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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Não paute sua vida pelo medo

Você já parou para pensar quantas vezes você dirigiu suas ações com base no medo? Quantas vezes já não estava mais feliz em um relacionamento mas, permanecia ali por medo da mudança? Quantas vezes já não estava mais satisfeito e realizado com seu trabalho mas, se mantinha lá por medo de como seria se saísse? 

Quantas vezes não gostou de algo mas, se calou com medo da desaprovação das outras pessoas? Quantas vezes disse sim, querendo dizer não e vice versa? Tudo por conta do medo!

Você já se deu conta de medo de quê?

O desconhecido ou a incerteza geram muito medo para a maioria das pessoas pois na impossibilidade de controlar as coisas, ficam inseguras. E, contidos nesse medo do desconhecido estão todos os outros medos: o medo de não agradar (e por isso ser rejeitado, não amado), o medo de falhar (e se julgar incapaz), o medo de ser inadequado. 

Na verdade, diante da incerteza só temos uma coisa certa: que não há nada determinado. No entanto, o medo surge porque focamos nos piores desfechos e, ao pensarmos neles não levamos em conta possíveis soluções. Pelo contrário, só pensamos que acontecerá o pior dos problemas e, paramos nisso. E por isso ficamos com tanto medo. 

Quando sentir medo de algo, busque ir além do medo. Olhar além do problema ou do resultado negativa que você pensou. Procure soluções para essa consequência que imaginou. Imagine-se lidando com essa situação ou atravessando-a (como já fez tantas vezes em outros momentos no passado). Perceba como o medo diminui ou até se dissipa.

Experiente isso e me conte como foi.

Precisamos ir para longe para nos aproximarmos de nós mesmos



Quantas e quantas pessoas nós já conhecemos que precisaram viajar para longe para se encontrar. Ou que tiraram um período sabático para viajar e viver experiências no intuito de resolver alguma crise existencial ou compreender melhor a si mesmo.

Eu mesma há alguns anos atrás já passei três meses longe de casa, em uma ilha, porque precisava estar mais comigo mesma ou algum tempo depois quando me aventurei a fazer um curso profissional de mergulho autônomo (aquele com cilindro) e enveredei a mergulhar nas profundezas do mar (e nas minhas próprias também) porque estava me sentindo perdida. 

Muitas vezes precisamos ir para longe para nos aproximarmos de nós mesmos. E sim, isso ajuda e funciona pois, viajar é sair da sua zona de conforto. Você não está na sua rotina, na sua casa, com seus conhecidos em volta, em um lugar que já conhece os caminhos, aonde tem mercado ou restaurante. Quando você viaja você se lança no desconhecido e precisa lidar com a sua vulnerabilidade, com o estresse de não saber o que virá ou como será.

Você precisa exigir mais de si no sentido de se encontrar no lugar em que está, em se adaptar a uma rotina diferente e muitas vezes em desenvolver ou praticar habilidades que não utiliza tanto no dia a dia como falar um idioma diferente ou se organizar bem com o tempo para achar um lugar para ficar antes que escureça. 

Nessa zona de desconforto acabamos ficando muito mais conosco. Percebendo aspectos nossos que na rotina ignoramos. Percebendo que somos muito mais capazes de nos virar do que pensávamos. Precisando ter muitas ações práticas (até mesmo de planejamento) ao invés de ficarmos com pensamentos repetitivos e que na maioria das vezes não nos levam a lugar algum. 

É por isso que tantas pessoas se lançam no mundo, viajando para longe, mudando drasticamente sua rotina, procurando situações até muitas vezes mais desconfortáveis do que se encontravam anteriormente mas, é justamente a mistura desses fatores que permite que nos aproximemos de nós mesmos de uma maneira muito mais verdadeira e, assim podemos lidar com aspectos que nos incomodavam sob um ângulo diferente e através disso descobrir respostas  para aquelas perguntas que não calavam em nossas cabeças.

Você também já teve uma experiência semelhante a essa? 

A resposta para a insatisfação é gratidão

Conheço e atendo diversas pessoas insatisfeitas. Insatisfeitas consigo mesmas, como seu trabalho,  com seu relacionamento amoroso, com seu local de moradia, com seu corpo, etc... Insatisfação é um excelente  alerta para nos fazer perceber que é preciso fazer algo com essa situação que nos chateia. Sem a insatisfação provavelmente tenderíamos a ficar muito mais estagnados, na nossa zona de controle. Uma vez que percebo que mais pessoas são movidas pela insatisfação ou desconforto por algo, ou seja, pela dor, do que pelo prazer em alcançar algo. Ambos são motivadores mas, parece que tem mais efeito sermos empurrados do que puxados. Assim, a insatisfação é um importante ingrediente para a evolução humano e para o desenvolvimento pessoal e profissional.

Maravilha! Então sabemos que quando estamos insatisfeitos com algo, basta compreendermos a raiz da insatisfação, traçarmos o que queremos e planejarmos como chegar até lá? Para muitas pessoas  sim, mas, não funciona desse modo para algumas. Há os insatisfeitos crônicos; que independente de correrem atrás de seus objetivos, pouco conseguem aproveitá-los e, logo já está insatisfeitos novamente. Isso é algo deverás angustiante pois, apesar do quanto de esforços se emprega em chegar lá, a sensação é que quando se chega já não é mais lá que gostaria de estar.

O que fazer nesse caso?

A boa notícia é que há uma solução para pessoas que tem esse perfil e, também para todas as demais que queiram desfrutar de mais bem estar, paz e alegria na vida. E, qual é essa solução então? É a gratidão!
Muito se fala atualmente em agradecer, em ter gratidão e, com razão que se espalha essa ideia. Muito além de ser um bando de "bichos grilos" querendo retornar aos anos 60, essa mensagem tem muito fundamento.

Quando agradecemos por algo, estamos reconhecendo coisas positivas em nossa vida. Que seja ter tido um bom dia, ter feito uma viagem interessante, ter jantado em boa companhia, ter entregue um trabalho que estava te tirando o sono, etc... Todas essas são situações benéficas e que nos trouxeram bem estar. Quando somos gratos a elas, registramos em nossa mente esse ocorrida e essa sensação de bem estar se perpetua por mais tempo do que o término do evento. Dessa maneira, se praticarmos o comportamento de agradecer, manteremos essa "onda" de bem estar por muito mais tempo e, inclusive podemos viver dentro dela; já que diariamente todos temos pelo que agradecer. Seja pelo bonito dia de sol, por ter comido quando se estava com fome, por ter um casaco a mão quando está  frio. Não precisamos de grandes feitos para sermos gratos. O segredo é compreender que há muito mais para sermos gratos do que para reclamar. Assim, "viramos a chave" e passamos a perceber a vida e a existência muito mais em termos de observar e notar a metade cheia do copo, do que a metade vazia.

Exercício prático

Para te auxiliar nessa prática, te explico uma forma de se educar a exercitar sua gratidão.

Pegue uma caixinha ou um pote. Preferencialmente que seja um recipiente que você goste da aparência. Esta será sua caixinha da gratidão ou seu pote da gratidão. Diariamente, pode ser ao final  do dia ou durante o dia, logo após algum evento interessante; anote em uma pedaço de papel algo pelo qual você tenha a agradecer. Como já citei acima, temos mutas coisas boas que acontecem em nosso dia, pelas quais podemos ter gratidão.

Não espere grande situações. Ninguém escala o Everest em um único dia. Temos pequenos presentes dia a dia que podem se somar em um grande após algum tempo. Escreva-os nesses papéis e coloque em sua caixinha. Sua tarefa é fazer isso minimamente 1 vez ao dia mas, quanta mais anotações diárias você fizer, mais se condicionará a ver o lado bom da vida e, assim mergulhar nesse magnífico sentimento de plenitude. Para reforçar ainda mais, você pode todo dia durante o cafe da manhã ou antes de dormir, pegar aleatoriamente 3 papeizinhos e lê-los, devolvendo-os ao seu pote da gratidão.

Quantas e quantas vezes nos cobramos de ter que ter as respostas? De ter que saber o que fazer ou para onde ir? Mas, o fato muitas vezes é que: simplesmente não sabemos.
Não saber também é uma opção. Tão real quanto às outras. A diferença é o modo como lidamos com ela.
Nós não suportamos não saber, não é mesmo?! Há uma voz que aparece em nossas cabeças dizendo: "mas você TEM que saber! Como assim você não sabe?!"
A verdade é que apesar de querermos MUITO saber, se respondermos de maneira honesta para nós mesmos, só podermos dizer que não sabemos.
Por que então se cobrar respostas que ainda não existem? Soluções que você ainda não tem? Comportamentos que ainda não pode emitir?
Essa cobrança que você se coloca te ajuda nessa busca ou só aumenta a pressão e com isso o desconforto?
Por outro lado, se você entende que esse é um tempo, um espaço que você precisa para que as coisas se assentem, se organizem e no tempo certo as respostas virão; isso não traz uma tranquilidade?
É só a dúvida que dá espaço para o novo, para a mudança. Se você tem certeza de tudo, se você já tem todas as respostas, percebe que está fechado para qualquer nova possibilidade?
Acolha então esse espaço vazio, esse "não sei" e conviva com ele. Se aquiete, medite, siga sua intuição, leia o que te interessar, converse com quem te chamar a atenção de algum modo. Perceba que o não saber é o único caminho para saber. Para um saber real, sincero, vindo lá do fundo de você.
As respostas estão dentro de você mas, sem permitir-se o silêncio você não as escutará. Sem permitir o espaço, elas não aparecerão.
Segure sua ansiedade em sair plantando qualquer semente eu seu terreno, só para garantir que algo está acontecendo, que você está fazendo algo ou se mexendo. Se essa não é sua verdade, saiba que você mesmo está criando um problema para si e que em breve terá que resolver pois não é exatamente isso que você quer. E, quando essa colheita der frutos você estará comprometido com ela, sem na verdade querer isso.
Experimente aguardar e confiar. Permita-se testar um caminho diferente.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Os quatro elos do sucesso: autoeficácia, autoconceito, autoconfiança e autoestima

"Autoeficácia exerce influência sobre a autoestima"


Segundo Albert Bandura, psicólogo canadense, a autoeficácia é a crença que o indivíduo tem sobre sua capacidade de realizar com sucesso determinada atividade. 

Quanto mais alguém tem uma autoavaliação positiva nessa área, maior sua segurança e autoconfiança, pois sabe da sua força de realização. O contrário também é verdadeiro, duvidar de sua capacidade em realizar ou conseguir algo, influência negativamente na sua autoconfiança.

Autoconfiança é fruto de seu autoconceito, ou seja, do conceito que você tem sobre si mesmo. Se você tem um bom conceito de si mesmo, sua autoconfiança é boa. Se tem uma autoimagem negativa, logo sua autoconfiança já não é tão boa.

E, autoestima é como nos sentimos a nosso respeito. Podemos nos sentir bem a respeito de quem somos ou nos sentir mal.

Após explicados todos esses conceitos e relacionado-os, posso lhes mostrar o quanto a nossa autoestima está ligada às nossas ações (e às percepções que temos sobre estas) e como podemos melhorá-la ou mantê-la em alta.

Se a autoeficácia está relacionada à autoconfiança, autoconfiança ao autoconceito e autoconceito à autoestima. Para se ter uma boa autoestima, precisamos olhar para a autoeficácia, que é o início dessa equação e, desenvolvendo-a, melhoraremos nosso autoconceito, nossa autoconfiança e consequentemente nossa autoestima.

Então o que fazer de prático com essa informação?
É colocar a mão na massa mesmo. Se propor a fazer as coisas. Se você não sabe fazer, tem medo, sente desânimo ou qualquer outra emoção que o desmotive ou dificulte de entrar em ação, você não está sozinho. Mesmo quem é autoconfiante, também sente medo. A diferença é que essa pessoa diz para si mesma que irá conseguir, que precisa se planejar, se organizar, quebrar a coisa em partes menores para ela se tornar mais fácil e viável de ser realizada, busca auxílio, vai atrás de informação, faz parcerias... Enfim, busca soluções e não desculpas. As desculpas nos travam, nos paralisam é só fazem com que nos sintamos inúteis e mal conosco.

Quanto mais você fizer aos poucos as coisas que são importantes para você, até coisas do dia a dia (arrumar a casa, levar o cachorro para passear, lavar a louça) e valorizar (reconhecer) o que está fazendo, mais útil e realizador(a) se sentirá e aos poucos mais e mais seu autoconceito melhorará, assim como sua autoconfiança e autoestima. Isso serve também para as relações interpessoais; caso você acha que não seja bom com elas. Quanto mais você se expor aos poucos, e utilizar as diferentes oportunidades da vida para treinar, e reconhecer os resultados que você está construindo, melhor você ficará com você mesmo.

Em nenhum momento eu disse que é um caminho fácil, mas estou dando o caminho das pedras e dizendo que é possível. Se sua autoestima é algo que te incomoda, então reflita se é mais interessante para você permanecer exatamente aonde está na sua zona de "conforto" e permanecer com o mesmo resultado. Ou se arriscar por um caminho novo e algumas vezes árduo ou difícil, mas com o prêmio de se sentir bem consigo mesmo(a): potente, autoconfiante, seguro(a). A decisão é somente sua, assim como acordar dia a dia consigo mesmo(a).

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Por que de modo geral as pessoas não se preparam para os relacionamentos amorosos?

"Desentendimentos e discussões esporádicas são normais; todo dia, ou toda semana, não"

Se você perguntar para diversas pessoas o que elas almejam para suas vidas a grande maioria dirá, como um de seus principais objetivos; ter um relacionamento amoroso. 

Alguns buscam uma relação mais profunda e duradoura e outros relações mais breves e, sem tanto envolvimento mas, de maneira geral os seres humanos desejam ter alguém ao seu lado.

Se estar em um relacionamento amoroso é algo assim tão importante, por que então o que vemos por aí são tantos relacionamentos "desamorosos"? 

É incrivelmente mais comum encontrar relacionamentos desarmônicos, disfuncionais, distantes e repletos de conflitos frequentes do que o contrário.

Sim, compartilhar um vida com alguém não é tarefa nada fácil. Tomar decisões conjuntamente, morar sob o mesmo teto e dividir a mesma cama, lidar com as manias do outro etc. Estas são apenas algumas das inúmeras questões que estão envolvidas no estar junto.

No entanto, se namorar, noivar e casar fosse percebido como algo tão ruim assim, esse não seria uma das grandes vontades de tantos. Mesmo quando alguém termina um relacionamento, seja ele breve ou longo, ainda assim, em sua maioria, vislumbra ter um outro e não ficar só.

O que acontece então que os anseios parecem tão diferentes da realidade?

O que percebo é que muitos de nós conseguimos, mesmo que com algum esforço, dar um jeito de funcionar razoavelmente bem na vida cotidiana quando não estamos em um relacionamento amoroso. Vamos varrendo alguns problemas e dificuldades para debaixo do tapete, saímos para a balada e esquecemos nossas angústias e sofrimentos, corremos com as coisas do trabalho e não sobra muito tempo para olhar para dentro de nós. E assim conseguimos levar o dia a dia, até que apareça alguém com quem desejamos passar mais tempo juntos. Geralmente após alguns meses ou semana (senão antes) a lua de mel do início, já começa a se transformar num verdadeiro caos. 

Alguns insistem em seguir em frente mesmo assim, e outros resolvem abrir mão, pois percebem o rumo pouco saudável que isso está tomando.

Sim, é provável e até esperado que diversos relacionamentos não vinguem, mas isso não quer dizer que os que terminam precisam fazê-lo por conta da relação ter se tornado prejudicial e, muito menos que os que vingam, tragam sofrimento para o casal.

Desentendimentos e discussões esporádicas são normais, todo dia, ou toda semana, não.

Afinal, o que ocorre então?

Na minha percepção é que as pessoas desejam muito ter um relacionamento amoroso, mas pouco se preparam para isso.

Quando alguém quer muito passar no vestibular para determinada profissão se dedica a isso: estuda bastante, presta atenção às aulas, faz cursinho.

Quando alguém quer subir de cargo em um empresa busca mais informações sobre essa posição, melhora seu networking com pessoas que possam auxiliá-lo nisso, faz sessões de coaching, implementa habilidades como idiomas ou inicia uma pós-graduação.

Por que então se um relacionamento amoroso é algo tão central e importante para tantos, essas pessoas não fazem nada ou quase nada para garantir o sucesso dessa empreitada? 

O que difere essa meta de tantas outras?

Um bom relacionamento não se dá por sorte, mas sim por empenho de ambas as partes e, principalmente por ambos estarem minimamente maduros, conhecedores de si mesmos e terem trabalhado seus pontos fracos.

Não faz parte do amor eu exigir que meu companheiro ou companheira ature meu mau humor ou meu ciúme descomedido. Mas, sim faz parte do amor e da preparação para meu futuro relacionamento amoroso eu perceber que sou mal-humorado ou que sou muito ciumento, aceitar isso e procurar maneiras para melhorar isso. Posso fazer psicoterapia, buscar literatura a respeito, me inscrever em workshops que promovam autoconhecimento e me ajudem a desenvolver ferramentas para lidar com minhas dificuldades. O como não importa, o que importa é eu me empenhar em buscar estratégias que me auxiliem a ser alguém mais centrado, seguro, maduro e autoconsciente. Desse modo estarei mais preparado para construir relacionamentos mais saudáveis e funcionais e com mais chance de sucesso.


Leia este texto também em Via Estelar.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

EXERCITE OLHAR PRA DENTRO DE SI E NÃO AJA POR IMPULSO


Olhar para dentro de si diante das situações que nos desafiam ou ainda que nos impelem a nos comportarmos de modo automático é um excelente exercício de autoconhecimento, autorreflexão e mudança"


"Tudo o que vês é resultado dos teus pensamentos. Não há nenhuma exceção para este fato: como um homem pensa, assim ele percebe. Portanto, não busques mudar o mundo, mas escolhe mudar a tua mente sobre o mundo. A percepção é um resultado e não uma causa." Extraído do livro Um curso em milagres - Helen Shucman.

Algumas vezes as pessoas vêm procurar terapia ou vêm para uma de suas sessões de terapia com uma percepção e um discurso que as colocam em posição de vítima ou ainda que foram impulsionadas pelo outro a agirem como agiram.

Parte imprescindível no processo terapêutico, é tornar as pessoas conscientes da situação em que se colocam através de suas escolhas, bem como responsabilizá-las por suas ações.

Recebo e-mails de pessoas me questionando: 

- O que fulano fará caso eu haja dessa maneira? 

Ou às vezes alguns de meus pacientes quando estão mais inseguros e/ou ansiosos me perguntam o mesmo.

Fato é que não há como prever com certeza como uma pessoa se comportará diante de determinado evento. Podemos ter alguma ideia baseando-nos nos comportamentos passados dessa pessoa em situações semelhantes, já que de modo geral nós mantemos um determinado padrão de como responderemos às situações; principalmente se fazemos isso de forma automática.

No entanto, podemos conscientemente decidir agir de outro modo ou ainda através de terapia ou outros processos de autoconhecimento e mudança modificar nosso modus operandi.

Com base nisso, precisamos nós mesmos buscar perceber a situação em que nos encontramos com um olhar - o mais amplo possível - e, diante disso, olhar para dentro de nós e avaliar qual a melhor maneira de agir diante do contexto.

Cinco dicas para aprende a olhar para dentro de si:

1ª) O que busco nessa situação?

2ª) Agir dessa maneira me ajuda a obter quais resultados?

3ª) Sinto bem comigo mesmo(a) em agir desse modo?

4ª) Eu assumo a responsabilidade pelos meus atos?

5ª) Se eu fosse aconselhar uma pessoa querida na mesma situação, o que diria para ela?

Muito dificilmente podemos afirmar que alguém é vitima ou algoz em uma situação. Na grande maioria das vezes, como adultos, temos escolha e, diante disso, podemos optar fazer o nosso melhor, mesmo diante de algo que esteja causando muita tristeza ou raiva. Podemos sempre aproveitar o que acontece para aprender, para amadurecer e perceber o que ocorre como uma oportunidade de fazer diferente. Assim acabamos aos poucos desenvolvendo outras opções de respostas dentro de nós. Ampliamos nosso repertório e, como já dizia Darwin, os seres mais bem adaptados são os que sobrevivem. Ou seja, temos mais chances de nos sair bem em diferentes momentos.

Olhar para dentro de si diante das situações que nos desafiam ou ainda que nos impelem a nos comportarmos de modo automático é um excelente exercício de autoconhecimento, autorreflexão e mudança. 

Deixamos de agir impulsivamente e passamos a nos conectar com uma camada mais profunda a qual possui muito mais de nossa essência e verdade do que simplesmente agir por instinto ou ainda arrebatado por alguma emoção passageira.

Sejamos senhores de nossas vidas e de nossos destinos. Ajamos com responsabilidade fazendo aquilo que realmente acreditamos e sentimos ser o melhor.

Leia este texto também em Psicoquê.

Sente-se mal em ficar só? Ter autoconhecimento pode te ajudar

"Quando eu compreendo quem sou, meus gostos e preferências e me permito praticá-los, passo então a ter uma relação mais amigável e prazerosa comigo mesma"Hoje, trago uma importante reflexão acerca dos relacionamentos amorosos.
Estar com outra pessoa não é algo fácil. Todos temos nossa história, hábitos, opiniões e gostos. Além do mais, fomos educados de uma determinada maneira em uma cultura específica. Fora isso, temos nossa personalidade e também nossos medos, dificuldades, problemas ... Temos nossa família, amigos, trabalho, religião, entre outras tantas coisas.

Se já é complexo para nós mesmos lidarmos com todas essas questões. O que dirá então, quando se busca compartilhar momentos, decisões, situações e a vida com outra pessoa?

Mas, mesmo com todo esse pacote, temos o instinto de procurar estar com alguém. Dessa maneira, vemos a grande maioria das pessoas ou em algum tipo de relacionamento amoroso ou desejando ter um.
Estar em uma relação amorosa ou buscar uma não é de modo algum um problema. Essa busca ou desejo se torna um problema quando fazemos isso para fugir de ficarmos sozinhos, solteiros e solitários.

Para algumas pessoas o simples fato de pensar em ficar só já gera ansiedade, angústia, medo e tristeza. É por isso que há quem pule de uma relação rapidamente para outra, repetindo esse padrão de pular de galho em galho; ou ainda, há aqueles que mesmo em uma relação que traz sofrimento, que não é frutífera, saudável ou prazerosa, ainda assim se mantém nela.

Como já descrevi em outro texto (veja aqui), para podermos partilhar um bom relacionamento de casal, precisamos primeiro constituir nossa individualidade, ou seja, para sermos dois, precisamos primeiro ser um.
Se eu não me estabeleço como pessoa e não assumo minhas responsabilidades, bem como não tenho um bom relacionamento comigo mesma, como posso querer estar em comunhão com outra pessoa? Na verdade, o que estou fazendo é entrar em um relacionamento amoroso para fugir de mim mesma.

Se tenho muita dificuldade em lidar com questões emocionais ou mesmo práticas do dia a dia, posso buscar um relacionamento para que o outro resolva as coisas por mim ou ainda por sentir um incômodo muito grande em ficar só.

Por que ficar só é tão desconfortável para algumas pessoas?

Estar sozinho, é estar consigo mesmo. Estar em contato com todo esse pacote de coisas que citei acima, sem a distração de si, (que pode ser gerada por um outro quando estamos em relação), ou seja, é você com você mesmo. E por que isso é motivo de tanta aversão? Porque é insuportável ter a si mesmo como companhia.

Pergunto então:

- Se a percepção que tenho é que nem eu mesma consigo ficar comigo, como outra pessoa fará isso? Ou ainda, a que deveria me submeter para conseguir manter um relacionamento amoroso?
Se a relação é uma fuga de si, então fatalmente ela não será benéfica para um dos lados ou até para ambos. Para ter uma boa base, para estabelecer um relacionamento amoroso, o primeiro passo é estar nele por desejo e não por necessidade.

Isso quer dizer que eu escolho estar com outra pessoa porque me faz bem estar com ela e estar junto é melhor do que estar separado. Mas, para isso eu preciso primeiro me sentir bem comigo mesma e ter prazer em estar em minha companhia. Não preciso do outro mas... opto por estar com ele.

Se tenho aversão a ficar sozinha, então passo a precisar estar em uma relação; não necessariamente em um relacionamento amoroso, mas sempre buscando fugir de ficar só e, para isso, procurando compulsivamente a presença ou o contato com outras pessoas (amigos, familiares, contatos virtuais, etc...). Assim, fica-se quase que como viciado em relacionamentos, não suportando estar consigo mesmo.

É por isso que inúmeras pessoas ficam em relacionamentos ruins ou não têm coragem de terminar um relacionamento até que haja outro em vista. Posso não gostar mais do meu cônjuge, pode haver traições, pode haver brigas constantes e desrespeito mas, ainda assim, escolho não terminar porque tenho pavor de ficar só.

Como sair dessa situação?

Para podermos ficar bem sozinhos, para podermos ter um relacionamento saudável ou ainda para conseguirmos finalizar um relacionamento falido, precisamos gostar de estar conosco e termos autoconfiança. Isso quer dizer ter prazer e/ou tranquilidade em fazer coisas em sua própria companhia ou talvez até não fazer nada. É ficar em paz, mesmo que não haja outra pessoa com você. É ter segurança em si, que saberá lidar com as situações que possam acontecer.

No processo de terapia cognitivo-comportamental há duas maneiras de trabalhar a dificuldade de ficar só:

1ª) Através do autoconhecimento saber melhor do que gosto e não gosto, o que quero e não quero e aprender a resolver meus problemas sozinha;

2ª) O treino de exposição graduada. Esse consiste em entrar em contato, gradualmente, aumentando aos poucos o nível de dificuldade com situações aversivas ou difíceis.

Nesse caso, o treino pode consistir em, por exemplo, se a pessoa gosta de filmes, assistir a um filme sozinha em casa; posteriormente ir ao cinema sozinha uma vez e então criar uma frequência em fazer essa atividade sozinha.

Se a pessoa teme uma determinada situação, ela vai pouco a pouco se expondo a essa e lidando em terapia com os conteúdos que vão aparecendo em função disso. Ela percebe então que estar só, não é sentir solidão. Que solidão é uma percepção negativa que ela tinha a respeito de ficar sozinha. Solidão é então um adjetivo que eu posso colocar no "substantivo só", bem como também usar o "adjetivo liberdade".
Quando eu compreendo quem sou, meus gostos e preferências e me permito praticá-los, passo então a ter uma relação mais amigável e prazerosa comigo mesma.

Estar só é agradável. E aí estar com outra pessoa, terá que ser melhor do que ficar sozinha.


Leia este texto também em Via Estelar.

terça-feira, 19 de março de 2013

A RESPIRAÇÃO CORRETA PODE CURAR

Vocês sabiam?

Que nossa maneira de respirar pode mudar nossa percepção da vida é um caminho para o autoconhecimento e autocura?

Reparem nas grandes mudanças qualitativas que podem ocorrer em sua vida. Somente através da respiração. É mágico! Uma vez que você respira melhor, que alivia as tensões inconscientes, que você liberta a respiração, começa a se perceber mudando em todas as particularidades e níveis, e se descobre com todas as habilidades mais afinadas.

Quando a respiração é perfeita, todo o resto se equilibra, respirar é vida!

Respirar é mesmo sinônimo de vida, sim; mas a quase totalidade das pessoas prefere ignorar esse fato. E, claro, paga um preço por isso. O resultado dessa conta pode ser visto em qualquer ser humano desse mundo moderno:

Problemas de coluna, pressão alta, enxaquecas crônicas, gastrite, ansiedade, síndrome do pânico, fibromialgia, e tantos outros.

A sua dispersão se transforma em atenção, a insegurança em confiança, os seus medos vão simplesmente se dissipando e você repentinamente encontra entusiasmo para levar a sua vida à frente.

A respiração desbloqueada se torna música para você. E como benefício adicional, como o pulmão envolve o coração, respirar plenamente massageia o coração melhorando a circulação do músculo do coração, evitando e prevenindo todas as doenças relacionadas a ele, ao mesmo tempo em que torna você uma pessoa mais amorosa e emocionalmente alimentada. E sem amor, não há ponte possível entre você e seu criador.

Vou explicar aqui uma prática de Yoga muito simples, fácil e rápido para ser feito diariamente.

Nesta técnica de Yoga, absorvemos energias que são desconhecidas pela maioria dos ocidentais. Mas, vai dar bastante energia, saúde em todos os corpos constitutivos, inspiração e etc...
Encontrará o EQUILÍBRIO em tudo, com esta prática.

Vamos lá...

É o PRÂNÂYÂMA. Mas é pra fazer com Entus + siasmo, hein?

É assim:

NOTA: A Respiração correta deve ser feita em quatro tempos.

IDA (Pingala – termo usado na Cabalah – “Coluna direita da Cabalah” = Positiva)

1. Fechar a narina esquerda com o dedo anular e inspirar com a narina direita;
(Por exemplo: Conte até quatro, inicialmente, mais tarde aumenta esse tempo)

2. Fechar a narina direita e retenha o ar nos pulmões (Ambos os lados estarão fechados)
(Conte até quatro)

3. Soltar o ar pela narina esquerda (A narina direita permanece fechada)
(Conte até quatro)

4. Fechar a narina esquerda e manter os pulmões vazios (Ambos os lados estarão fechados)
(Conte até quatro)
Continue...

VOLTA (Ida – termo usado na Cabalah – “Coluna esquerda da Cabalah” = Negativa)


5. Retirar o anular da narina esquerda e inspirar o ar (Com a narina direita fechada)
(Conte até quatro)

6. Fechar também narina esquerda e reter o ar nos pulmões
(Conte até quatro)

7. Expirar pela narina direita deixando os pulmões vazios
(Conte até quatro)

8. Fechar a narina direita e manter os pulmões vazios (Com a narina esquerda fechada)


INSPIRAR com as duas narinas e EXPIRAR com as duas narinas (O famoso “respire fundo”) – Sushumnâ – conceito da Cabalah, ou melhor, “coluna do meio do Cabalah” = Equilíbrio.

OBS: Repetir esta série por SETE vezes. Em sete etapas ela é infalível.

Assim, com o tempo saberão respirar corretamente. Aproveitem!

Olhem os tipos que se designaram de respirações:

Respiração lenta: acalma, deixa a pessoa pacífica e compreensiva, produz clareza de pensamento. Ajuda a desenvolver uma percepção mais ampla de todos os fenômenos, aprofunda o autoconhecimento e a consciência universal. Diminui o ritmo das atividades biológicas e a temperatura tende a baixar.

Respiração longa: dá poder de concentração e sintoniza a pessoa com o ritmo do universo; traz paciência, calma, tolerância, desenvolve uma visão profunda das coisas e a consciência do aqui e agora. A memória e a visão do futuro tornam-se mais extensas e claras.

Respiração profunda: gera harmonia entre todas as funções do corpo e, com isso, há mais satisfação, estabilidade emocional, confiança e capacidade de expressão. Facilita a meditação e o sentimento amoroso.

Respiração rápida: excita, produzindo um estado mental instável. A pessoa muda de emoções bruscamente e tem reações inesperadas de ataque e defesa; torna-se mais subjetiva e egocêntrica, vê mais os detalhes que o todo, fica mesquinha.

Respiração superficial: gera carência, já que não supre as necessidades orgânicas de oxigênio e isso se reflete no estado mental e emocional. A pessoa fica medrosa, volúvel, insegura, ruim de memória e de intuição. A angústia tem muito a ver com isso.

Respiração curta: é dispersiva, traz impaciência, cria um ritmo irregular; a pessoa muda muito de idéia, tende à intolerância e ao mau humor. Custa-lhe adaptar aos ambientes, vive sempre em conflito e se apega mais aos detalhes que ao todo.

Daí se conclui, sem muito esforço, que uma respiração longa, lenta e profunda pode criar dentro de cada um de nós um oásis particular de harmonia, paz e saúde.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Como aceitar o que eu não posso mudar no meu relacionamento?

"Todo relacionamento pode ser uma grande oportunidade de crescimento e autoconhecimento, pois o par muitas vezes serve de espelho para nós"

Você está com seu par (marido ou esposa) e sabe que realmente gosta dessa pessoa e não tem intenção de se separar, mas quando ele (a) faz isso ou aquilo, a casa cai. Começa a pensar em todas as coisas que ele(a) faz e que te desagrada, percebe que sua raiva ou tristeza aumentam e quando vê já está brigando ou arrumando desculpas para ficar longe.

É justamente aí que os relacionamentos começam a se desgastar: as pessoas não compartilham mais o que pensam e sentem, fazem acusações e cobranças um ao outro, afastam-se, etc...

O problema começa não no que o outro faz, mas na interpretação e tamanho que se dá a isso.

Se você escolheu estar com seu par é porque analisou os valores pessoais e interesses em comum, assim como seu sentimento e decidiu que essa era uma boa união. Desse modo, ele(a) é uma pessoa com pontos que em sua maioria você aprecia e concorda. No entanto, ninguém é perfeito, nem mesmo você para seu par.
Muitas vezes o que nós gostamos e admiramos é aquilo com o que nos identificamos, ou por que fazemos do mesmo modo, ou por que gostaríamos de fazer. Ou seja, essa maneira de se comportar é compreendida por nós. O que causa incômodo é o diferente: o que não conhecemos ou concordamos e é justamente isso que geralmente causa os desentendimentos. Desentender segundo o dicionário Michaelis significa: 1- Não entender. 2- Fingir que não entende. 3- Não se entenderem reciprocamente.

Quando o outro faz algo diferente do modo como eu faço ou não faz como eu gostaria que ocorresse, isso viola alguma regra interna de como as coisas deveriam ser. É por isso que nos zangamos com os outros; não compartilhamos certa maneira de fazer algo. Olhando por esse ângulo, não há o correto e o errado; há diferentes maneiras de se fazer as coisas, mas que nem sempre são entendidas pelo outro e, portanto, podem ser percebidas como incorretas ou ruins.


"O problema começa não no que o outro faz, mas na interpretação e tamanho que se dá a isso"

Quando procuro me colocar no lugar do meu cônjuge e compreender o que ele pensa, o que sente e consequentemente o que faz; aquele ponto que antes era percebido como incômodo, pode ganhar outra nuance: tenho a possibilidade de ser empático, “olhar através dos olhos do outro”, e entendê-lo. Fora isso, a ruminação (pensar repetidamente em algo ruim e alimentar isso) é extremamente danosa à relação.

Quando me permito expor ao (a) meu (minha) companheiro (a) o que penso e como me sinto quando ele (ela) faz isso; além de não alimentar a ruminação (pois estou colocando para fora os pensamentos e emoções negativas); ainda tenho a possibilidade de ouvir do outro o que ele pensa e sente nessa situação.


Isso evita a leitura mental (distorção cognitiva) e consequentes desentendimentos. Além disso, quando meu par faz algo que me incomoda muito, vale prestar atenção se esse incômodo pode estar apontando para uma questão minha. Um exemplo é quando a esposa vai viajar a trabalho (ou sai com as amigas para jantar) e o marido sente-se muito incomodado com isso, recriminando-a por esse comportamento. É preciso analisar o que está passando na cabeça desse marido. É bem possível que alguma crença negativa dele tenha sido ativada pela situação da esposa sair sem ele, gerando pensamentos automáticos negativos (ex. “ela irá me trair”), emoção negativa (ex. medo) e um comportamento disfuncional (ex. ser agressivo verbalmente com a esposa). 


Esse evento mostra que o relacionamento pode ser uma grande oportunidade de crescimento e autoconhecimento, pois o par muitas vezes serve de espelho para nós; cabe a escolha de querer perceber a situação dessa maneira, ao invés de culpá-lo (distorção cognitiva) por seus desconfortos. 


Leio este texto também em Via Estelar.