Mal humor pode deflagrar um transtorno psicológico


Quando o mau humor é crônico e constante ele é considerado um distúrbio emocional conhecido como distimia definido inclusive no CID 10 - Classificação Internacional de Doenças da OMS.
Parece estranho procurar um psiquiatra ou psicólogo por causa do mau humor. Saiba que isso não é nenhum absurdo, pois dentre os critérios para avaliar a presença de um transtorno psicológico e dos sofrimentos advindos do mesmo encontra-se o mau humor crônico.

Desse modo, pessoas que vivem “azedas”, reclamam de tudo, estão sempre como se tivessem uma nuvenzinha preta em cima da cabeça ou ainda que se irritam por pouco podem não ser simplesmente “chatas”, mas sim apresentar um distúrbio emocional: a distimia.
A distimia se apresenta como uma depressão, com sintomas de intensidade leve, se inicia em idade jovem (classifica-se como precoce se ocorreu antes dos 21 ou tardia se ocorreu com essa idade ou mais) e traz sofrimento e/ou prejuízos significativos para a pessoa, assim como para seus familiares, amigos e colegas de trabalho. Trata-se de um estado depressivo crônico demonstrado através do mau humor, desânimo, chatice, irritabilidade, birra, implicância, estar de mal com a vida, etc.

A definição para distimia fornecida pelo CID 10 (Classificação Internacional de Doenças, 10ª revisão) é:



“Rebaixamento crônico do humor, persistindo ao menos por vários anos, mas cuja gravidade não é suficiente ou na qual os episódios individuais são muito curtos para responder aos critérios de transtorno depressivo recorrente grave, moderado ou leve”.

Em outras palavras, diferenciando a distimia da depressão mais severa, a segunda apresenta episódios mais marcantes sendo mais fácil diferenciá-los do funcionamento habitual do indivíduo, já a distimia é caracterizada por sintomas depressivos crônicos, de menor severidade e intensidade e que são mantidos por muitos anos.

Os principais critérios diagnósticos propostos pelo DSMIV (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, quarta revisão) para o Transtorno Distímico são:

1. Humor deprimido na maior parte do dia, na maioria dos dias, indicado por relato subjetivo ou observação feita por outros, por pelo menos dois anos.

2. Presença, enquanto deprimido, de duas (ou mais) das seguintes características:

• apetite diminuído ou apetite em excesso
• insônia ou hipersônia
• baixa energia ou fadiga
• baixa autoestima
• fraca concentração ou dificuldade em tomar decisões
• sentimentos de desesperança

3. Os sintomas causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
Além desses sintomas descritos pelos manuais de saúde, estudos demonstram que pessoas com distimia podem apresentar outras características psicológicas, que definem como elas se veem (autoconceito) assim como o modo pelo qual percebem o mundo à sua volta e as ouras pessoas.

É frequente a perda generalizada do interesse ou prazer pelas coisas, consequentemente a diminuição da atividade, efetividade ou produtividade (também em função da fadiga), sentimentos de culpa ou preocupação acerca do passado.

O sentimento de inadequação e desconforto é muito comum e, o retraimento ou isolamento social manifesto por querer ficar só em casa, sem receber visitas, sair ou atender ao telefone é relatado nas piores fases.

Esses pacientes reconhecem sua inconveniência quanto à rejeição social (ou seja, percebem suas atitudes disfuncionais), mas não conseguem controlar. As sensações subjetivas de irritabilidade, raiva excessiva ou impaciência são sintomas frequentes e incomodam ao próprio paciente.

Há também uma distorção na autocrítica, fazendo frequentemente com que essas pessoas vejam a si mesmas como desinteressantes ou incapazes. Como esses sintomas tornaram-se uma parte tão presente na experiência cotidiana do indivíduo (em função da grande durabilidade), fica difícil para eles distinguir essa perturbação do humor e é comum o relato de: “Sempre fui dessa maneira”, “Sou assim mesmo” o que impede a procura de tratamento.

É preciso estar atento para que certas características e hábitos disfuncionais não sejam esquecidos, relevados ou afogados pela correria do dia a dia, impedindo que seja procurado ajuda ou ainda que haja sofrimento sem necessidade de tal.

Leia este texto também em Via Estelar.